“Chorava como uma criança”: a equipe de Van Schip critica a UCI após a atuação da polícia
A polêmica desclassificação de Jan-Willem van Schip na Ronde de l’Oise 2026 continua gerando reações. Após a divulgação de que a gendarmaria francesa teve que intervir para retirar o ciclista neerlandês da corrida depois de se recusar a abandoná-la, a equipe Azerion Villa Valkenburg saiu em defesa de seu ciclista e acusou a UCI de mantê-lo sob uma vigilância constante que, segundo consideram, está condicionando sua carreira esportiva.
A equipe de Van Schip critica a UCI após a intervenção policial: “É desumano que isso tenha chegado tão longe”
O diretor da equipe, Paul Tabak, afirmou em declarações ao WielerFlits que a formação neerlandesa não compartilha a interpretação regulamentar que motivou a desclassificação. Van Schip foi expulso da prova por levar um bidon sob a camisa, uma prática que os comissários consideraram contrária à normativa da UCI.
No entanto, Tabak sustenta que a regra em questão ainda não deveria ser aplicada.
“Segundo nós, essa norma não entra em vigor até 1º de julho. Além disso, no regulamento atual não encontramos nenhuma disposição que proíba explicitamente levar dois bidons ou géis sob a camisa. Jan-Willem conhece as regras e por isso não queria parar”, explicou. Supõe-se que a normativa aplicada faz referência à atualização apresentada há alguns dias que proíbe o uso de bolsos frontais, mas ainda não está claro se é isso que a UCI está sinalizando.
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A situação acabou escalando quando o corredor se negou a abandonar a corrida após receber a sanção. Os comissários solicitaram então a intervenção da gendarmaria francesa para detê-lo.
“No final, ele foi obrigado a parar pela polícia. É algo muito sério. Se isso não tivesse acontecido, a corrida teria que ter sido interrompida”, afirmou Tabak.
Um corredor permanentemente sob suspeita
Além da discussão sobre o regulamento, o responsável pela Azerion Villa Valkenburg considera que o caso de Van Schip se tornou algo mais profundo do que uma simples questão normativa.
O neerlandês já acumula três desclassificações desde outubro. Primeiro, foi expulso do Tour of Holland por uma configuração de bicicleta considerada ilegal. Mais recentemente, foi sancionado no Tour of Hellas por sua posição sobre a bicicleta e agora voltou a ficar fora de uma corrida pelo incidente do bidon.
Para Tabak, existe uma vigilância especial sobre seu corredor.
“Revisavam a bicicleta de Jan-Willem todos os dias durante a Ronde de l’Oise. Todos os dias. Mediam tudo. Se puderem encontrar algo, encontrarão.”
O diretor também relatou outro episódio ocorrido recentemente na Flèche du Sud, onde os comissários questionaram a homologação das rodas utilizadas pela equipe apenas dez minutos antes da saída de uma etapa importante. Segundo ele, após revisar a documentação junto aos próprios comissários, ficou demonstrado que tudo estava correto.
“É algo constante. Em cada corrida internacional isso volta a acontecer. Não importa o que façamos ou como Jan-Willem corra. Sempre terminam prestando atenção nele.”
A UCI e o problema da interpretação das normas
A equipe assegura que há tempos tenta obter esclarecimentos oficiais sobre algumas normas que afetam diretamente Van Schip e suas soluções aerodinâmicas particulares.
Tabak afirma que já transmitiram suas dúvidas à UCI em várias ocasiões sem obter resposta.
“Escrevemos para a UCI dizendo que o regulamento não está bem definido, mas simplesmente não recebemos resposta.”
A falta de clareza é precisamente um dos aspectos que mais preocupa a equipe. Segundo explicam, antes de cada corrida, Van Schip costuma ir junto aos responsáveis da formação para falar diretamente com os comissários e perguntar quais posições ou configurações consideram permitidas.
Ainda assim, as sanções continuam chegando.
Uma ação muito dura e excepcional
A imagem mais dura de todo o episódio chegou após a intervenção policial em que pararam o ciclista em plena corrida. Tabak revelou que o corredor ficou profundamente afetado pelo que aconteceu.
“Se você tivesse visto... Ele estava lá, à beira da estrada, chorando como uma criança.”
O diretor da equipe não escondeu seu descontentamento com a forma como a situação terminou.
“É desumano que isso tenha chegado tão longe. Jan-Willem não merece algo assim, especialmente considerando tudo o que ele conquistou neste esporte.”
Um futuro impossível nas corridas da UCI?
As declarações de Tabak também deixam uma reflexão preocupante sobre o futuro esportivo de Van Schip.
Embora insista em defender seu corredor, reconhece que a situação atual é dificilmente sustentável.
“Com sua bicicleta atual, com sua posição atual e com as coisas que faz, praticamente não faz sentido levá-lo a uma corrida da UCI. Tarde ou cedo acabarão desclassificando-o.”
Enquanto Van Schip trabalha junto ao sindicato de corredores para tentar obter uma interpretação mais clara das normas, o confronto entre um dos ciclistas mais criativos do pelotão e os órgãos reguladores do ciclismo parece estar longe de chegar ao fim.