Por que a UCI proibiu as meias de gelo no Tour
As altas temperaturas que acompanham o início do Tour de France 2026 tornaram o resfriamento dos corredores uma prioridade absoluta para equipes e preparadores. Coletes de gelo, ventiladores com pulverização de água, banhos de resfriamento ou diferentes sistemas para reduzir a temperatura corporal têm sido comuns na área de partida da contrarrelógio por equipes disputada em Barcelona.
No entanto, uma das ferramentas mais utilizadas no pelotão ficou fora de jogo na primeira etapa por decisão da UCI.
A UCI proíbe os populares “meias de gelo” no Tour de France apesar do calor extremo de Barcelona
Vários corredores foram detidos pelos comissários antes de acessar a rampa de saída e tiveram que retirar as conhecidas como meias de gelo, uma solução tão simples quanto habitual nas corridas disputadas sob altas temperaturas. Trata-se de meias preenchidas com cubos de gelo que os ciclistas normalmente colocam nas costas, sob o macacão de competição, para reduzir a temperatura corporal antes do esforço.

RECOMENDADO
A França não descarta suspender etapas do Tour devido à onda de calor
A UCI utiliza esse índice para saber quando o calor representa um risco para os ciclistas
Luca Martin ganha a Copa do Mundo La Thuile XCO após um ataque devastador
Martina Berta faz história em La Thuile com uma brilhante vitória diante de seu público
A que horas começa e onde acompanhar a Copa do Mundo de XCO em La Thuile
Haverá resposta imediata de Pogacar? Horários, perfil e favoritos da etapa 2 do Tour de França 2026
O gelo resfria diretamente a área do pescoço e das costas, e posteriormente a água gerada ao derreter ajuda a dissipar calor por meio da evaporação. Por isso, são uma imagem frequente em grandes voltas, provas por etapas e competições disputadas durante o verão.
O problema não é o gelo, mas a aerodinâmica
A explicação da UCI não está relacionada ao resfriamento, mas à forma do corpo do corredor.
Segundo explicou um comissário à Cyclingnews enquanto aplicava a medida, o motivo é que esses elementos alteram o perfil aerodinâmico do ciclista. “Muda a morfologia da forma do corredor”.
O responsável acrescentou ainda: “Sei que é algo pequeno, mas é preciso estabelecer um limite. Se você permite algumas vezes e outras não, não é justo. E se você permite um pouco, os corredores podem levar mais”.

A interpretação se baseia no artigo 1.3.032 do regulamento técnico da UCI, que proíbe qualquer elemento adicionado sobre ou sob a roupa que modifique a morfologia do atleta e que não seja estritamente necessário para a função da peça.
Nos últimos anos, a UCI endureceu especialmente as normas relacionadas a possíveis vantagens aerodinâmicas. A mesma filosofia já provocou restrições sobre a posição dos raios, o design de determinados componentes ou até mesmo a distância que os carros de equipe devem manter nas contrarrelógios.
Uma norma que já existia, mas que agora é aplicada com mais rigor
A surpresa entre alguns corredores e auxiliares fez pensar inicialmente que se tratava de uma nova proibição, embora responsáveis técnicos de várias equipes asseguraram que a regulamentação já estava em vigor.
Dan Bigham, responsável de engenharia da Red Bull-Bora-Hansgrohe, explicou à Cyclingnews que as normas atuais são muito claras em relação aos elementos permitidos sob o macacão de competição.
Por sua vez, Jenco Drost, responsável de material da Visma-Lease a Bike, lembrou que a UCI tem prestado especial atenção a qualquer objeto colocado sob a vestimenta de corrida. “Desde o ano passado são bastante rigorosos com os elementos sob o macacão”.
Drost também apontou que a medida havia sido comunicada previamente durante as reuniões técnicas do Tour de France.
O pelotão busca alternativas frente a uma onda de calor histórica
A decisão chega precisamente quando o calor se tornou uma das grandes preocupações desta edição do Tour. As previsões apontam para temperaturas próximas ou até superiores a 40 graus em algumas áreas da Espanha e França nos próximos dias.
Diante desse cenário, as equipes estão recorrendo a todo tipo de estratégias legais para combater o calor: coletes refrigerantes, ventiladores, pulverizadores de água, bebidas geladas ou protocolos específicos de pré-resfriamento antes das etapas.
As meias de gelo com certeza continuarão fazendo parte do repertório habitual dos corredores durante os treinos e possivelmente em outros momentos da corrida, mas pelo menos nas saídas das contrarrelógios sob supervisão dos comissários, a UCI deixou claro que já não têm mais espaço.