Pogačar quer vencer a Vuelta sem esvaziar o tanque: “Temos que ser inteligentes”
Tadej Pogačar retorna à Vuelta a Espanha sete anos depois e o faz com um objetivo muito claro: ganhar a única Grande Volta que ainda falta em seu palmarés. O esloveno chega apenas algumas semanas depois de conquistar seu quinto Tour de France e admite que terá que encontrar um equilíbrio entre lutar pela camisa vermelha e guardar forças para um final de temporada em que ainda o aguardam o Mundial, o Europeu e Il Lombardia.
Pogačar volta à Vuelta sete anos depois
A Vuelta 2026 começará neste sábado em Mônaco, praticamente em casa para Pogačar, com uma contrarrelógio individual de 9,4 quilômetros. Será o começo de sua segunda participação em uma corrida que ocupa um lugar especial em sua trajetória.
"Passou pouco tempo desde o Tour, mas acho que foi o suficiente para me recuperar. A saída está perto da minha casa e isso é muito bonito. É um dos desafios que ainda me restam e darei tudo para consegui-lo", explicou antes do início.
Sua única Vuelta até agora foi a de 2019. Com apenas 20 anos e durante sua primeira temporada como profissional, ganhou três etapas, terminou em terceiro na geral e levou a camisa branca. Aquela corrida foi também sua estreia em uma Grande Volta.
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"Tenho lembranças muito bonitas da Vuelta de 2019. Naquela época eu era um garoto jovem. Agora enfrento as corridas de uma maneira completamente diferente. Parece quase que esta é minha primeira Vuelta novamente".
Desde então, seu palmarés mudou radicalmente. Pogačar já ganhou o Giro d'Italia e acaba de somar seu quinto Tour. A Vuelta é a única das três Grandes que ainda não conquistou.
"Ganhar as três Grandes Vueltas tem sido um grande objetivo e um sonho para mim há anos. Por isso será importante estar bem aqui".

"Nunca é fácil"
Apesar de partir como grande favorito, Pogačar rejeitou a ideia de que possa encontrar uma corrida mais simples que o Tour.
"Não sei nem mesmo se vale a pena responder a essa pergunta", assegurou quando lhe perguntaram a respeito. "Aqui há uma competição enorme e um talento incrível na largada. Vai ser uma corrida muito dura, uma batalha difícil".
"Espero que todos os que estão aqui estejam em sua melhor forma. Há corredores muito, muito bons. Nunca, nunca, nunca é fácil".
O primeiro exame chegará desde a jornada inaugural. Pogačar conhece perfeitamente as estradas de Mônaco, mas considera que o traçado curto e técnico da contrarrelógio pode favorecer corredores mais especialistas.
"Conheço as estradas realmente bem. Passo por elas de moto, de carro, de bicicleta e a pé. Não será uma contrarrelógio para ir a 60 km/h o tempo todo. Haverá que frear e gerenciar o esforço de uma forma diferente".
Isso não significa que ele vá se reservar.
"Vou dar tudo. A primeira etapa não será fácil para mim. Há corredores que serão muito rápidos e muito técnicos. Vou tentar, mas será difícil".
As primeiras montanhas marcarão sua estratégia
Pogačar reconhece que precisará de várias etapas para verificar até que ponto se recuperou do Tour. A montanha aparecerá logo, com Font Romeu no terceiro dia e uma etapa curta, mas exigente, por Andorra no dia seguinte.
"Adoro competir na Espanha. O ambiente e as pessoas são incríveis. Minhas pernas se sentem bem, mas veremos como respondem a partir da quarta etapa".
O desempenho durante esses primeiros dias determinará em boa medida como o UAE Team Emirates-XRG enfrentará o restante da corrida.
"Não deveria terminar a Vuelta completamente destruído"
Pogačar quer ganhar, mas Granada não será o final de sua temporada. Depois da Vuelta, ele ainda tem três objetivos importantes: Mundial, Campeonato da Europa e Il Lombardia. Esse calendário condicionará necessariamente a maneira como gerenciará as três semanas.
"Terei que ver meu estado de forma durante as primeiras etapas. Sempre estou pensando que ainda tenho três grandes corridas depois da Vuelta: Mundial, Europeu e Lombardia".
E foi então que resumiu perfeitamente o equilíbrio que deverá encontrar durante a corrida:
"Não deveria terminar a Vuelta completamente destruído".
Pogačar não fala de se reservar nem de renunciar a oportunidades, mas de correr com inteligência e evitar gastar forças desnecessariamente.
"Temos que ser inteligentes e fazer a melhor corrida possível durante essas três semanas. Teremos que ver durante os primeiros dias como enfrentamos as etapas posteriores".
Sete anos depois de irromper no ciclismo mundial com aquele terceiro lugar em 2019, Pogačar volta à Vuelta convertido no principal favorito e com uma missão pendente: completar sua coleção de Grandes Vueltas. Mas desta vez o desafio não será apenas chegar de vermelho a Granada. Ele também terá que fazê-lo sem esvaziar completamente o depósito antes de enfrentar os últimos grandes objetivos de sua temporada.