"Não se trata de dinheiro": Pogacar renegociará seu contrato com a UAE antes da Vuelta
Tadej Pogacar e a UAE Team Emirates-XRG estão preparados para prolongar ainda mais uma relação que já parecia assegurada a longo prazo. Alex Carera, agente do esloveno, confirmou que nesta sexta-feira se reunirá com a direção da equipe em Mônaco para negociar uma possível ampliação até 2031, justo um dia antes de que comece a Vuelta a España.
Pogacar e UAE negociam o futuro além de 2030
A negociação é especialmente chamativa porque não existe nenhuma urgência contratual. Pogacar tem contrato assinado atualmente até o final de 2030, mas ambas as partes já querem começar a definir como será o próximo capítulo de uma relação que transformou o esloveno na grande referência esportiva e econômica do ciclismo atual.
Segundo confirmou Alex Carera a Daniel Benson, a reunião ocorrerá nesta sexta-feira pela manhã em Mônaco e contará com a presença do presidente da equipe, Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri, e o manager Mauro Gianetti.
A ideia que está sobre a mesa é adicionar, ao menos, a temporada 2031 ao atual contrato de Pogacar. No entanto, Carera assegura que o ponto central das conversas não será o salário.
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“Tadej está contente, mas há alguns pontos, e não se trata de dinheiro. Vamos falar de 2031”, explicou seu representante.
Mais do que uma simples renovação, as conversas parecem encaminhadas a construir um contrato especialmente adaptado à situação de Pogacar. Carera fala de “três ou quatro cláusulas importantes” que deverão ser discutidas pessoalmente entre as partes.
Por isso, também não se espera necessariamente um acordo imediato. O representante do esloveno admite que as conversas poderiam se prolongar por aproximadamente um mês porque “não é um contrato padrão”.
A reunião se realizará ainda em um momento muito particular. Pogacar está em Mônaco preparando o início da Vuelta a Espanha, que começará no sábado e onde tentará conquistar a única Grande Volta que ainda falta em seu palmarés.
Um contrato de 8 milhões ao ano que já se torna curto frente a tudo o que gera
Que o dinheiro não seja o principal assunto da negociação tem ainda mais relevância considerando a dimensão econômica alcançada por Pogacar.
Atualmente, seu salário na UAE Team Emirates-XRG está em torno de 8 milhões de euros anuais, uma cifra que já o torna, com muita diferença, o ciclista mais bem pago do pelotão. Mas seus ganhos reais são bastante superiores.
Como contamos recentemente na Brújula Bike, as estimativas publicadas por La Gazzetta dello Sport apontam que Pogacar irá receber pelo menos 13 milhões de euros durante 2026 entre salário, bônus, patrocínios pessoais e merchandising.
Além dos 8 milhões provenientes da UAE, seus acordos comerciais pessoais trariam cerca de 2,5 milhões, o merchandising em torno de um milhão e sua quinta vitória no Tour de France mais um milhão em conceito de bônus. A isso, haveria que somar 500.000 euros se terminar o ano como número um do ranking mundial.
E a cifra ainda poderia crescer. Vencer a Vuelta significaria, segundo essas mesmas informações, um bônus adicional de 500.000 euros, enquanto revalidar o Campeonato do Mundo adicionaria outros 250.000. No melhor cenário, Pogacar poderia terminar 2026 com ganhos de pelo menos 13,75 milhões de euros.
De pensar em Los Angeles 2028 como possível final a negociar até 2031
A possibilidade de ampliar seu contrato também volta a modificar a perspectiva sobre quando poderia terminar a carreira esportiva de Pogacar.
Há aproximadamente um ano, em uma entrevista com L'Équipe, o esloveno deixou em aberto a possibilidade de se retirar após os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No entanto, posteriormente ele insistiu que pretende cumprir seu atual contrato com a UAE até 2030.
Agora a conversa já vai um passo além.
Se finalmente assinar até 2031, Pogacar continuaria competindo após a barreira dos 32 anos e reforçaria ainda mais uma relação com a UAE que poderia até se prolongar após sua retirada. As últimas informações já apontavam precisamente para essa possibilidade e para a intenção do esloveno de permanecer vinculado por muito tempo à estrutura emiradense.