Peter Sagan está de volta?

Autoestrada 15 jun. 2022 23:06 Guilherme

Peter Sagan conseguiu sua primeira vitória do ano ao vencer a terceira etapa do Tour da Suíça. Ele poderá lutar novamente pela camisa verde do Tour?

A travessia do deserto de Peter Sagan

A chegada à cidade de Grenchen parecia ser uma das poucas etapas do Tour da Suíça destinadas a cair nas mãos dos homens rápidos do pelotão. Últimos quilômetros técnicos com várias curvas complicadas de 90º com um Intermarché-Wanty-Gobert carregando Alexander Kristoff perfeitamente posicionado e, na sua roda, um camisa da TotalEnergies.

Se trata de Peter Sagan, que há muito não era visto nessas posições. Na última curva, permanece perfeitamente posicionado e não hesita em se antecipar, pouco antes do lançador de Kristoff se afastar para desencadear um duro sprint. De muito longe. Surpreendeu a todos, levou alguns metros que nem Coquard, nem Kristoff, nem Thomas Pidcock, uma posição atrás, conseguiram superar.

É o fim de uma seca que dura desde setembro, ele conseguiu conquistar a geral do Tour da Eslováquia, embora sem triunfar em nenhuma das etapas. Era preciso voltar a 20 de junho, praticamente um ano, tempo demais para um vencedor como Peter Sagan encontrar sua última foto levantando os braços no campeonato de seu país.

Tempos cinzentos

Muitos foram os que já o consideravam acabado isso porque Peter Sagan, o eslovaco que até pouco tempo atrás parecia ser o dono exclusivo da camisa arco-íris, vinha desvanecendo-se nos últimos anos no que para muitos indicava o declínio definitivo de sua carreira.

Tudo começou a dar errado no ano de 2018, quando no meio do Tour de France anunciou o divórcio de sua esposa e, apesar de conseguir uma nova vitória por pontos no Tour, sua produção de vitórias começava a diminuir, conseguindo em 2019 levantar os braços apenas 4 vezes e, apesar de tudo, voltou para adicionar uma nova camisa verde.

Chega 2020 e com ele a pandemia que afetou a todos nós em maior ou menor grau. No caso de Peter Sagan, deixando-o com apenas uma vitória no Giro d'Italia. Em 2021, a vez de sofrer pelo Covid em fevereiro, e um ano em que passa praticamente despercebido voltou tona, apesar de somar mais 5 vitórias, três delas a nível de World Tour.

E, após finalizar a temporada passada, decidiu mudar de rumo na carreira e deixar a Bora-Hansgrohe, onde ficou por 5 temporadas, para optar pela esquadra Pro Team TotalEnergies. À primeira vista, um passo atrás por ser uma equipe da segunda divisão do ciclismo, mas, mesmo assim, garantia a participação nas melhores provas.

Assim iniciava um ano emocionante, um novo projeto para Peter Sagan até que, novamente, o Covid interrompeu sua preparação no início de janeiro. A partir daí a queda ao poço: abandonos, posições discretas, uma gripe inoportuna que o deixou totalmente nocauteado no Tirreno-Adriatico e uma fadiga contínua que o impediu de mostrar o que sua classe e suas pernas valorizam.

Finalmente, depois de mais um abandono no Circuito de la Sarthe – Pays de Loire, ele deu um basta e junto com sua equipe decide parar até tentar encontrar a origem de seus males. No entanto, os estudos médicos não encontram uma razão para as sensações que afligem Peter Sagan. Ele então toma a decisão de se refugiar nos Estados Unidos, entre Colorado e Utah, junto com seu fiel Daniel Oss, buscando reencontrar-se consigo mesmo.

Treinos de estrada, mas também muita diversão para voltar a disfrutar da bicicleta com percursos de MTB ou a participação na corrida de 100 milhas da Unbound Gravel antes de regressar à Europa com o Tour da Suíça, uma das suas corridas fetiche, onde acumula nada menos que 18 vitórias.

Rumo à oitava camisa verde

A vitória incontestável na Suíça, frente a um elenco de alto nível como Kristoff, Coquard ou Pidcock, faz-nos sonhar com recuperar o Peter Sagan dos melhores tempos.

Uma vitória que chega mesmo a tempo de apresentar a sua candidatura à camisa verde que credencia o vencedor da classificação por pontos do Tour de France. Uma classificação que ganhou nada menos que 7 vezes.

A presença de Mathieu van der Poel no Tour, presumivelmente com o mesmo objetivo após o fantástico Giro realizado, pode transformar a luta pela verde entre holandês e eslovaco em um verdadeiro espetáculo.

Teremos que esperar até 1º de julho para descobrir se a vitória de Peter Sagan é o sinal de seu retorno ao mais alto nível ou o canto do cisne de uma carreira tremendamente bem-sucedida.

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