A UCI teria expulsado Evenepoel por 20 gramas? O fundador da Specialized critica a desclassificação de Lorena Wiebes
A desclassificação de Lorena Wiebes do Giro de Itália Women por uma bicicleta 20 gramas abaixo do peso mínimo permitido continua gerando reações no mundo do ciclismo. A última voz a se juntar ao debate foi a de Mike Sinyard, fundador da Specialized, a marca que fornece as bicicletas para a equipe SD Worx-Protime.
Sinyard se pronuncia sobre o caso Wiebes e reabre o debate sobre o limite de 6,8 kg
Sinyard se pronunciou sobre o caso durante uma conversa registrada na newsletter de Lennard Zinn, uma das publicações técnicas mais reconhecidas do ciclismo americano. Lá, criticou abertamente tanto a sanção imposta a Wiebes quanto a própria existência de uma norma que considera ultrapassada.
“A desclassificação de Lorena é muito arbitrária. Você imagina se isso tivesse acontecido com Mark Cavendish, Remco Evenepoel, Peter Sagan ou qualquer uma das grandes estrelas masculinas? Não há nenhuma possibilidade de que eles fossem expulsos de toda a corrida”, afirmou Sinyard.
A campeã neerlandesa havia vencido com autoridade a primeira etapa do Giro de Itália Women e havia colocado a maglia rosa antes que os comissários da UCI detectassem que sua bicicleta registrava um peso de 6,78 kg, 20 gramas abaixo do limite regulamentar de 6,8 kg. A sanção foi imediata: perda da vitória, da liderança e exclusão da corrida.
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As declarações de Sinyard chegam apenas alguns dias depois que a SD Worx-Protime questionou publicamente o procedimento de pesagem utilizado pelos comissários. A equipe afirmou que houve uma diferença superior a 50 gramas entre duas medições consecutivas e alegou ter obtido posteriormente um peso superior a 6,83 kg utilizando seu próprio material de medição.
A Specialized não emitiu nenhum comunicado oficial como empresa, embora tenha publicado uma imagem em suas redes sociais parabenizando Lorena pela vitória"20 gramas não ganharam aquele sprint. Quem ganhou foi Lorena. Estamos orgulhosos de apoiar Lorena Wiebes e a SD Worx-Protime. A vitória que vimos continua sendo algo que não pode ser medido. Estamos com Lorena." Isso, junto às palavras de seu fundador, deixa claro seu posicionamento em relação a uma sanção que considera desproporcional.
De fato, Sinyard concorda com um dos principais argumentos apresentados pela equipe neerlandesa: a suposta infração não teve nenhuma influência esportiva no resultado da etapa. Wiebes ganhou o sprint de Ravenna com vários corpos de vantagem sobre Elisa Balsamo, uma diferença impossível de explicar por uma redução de apenas 20 gramas no peso da bicicleta.
Um debate que vai além do caso Wiebes
As declarações de Sinyard também alimentam uma discussão que está aberta há anos dentro da indústria. O limite mínimo de 6,8 kg foi introduzido pela UCI no ano 2000, em uma época em que os quadros de carbono ultraleves geravam dúvidas sobre sua resistência e segurança.
No entanto, a tecnologia de fabricação evoluiu enormemente desde então. Os fabricantes hoje dispõem de processos avançados de simulação, homologações específicas, testes de laboratório e certificações que permitem garantir a segurança estrutural das bicicletas independentemente de seu peso.
Precisamente esse é um dos motivos pelos quais cada vez mais vozes consideram que a norma precisa de uma revisão profunda. Paradoxalmente, a maioria das bicicletas do WorldTour atual supera facilmente os sete quilos devido à incorporação de freios a disco, perfis aerodinâmicos mais complexos e cabeamentos completamente integrados.
O caso de Wiebes voltou a colocar a questão em pauta e abriu um debate que transcende a própria sanção: se uma bicicleta homologada, utilizada durante toda a temporada e apenas 20 gramas abaixo do limite realmente merece uma das sanções mais severas previstas no regulamento.
Enquanto a SD Worx estuda possíveis ações legais contra a UCI, a pressão sobre o organismo internacional continua aumentando. E agora conta também com o apoio público de uma das figuras mais influentes da indústria do ciclismo moderno.