Somente 7 ciclistas venceram o Giro e o Tour, Pogacar pode ser o próximo
O desafio que Tadej Pogacar se propôs nesta temporada é monumental: conquistar na mesma temporada o Giro d'Italia e o Tour de France, uma proeza que nenhum ciclista foi capaz de realizar desde que Marco Pantani o fez naquele infeliz 1998 e que, com a exigência e igualdade do ciclismo atual, muitas vozes têm considerado impossível de alcançar.
Tadej Pogacar busca engrandecer sua lenda com o duplo Giro e Tour
Conseguir duas grandes voltas na mesma temporada se tornou, nas últimas décadas, uma missão quase impossível. A razão para isso é a exigência de se preparar para uma dessas corridas com o objetivo de vencer e o enorme desgaste, tanto físico quanto psicológico, que isso provoca no ciclista. No caso do Giro d'Italia e do Tour de France, a magnitude do desafio aumenta devido à proximidade entre ambas as corridas, com menos de dois meses entre elas.
Tamanha é a dificuldade de ligar ambas as corridas de forma bem-sucedida que, se olharmos nos livros de história, veremos que apenas 7 ciclistas conseguiram, todos eles corredores renomados.
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O primeiro a conseguir foi o Campionissimo Fausto Coppi, que adicionou ambas as corridas ao seu palmarés em duas ocasiões: em 1949 e em 1952. O próximo a conseguir seria Jacques Anquetil em 1964. Claro, quando falamos de recordes, não podemos deixar de mencionar um tal Eddy Merckx. O Canibal conseguiu ligar o Giro e o Tour com sucesso em nada menos que 3 ocasiões, em 1970, 1972 e 1974, o ciclista que mais vezes conseguiu.
Nos anos 80, outro dos ciclistas míticos conseguiu o feito, como o Tejão. Bernard Hinault venceu ambas as corridas em 1982 e 1985. Durante esses anos, outro ciclista também seria capaz de vencer o Giro e o Tour. Estamos falando de Stephen Roche em 1987, cujo Tour de France daquele ano deixou um gosto amargo para o ciclismo espanhol, já que significou a derrota nas últimas etapas da corrida de Pedro Delgado, que esteve muito perto naquele ano de conquistar a volta francesa.
Nos anos 90, destaca-se outro dos grandes ciclistas da história, como Miguel Indurain, que praticamente apresentou a corrida italiana ao grande público espanhol em uma época em que era difícil acompanhar a prova transalpina pela televisão. Em duas ocasiões, Indurain conquistou a maglia rosa e, em seguida, a camisa amarela em Paris nos anos 1992 e 1993. Finalmente, teríamos que esperar até 1998 para ver um ciclista dobrar essas vitórias. Foi o grande escalador italiano Marco Pantani, em um ano especialmente turbulento para este esporte e que resultou no escândalo da equipe Festina durante a disputa daquele Tour de France.
Desde então, nenhum ciclista esteve sequer perto de conquistar ambas as corridas. Aqueles que enfrentaram a participação em ambas acabaram cedendo na segunda devido à fadiga acumulada ou, ao contrário, não tendo um desempenho ideal na primeira devido à necessidade de chegar um pouco abaixo da forma para não desfalecer depois no Tour de France.
E é que ligar ambas as provas no mais alto nível significa manter o melhor estado de forma por 3 meses, algo que, para quem conhece um pouco de metodologia de treinamento, é praticamente impossível com o altíssimo nível do ciclismo atual.
No entanto, como disse o próprio diretor da UAE Team Emirates, Josean Fernández Matxin, se há um ciclista que hoje em dia pode conseguir isso, é Tadej Pogacar, especialmente nesta temporada em que todos os astros parecem estar a seu favor para alcançar essa proeza.
Quando Tadej Pogacar decidiu enfrentar o Giro d'Italia no início da temporada, provavelmente o fez levando em consideração a superioridade que Jonas Vingegaard estava demonstrando durante o mês de julho. A ideia claramente era atacar o Giro d'Italia e assim somar um sucesso notável no palmarés e depois ir para o Tour de France sem a pressão de ter que vencê-lo.
No entanto, a queda na Itzulia mudou tudo e, embora os planos para o Giro continuem os mesmos e Tadej Pogacar seja o favorito incontestável, o tema é que suas chances para o Tour de France se tornam muito mais claras com a quase certa ausência de Jonas Vingegaard, o que, sem dúvida, torna o assalto ao Grande Boucle muito mais acessível para o esloveno.
No entanto, o Tour de France não será um mar de rosas para Pogacar. Mesmo que Jonas Vingegaard não consiga chegar à largada, ele terá que superar ciclistas como um Primoz Roglic ansioso por se redimir de 2020 quando perdeu a camisa amarela para seu compatriota na cronoescalada para a Planche des Belles Filles. Também não se pode subestimar um Remco Evenepoel que ainda precisa provar que é capaz de superar as altas montanhas.
No Giro d'Italia também não será fácil e, apesar de ser de longe o principal candidato à vitória, não devemos esquecer o que aconteceu com Remco Evenepoel no ano passado e é que, a corrida italiana é sempre traiçoeira e, onde menos se espera, a surpresa aparece. Em todo caso, voltando a citar as palavras de Matxin, se alguém pode fazer o duplo hoje em dia, esse alguém é Tadej Pogacar.