Como são utilizados os géis de lactato e o que eles proporcionam
Os géis de lactato são uma das grandes novidades que estão aparecendo no âmbito da nutrição esportiva. Embora até há muito pouco tempo o uso do lactato como fonte de energia exógena fosse um conceito praticamente reservado à pesquisa, a empresa Exolactate já começou a explicar como recomenda utilizá-los e qual é seu papel dentro da estratégia de alimentação de um atleta de resistência.
Géis de lactato: como devem ser consumidos e o que oferecem durante o exercício
No segundo episódio do podcast From Lab to Feel, o pesquisador em fisiologia do exercício Aitor Viribay e o ex-ciclista profissional Christian Meyer aprofundam na aplicação prática desses géis após terem explicado anteriormente a teoria sobre o papel do lactato no metabolismo.
Não substituem os carboidratos
Uma das mensagens que mais repetem durante a conversa é que o lactato não pretende substituir os carboidratos como fonte principal de energia durante o exercício.
Segundo explica Viribay, os carboidratos “continuam sendo os reis do aporte energético”, portanto o objetivo é complementá-los com uma nova via de fornecimento energético por meio da incorporação de lactato exógeno.
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O gel desenvolvido pela Exolactate combina 40 gramas de carboidratos, em uma proporção 1:1 de glicose e frutose, com 5 gramas de lactato, além de sódio para favorecer a hidratação.

Entre um e vários géis por hora
Durante o podcast explicam que a quantidade dependerá das necessidades energéticas de cada atleta e da intensidade do esforço.
Sua recomendação é consumir entre um e três géis por hora, embora em atletas de alto nível que trabalham com ingestões muito elevadas de carboidratos possam chegar a utilizar até quatro por hora. Isso permitiria fornecer entre 5 e 20 gramas de lactato a cada hora junto com o correspondente aporte de carboidratos.
Christian Meyer explica que atualmente tenta treinar com um mínimo de uns 10 gramas de lactato por hora e que, nos treinos mais exigentes, combina os géis de carboidratos com lactato com outros géis que contêm apenas lactato.
Também propõem utilizar lactato em treinos leves
Um dos aspectos mais chamativos é que a Exolactate não limita o uso do lactato às competições ou aos treinos intensos.
Viribay e Meyer explicam que também estão experimentando com géis que contêm apenas lactato durante sessões de baixa intensidade. Segundo expõem, a ideia seria fornecer energia sem recorrer a grandes quantidades de carboidratos e, ao mesmo tempo, manter uma elevada utilização das gorduras como combustível.
Os responsáveis pelo projeto indicam que algumas dessas hipóteses ainda devem ser confirmadas por meio de estudos científicos, embora assegurem que os primeiros ensaios internos apontam nessa direção.
A sensação que descrevem os atletas
Christian Meyer relata várias das sensações que experimentou utilizando esses produtos durante seus treinos e competições de trail running.
Segundo explica, o efeito que mais lhe chamou a atenção foi a rapidez com que notava disponível a energia após ingerir um gel. “Cinco ou dez minutos depois sentia que tinha energia e que me encontrava realmente bem”, afirma.
Também assegura ter percebido uma entrega de energia mais constante durante esforços prolongados, com menos altos e baixos do que utilizando apenas géis convencionais de carboidratos.
Outro aspecto que destaca é uma menor sensação subjetiva de esforço em alguns treinos de alta intensidade e uma maior clareza mental ao final de sessões longas e técnicas, embora reconheça que se trata de percepções pessoais.
Um produto ainda em plena fase de desenvolvimento
Viribay insiste durante o podcast que o objetivo da Exolactate não é apenas aumentar a quantidade de energia disponível para o atleta, mas abrir uma nova via de aporte energético aproveitando o lactato, uma molécula que hoje é considerada um combustível utilizado por diferentes tecidos do organismo.
Os responsáveis pelo projeto reconhecem que ainda há muito trabalho científico pela frente para confirmar alguns dos possíveis benefícios que apresentam, mas consideram que o uso de lactato exógeno pode representar uma das próximas evoluções na nutrição para esportes de resistência.
Enquanto isso, os géis de lactato já começaram a sair do laboratório e a serem utilizados em treinos e competições, tornando-se uma das inovações que mais interesse estão despertando dentro do ciclismo e do restante das disciplinas de resistência.