Por que a França ‘proibiu’ Paul Seixas de competir no ciclocross
A temporada de ciclocross 2026-2027 já está em andamento, e tudo indica que Paul Seixas continuará afastado de uma modalidade na qual chegou a conquistar o título francês. Embora ainda não haja uma confirmação oficial sobre seus planos para este inverno, os motivos que levaram à recomendação de que deixasse o ciclocross continuam plenamente válidos — ainda mais depois de sua evolução espetacular no ciclismo de estrada.

Por que recomendaram a Paul Seixas que abandonasse o ciclocross
No fim de 2025, François Trarieux, que havia trabalhado com Seixas na seleção francesa de ciclocross, explicou em uma entrevista ao Ouest-France como precisou convencer o jovem ciclista a deixar de lado uma de suas grandes paixões.
A história remonta a janeiro de 2024, quando Seixas acabara de conquistar o título francês júnior de ciclocross e se preparava para o Mundial de Tábor. Depois de competir na etapa da Copa do Mundo de Benidorm, sofreu uma queda durante um treino na Espanha e fraturou o pulso esquerdo. A lesão o tirou do Mundial e acelerou uma decisão que já vinha sendo considerada.
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Segundo Trarieux, o problema não estava em sua capacidade física, que lhe permitia competir com os melhores, mas em algumas deficiências técnicas que ficavam especialmente evidentes nos circuitos enlameados.
O treinador relembrou a conversa que teve com ele após a lesão: “Sei o quanto você gosta de ciclocross, mas, considerando seu nível na estrada, precisa deixar a modalidade, pelo menos por um tempo, porque corre o risco de se machucar cada vez mais.”
Trarieux reconheceu que foi uma conversa difícil, mas necessária. Seixas continuava acompanhando as corridas de seus antigos companheiros de seleção e mantinha intacta sua paixão pelo ciclocross, embora tivesse aceitado parar de competir na modalidade.

A explosão na estrada torna um retorno ao ciclocross ainda menos provável
Desde aquelas declarações de 2025, a situação esportiva de Seixas mudou consideravelmente. O francês acaba de concluir a temporada de 2026, com o quarto lugar em seu primeiro Tour de France e a conquista de seu primeiro Monumento, ao vencer a Il Lombardia com apenas 20 anos.
Diante desses resultados, a recomendação de evitar os riscos do ciclocross parece ter ainda mais peso do que há um ano. Seixas se tornou uma das grandes esperanças do ciclismo francês para encerrar o jejum de vitórias no Tour de France, que dura desde o triunfo de Bernard Hinault, em 1985.
Isso não significa que tenha desistido de competir em outras modalidades. Na verdade, apenas um dia depois de vencer a Il Lombardia, Seixas surpreendeu ao participar do Roc d'Azur CIC de MTB, terminando na 66ª posição. Foi uma participação pontual, na qual aproveitou a experiência com a mountain bike, mas adotou uma postura cautelosa nos trechos mais técnicos.
Uma coisa, porém, é participar ocasionalmente de uma prova de MTB; outra é encarar uma temporada de ciclocross, com corridas de alta intensidade, obstáculos e condições que podem aumentar o risco de quedas.
Até o momento, Seixas não anunciou planos para voltar ao ciclocross na temporada 2026-2027. E, embora o conselho de Trarieux nunca tenha sido pensado como uma aposentadoria definitiva da modalidade, tudo indica que o francês continuará priorizando sua preparação para as provas de estrada — pelo menos enquanto sua evolução continuar alimentando as expectativas que a França deposita nele.