"Perde nas descidas técnicas": Peter Sagan compara Pidcock e Van der Poel no XCO e lembra sua atuação no Rio 2016

Mountain Bike 21/04/26 12:00 Migue A.

O passo de Peter Sagan pelo mountain bike sempre foi uma espécie de capítulo paralelo em sua carreira, mas agora o eslovaco quis olhar para trás e colocar em contexto o que viveu nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Ele faz isso, além de conectar aquela experiência com o presente, comparando dois dos grandes nomes atuais que alternam entre estrada e MTB, como Tom Pidcock e Mathieu van der Poel.

Peter Sagan fala pela primeira vez sobre sua passagem pelo mountain bike no Rio 2016 e analisa as diferenças entre Pidcock e Van der Poel

A poucas semanas do início da Copa do Mundo XCO, onde Van der Poel pode estar muito presente este ano, a organização se sentou com Peter Sagan para falar sobre vários temas.

O eslovaco começa lembrando como é complexo mudar de disciplina. “Mudar da estrada para o mountain bike é realmente difícil”, explica, deixando claro que sua incursão olímpica não foi improvisada, mas sim cheia de incertezas desde o início.

A prova olímpica de XCO no Rio foi especial por vários motivos. Representou a única medalha de ouro olímpica de Nino Schurter após anos quase a alcançá-la e deixou para a Espanha uma de suas grandes imagens com o bronze de Carlos Coloma. Em meio a esse contexto, Sagan apareceu na linha de partida como uma das grandes incógnitas do pelotão.

O próprio eslovaco começa lembrando como foi seu início no ciclismo de estrada, já que Sagan começou sua carreira no mountain bike “Pensei, vou experimentar o ciclismo de estrada. Se não gostar, voltarei para o mountain bike. É fácil, não?”. Não foi nada mal e foi após ganhar três Campeonatos Mundiais na estrada que tentou voltar ao MTB e disputar uns JJ.OO. “Depois de seis anos, tentei ir aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Foi bastante complicado”.

Na corrida, seu desempenho surpreendeu nas primeiras voltas. Apesar de ter saído atrasado, conseguiu recuperar até posições da frente antes que problemas mecânicos o afastassem da disputa. “Saí da última posição e, graças à experiência como sprinter, consegui recuperar. Nas duas primeiras voltas consegui me colocar em terceiro quando entramos na trilha”.

Aquele início confirmou seu potencial, mas também deixou à mostra suas limitações. “Tecnicamente eu era ruim”, reconhece. “Podia descer qualquer descida, mas não tinha o nível técnico necessário”. E isso foi exatamente o que o fez furar várias vezes e ficar completamente fora da corrida.

Pidcock e Van der Poel, dois caminhos distintos para o MTB

A partir dessa experiência, Sagan estabelece uma comparação direta com os dois corredores que hoje representam melhor essa mistura entre estrada e mountain bike.

Sobre Tom Pidcock, sua análise é clara e positiva. “Você pode ver que ele está montando em mountain bike com frequência. Faz também saídas muito boas e está sempre em contato com essa disciplina. Tecnicamente é muito bom. Se ele estiver bem, não tem problemas”.

O enfoque muda quando fala de Mathieu van der Poel, a quem considera prejudicado por sua menor continuidade no MTB nos últimos anos. “Ele deixou o mountain bike por um tempo. Vi algumas de suas corridas e dá para notar que ele vai muito forte na bike. É muito potente nas subidas, mas perde nas zonas técnicas de descida”.

Porque para Sagan a chave está nas descidas e ele insiste que são as descidas que marcam diferenças reais entre especialistas em XCO e corredores que vêm da estrada.

“Se você sobe muito forte, precisa recuperar na descida”, explica. “Mas se você não é bom tecnicamente, não pode relaxar”.

Aí é onde, segundo ele, se abre a brecha entre perfis como Pidcock e Van der Poel. “Os especialistas em mountain bike, se são tecnicamente bons, descansam nas descidas. E então estão prontos novamente para outro esforço. Essa é uma diferença enorme”.

Seu reflexo conecta diretamente com o que ele mesmo viveu no Rio 2016, onde a potência lhe permitiu estar à frente durante alguns minutos, mas a técnica e a adaptação marcaram o resultado final.

Em um momento em que cada vez mais corredores combinam disciplinas, a experiência de Sagan serve como referência para entender que o motor não é tudo no mountain bike. A técnica continua sendo um importante filtro.

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