O grupo Haibike, Lapierre e Raleigh entra em recuperação judicial. O que acontecerá com as marcas?
A crise que arrasta a indústria da bicicleta desde o final do boom da pandemia acaba de cobrar uma de suas vítimas mais importantes. Accell Group, proprietário de marcas como Haibike, Lapierre, Ghost, Winora, Raleigh, Batavus, Sparta, Koga, Babboe ou Carqon, iniciou um procedimento de suspensão de pagamentos nos Países Baixos após não encontrar uma solução que garantisse a continuidade do grupo
Accell Group entra em suspensão de pagamentos: o futuro de Haibike, Lapierre, Ghost ou Raleigh fica no ar
A notícia chega apenas algumas semanas depois que parecia praticamente fechada a venda da companhia para o fundo DuTech Group, com sede em Cingapura, uma operação que inclusive já havia recebido a aprovação das autoridades de concorrência da Alemanha, Áustria e Polônia. No entanto, por motivos que ainda não foram explicados publicamente, a aquisição nunca chegou a ser completada.
Se esgotam todas as opções para salvar o grupo
A decisão foi comunicada internamente pelo CEO da Accell, Jonas Nilsson, em uma mensagem dirigida a todos os funcionários. Nele, reconhece que, após analisar todas as alternativas possíveis junto ao conselho de administração, não restava outra opção senão solicitar a suspensão de pagamentos.
Nilsson qualificou a situação como "profundamente triste e frustrante", especialmente após os numerosos esforços realizados durante os últimos anos para estabilizar a empresa por meio de reestruturações, aportes de capital e o apoio de acionistas e entidades financeiras.
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O executivo também assegurou que a prioridade imediata será colaborar com os administradores designados pelo tribunal para tentar preservar as atividades viáveis do grupo e manter o maior número possível de postos de trabalho.
Do grande vencedor da pandemia a uma crise sem precedentes
A queda da Accell reflete o complicado momento que atravessa boa parte da indústria ciclista. Durante os anos posteriores ao COVID-19, a forte demanda por bicicletas, especialmente elétricas, tornou o grupo um dos grandes beneficiados do mercado.
Esse cenário levou o fundo KKR a comprar a Accell em 2022 por cerca de 1.800 milhões de euros, convencido de que o crescimento do setor continuaria durante muitos anos. No entanto, a realidade foi muito diferente.
Quando a demanda voltou a níveis normais, fabricantes e distribuidores se depararam com enormes excedentes de estoque. As fortes campanhas de descontos, a queda das margens e a necessidade de depreciar inventários impactaram fortemente as contas de praticamente toda a indústria.
A estratégia "One Accell" não foi suficiente
Para tentar recuperar a rentabilidade, a Accell lançou o programa One Accell, uma profunda reorganização que centralizou departamentos, reduziu a equipe e concentrou operações dentro do grupo.
Também não foi suficiente. Durante 2025 e início de 2026, a companhia teve que enfrentar várias reestruturações de dívida. Em fevereiro deste ano, os próprios credores tomaram o controle da empresa após substituir a KKR como proprietários.
A venda para a DuTech parecia então a última grande oportunidade para garantir a continuidade do grupo, mas o fracasso dessa operação acabou precipitando a atual situação de insolvência.
O que acontecerá agora com Haibike, Lapierre ou Ghost?
A suspensão de pagamentos nos Países Baixos não implica automaticamente a desaparecimento do Accell Group nem de suas marcas. Este procedimento busca oferecer uma margem para reorganizar a companhia enquanto um administrador judicial estuda as diferentes alternativas.
Entre elas poderiam estar a entrada de novos investidores, a venda de determinadas divisões ou até mesmo a continuidade de algumas marcas de forma independente.
Por enquanto, ainda existem muitas incógnitas sobre o futuro de fabricantes tão relevantes como Haibike, um dos grandes impulsionadores da e-MTB moderna, além de Lapierre, Ghost, Winora ou Raleigh, todas integradas em um dos maiores grupos ciclistas do mundo. Teremos que esperar pelas próximas semanas para saber se alguma dessas marcas encontra uma saída que garanta sua continuidade.