O Giro d’Italia estuda mudar de data para se afastar do Tour de France
O Giro d'Italia poderia mudar sua localização no calendário. Luca Guercilena, novo responsável pelo ciclismo na RCS Sport, organizador do Giro, colocou em discussão a possibilidade de adiar a corrida alguns dias. Entre seus argumentos estão o mau tempo que costuma afetar as etapas de montanha em maio, a proximidade com as clássicas e a necessidade de que o Giro deixe de ser organizado pensando tanto no Tour de France.
Luca Guercilena quer adiar o Giro d'Italia
Guercilena começou em 1º de setembro sua nova fase na RCS Sport após 16 anos na estrutura que atualmente compete como Lidl-Trek. Em uma entrevista com Corriere della Sera, ele explicou algumas das mudanças que gostaria de estudar para as principais corridas da companhia.
Uma delas afeta diretamente as datas do Giro. A corrida é disputada tradicionalmente durante o mês de maio e Guercilena acredita que deslocá-la ligeiramente para junho poderia ter várias vantagens.
"Tentaria adiá um pouco, incluindo o dia 2 de junho", explica o italiano.
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No dia 2 de junho, celebra-se na Itália a Festa della Repubblica e, com essa mudança, poderia ser disputada uma etapa do Giro coincidindo com a festa nacional.
Há outra razão muito mais relacionada à corrida. Levar o Giro para datas um pouco mais tardias poderia reduzir o risco de encontrar neve e condições meteorológicas adversas nos grandes picos de montanha. O mau tempo já obrigou em inúmeras ocasiões a modificar etapas do Giro.
Também haveria um pouco mais de margem entre o final das clássicas de primavera e o início da primeira grande volta da temporada. Por enquanto, não há uma proposta concreta sobre a mesa nem novas datas definidas. Guercilena fala de uma possibilidade que considera interessante estudar.
"Devemos nos libertar da subordinação ao Tour"
Além do calendário, o novo responsável pelo ciclismo da RCS tem claro que o Giro deve tomar suas próprias decisões sem estar tão condicionado pelo Tour de France.
"Somos um grande evento que deve se libertar da subordinação ao Tour", afirma Guercilena em Corriere della Sera.
O calendário atual faz com que disputar Giro e Tour com aspirações à geral continue sendo um desafio complicado. Mas Guercilena também não quer que a RCS desenhe sua corrida pensando unicamente em facilitar esse duplo. Sua proposta é fazer um Giro que seja atraente por si só.
"Não devemos perseguir os grandes nomes, mas oferecer uma corrida que os atraia", explica.
Guercilena conhece bem como se planeja uma temporada de dentro de uma equipe WorldTour. Antes de se juntar à RCS, dirigiu durante anos a estrutura Trek e essa experiência lhe permitiu ver quais fatores levam equipes e corredores a escolher umas corridas em detrimento de outras.
Um Giro com opções para diferentes tipos de corredores
O percurso será outra das questões a revisar. Guercilena defende que o Giro mantenha um equilíbrio entre montanha, contrarrelógio e oportunidades para os velocistas.

A intenção é evitar percursos que, desde sua apresentação, reduzam demais o número de corredores capazes de almejar a vitória final.
O sterrato continuará tendo espaço. A RCS o utilizou com frequência nos últimos anos e Guercilena é a favor de mantê-lo sempre que as condições sejam seguras e sua inclusão não termine sendo excessivamente seletiva para determinados corredores.