Louis Kitzki deixa o ciclismo aos 21 anos depois de vivenciar de perto duas tragédias em corridas
A carreira profissional de Louis Kitzki, uma das jovens promessas do ciclismo alemão, chega ao fim de forma prematura. O corredor de Winsen, vencedor da Zwift Academy 2023 e membro da equipe de desenvolvimento Alpecin-Deceuninck, anunciou sua aposentadoria aos 21 anos, citando a perda de confiança e o crescente medo por sua segurança após vivenciar de perto duas tragédias no pelotão.
Louis Kitzki, adeus ao ciclismo aos 21 anos: "Nunca mais fui o mesmo depois do Tour da Áustria"
Kitzki estreou no profissionalismo em 2024 com a etiqueta de talento a ser seguido. No entanto, sua trajetória foi marcada pelo impacto emocional da morte de André Drege no Tour da Áustria 2024, corrida na qual ele mesmo participava. "Depois daquela edição, tive sérias dúvidas sobre continuar competindo. Tentei seguir, mas nunca mais fui o corredor que era antes", reconheceu.
O golpe definitivo veio em julho de 2025, durante o Giro Ciclistico della Valle d'Aosta, quando faleceu o italiano Samuele Privitera. "Após essa corrida, decidi encerrar minha trajetória. Estava cada vez mais preocupado com minha segurança e me sentia desconfortável na competição. O caos das provas me bloqueava mentalmente e me impedia de render como nos treinamentos", explicou em um comunicado em suas redes sociais.

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Os anos não perdoam, mas também não obrigam a deixar de dar o melhor de si
O alemão admitiu que havia perdido completamente o prazer de correr e que, embora gostasse do processo de treinar e melhorar, as corridas haviam se tornado "um efeito colateral irritante" para poder continuar vivendo do ciclismo. "Se a cabeça não está, o corpo não funciona. O Giro do Valle d'Aosta confirmou que a decisão de parar era a correta, e meu bem-estar desde que parei me reafirmou", acrescentou.
Kitzki agradeceu o apoio recebido da Alpecin-Deceuninck e da Zwift, bem como o trabalho de seu treinador Philipp Walsleben, e afirmou que espera continuar pedalando ocasionalmente. Seu caso se soma ao de outros jovens que nos últimos anos penduraram a bicicleta antes dos 23, como Ella Simpson, Gabriele Casalini ou Leo Hayter, o que reabre o debate sobre a segurança em corrida, as exigências e a pressão mental que as novas gerações do pelotão enfrentam.