“É o momento certo para virar a página”: David de la Cruz anuncia sua aposentadoria ao vivo
David de la Cruz anunciou que encerrará sua carreira como ciclista profissional ao final desta temporada. Aos 37 anos e após 17 temporadas no pelotão, o corredor espanhol da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team escolheu precisamente La Vuelta, a corrida em que viveu alguns de seus melhores momentos, para confirmar uma decisão que vinha sendo comentada há semanas.
David de la Cruz anuncia ao vivo durante La Vuelta que se retira
Embora sua equipe tenha divulgado um comunicado revisando sua trajetória, David de la Cruz quis ser ele mesmo quem anunciasse sua retirada na Espanha. E ele fez isso ao vivo na RTVE logo após terminar a contrarrelógio de La Vuelta.
O ciclista entrou no set de transmissão junto a Carlos de Andrés e Pedro Delgado e confirmou ali que esta será sua última temporada como profissional. Dessa forma, pôs fim a várias semanas de rumores sobre seu futuro e confirmou que sua 12ª participação em La Vuelta será também a última.

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De la Cruz enfrenta atualmente sua 20ª Grande Volta, uma cifra que resume boa parte da longevidade de uma carreira profissional que começou há 17 temporadas e na qual passou por Caja Rural, Team NetApp-Endura, Etixx-Quick Step, Team Sky, UAE Team Emirates, Astana Qazaqstan e, finalmente, Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team.
"Estou orgulhoso de ter conseguido continuar rendendo", explica De la Cruz no comunicado divulgado por sua equipe. O espanhol destaca que mesmo em suas duas últimas temporadas conseguiu se manter competitivo, com um top 10 no Tirreno-Adriático, um top 15 no Giro deste ano e vários pódios na temporada passada.
"Acho que fiz as coisas da maneira certa e continuei rendendo até minha última temporada. Mas também sinto que este é o momento adequado para virar a página, parar enquanto as coisas continuam indo bem e deixar espaço para as novas gerações", assegura.
La Vuelta, a corrida que marcou sua trajetória
Se há uma corrida especialmente vinculada a David de la Cruz é La Vuelta. Seu grande momento chegou em 2016, quando ganhou a nona etapa com final no Alto do Naranco e vestiu a camisa vermelha de líder. Aquela edição ele terminou na sétima posição da classificação geral, um resultado que posteriormente repetiria em 2020 e 2021.
Fora da Espanha, ele também conseguiu duas vitórias de etapa em Paris-Nice e fez parte do UAE Team Emirates que acompanhou Tadej Pogačar em sua primeira vitória no Tour de France de 2020. Uma edição especialmente dura para De la Cruz, já que sofreu uma pequena fratura após a grande queda da jornada inaugural em Nice, mas conseguiu continuar e terminar a corrida.
Entre seus últimos grandes resultados também aparece o Campeonato da Espanha de contrarrelógio de 2024, que lhe permitiu vestir durante uma temporada a camisa de campeão nacional da especialidade.
De la Cruz reconhece que é difícil escolher uma única lembrança após tantos anos, embora aponte como especialmente importantes tanto aquela Vuelta de 2016 quanto o Tour de 2020 ganho por Pogačar.
"Gostaria de estar no meu melhor momento com a experiência que tenho agora"
O ciclista espanhol também refletiu sobre quanto mudou desde que disputou sua primeira Vuelta em 2013. Para ele, uma das grandes diferenças está na capacidade de interpretar as corridas e gerenciar os momentos difíceis.

"Quando você já não é tão jovem, não tem o mesmo nível, mas de alguma forma pode compensar essa falta de potência com experiência. Você lê melhor a corrida. Você se entende melhor", explica.
Ele até admite que gostaria de ter tido esse conhecimento durante seus melhores anos fisicamente: "Eu adoraria estar no meu melhor momento com a experiência que tenho agora. Então eu poderia realmente ter alcançado todo o meu potencial".
Uma experiência que também lhe serviu para relativizar o que acontece dentro e fora da competição. "Você aprende que os bons momentos não são tão bons e os ruins não são tão ruins", resume.
Uma última fuga antes de se despedir de La Vuelta
A David de la Cruz restam alguns últimos dias de competição em La Vuelta e ele já adiantou o que gostaria de fazer antes de se despedir definitivamente da corrida. Durante sua intervenção na RTVE, explicou que tentará se meter na fuga da etapa 19, buscando ser protagonista e ficar com uma boa última lembrança de sua última Vuelta como profissional.
Depois chegará o momento de mudar completamente de ritmo. Questionado por Carlos de Andrés e Pedro Delgado sobre o que tem em mente fazer uma vez que termine sua carreira, De la Cruz revelou um dos projetos que tem em mente: realizar uma viagem de bikepacking em solitário pelo Vietnã.
Será uma forma muito diferente de continuar vinculado à bicicleta após uma trajetória marcada por 17 temporadas como profissional, 20 Grandes Voltas e 12 participações em La Vuelta.