Avinox responde às críticas e defende os motores potentes para eMTB: “Mais potência não significa mais velocidade”
A escalada de potência nos motores para eBike continua gerando debate dentro da indústria e agora foi a Avinox quem decidiu se posicionar publicamente. A marca publicou um extenso comunicado no qual defende que o aumento de potência nas eMTB não deve ser interpretado como uma ameaça à segurança ou aos trilhos, mas sim como uma ferramenta para tornar o mountain bike mais acessível, controlável e capaz.
Avinox insiste que potência não equivale a velocidade
A mensagem chega em um momento especialmente sensível para o setor. A UCI já introduziu uma normativa que limita a potência máxima mecânica em competição a 750 W na roda traseira e fabricantes como a DJI tiveram que adaptar seus sistemas Avinox para homologá-los sob o regulamento com a versão específica Avinox M2S RACE750. Enquanto isso, no mercado continuam surgindo motores cada vez mais potentes, capazes de superar amplamente os 100 Nm e os 1.000 W em modos pontuais.
O núcleo do discurso da Avinox gira em torno de uma ideia clara. A marca considera que existe uma confusão generalizada entre potência e velocidade. Segundo explica, o aumento de potência não busca que as bicicletas alcancem maiores velocidades máximas, algo que continua limitado pela normativa, mas sim oferecer mais capacidade em situações técnicas e a baixa velocidade.

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A companhia coloca como exemplo as subidas muito íngremes, os passos de rocha ou as manobras técnicas onde uma maior entrega de torque pode ajudar o ciclista a manter o equilíbrio, evitar colocar o pé no chão e superar obstáculos com mais segurança.
A Avinox defende ainda que um sistema com mais assistência pode até reduzir riscos em determinadas situações ao minimizar perdas de tração ou bloqueios em plena subida técnica.
Outro dos argumentos principais do fabricante é que a chave não está apenas em oferecer números elevados de potência, mas em como essa assistência é entregue. A Avinox assegura que seus algoritmos gerenciam a potência de maneira progressiva e previsível para manter o controle da bicicleta.
A marca também sublinha que seus sistemas permitem personalizar modos de assistência e limites de entrega de acordo com o terreno ou as preferências do usuário. O objetivo, segundo explicam, é adaptar a resposta do motor a situações muito distintas, desde trilhos XC rápidos até subidas técnicas ou bicicletas de carga.
“Democratizar o mountain bike”
Um dos aspectos mais chamativos do comunicado é o enfoque social que a Avinox tenta dar à alta potência. A companhia sustenta que limitar de forma rígida a assistência pode prejudicar precisamente os usuários que mais se beneficiam dela.

A marca menciona especificamente ciclistas com menos condição física, riders de maior peso, pessoas com deficiência ou usuários que transportam carga. Segundo a Avinox, para muitos deles uma assistência elevada não é um luxo, mas sim um elemento chave para poder acessar ao mountain bike em igualdade de condições.
Nessa linha, o fabricante afirma que uma maior assistência permite enfrentar subidas mais duras, percorrer distâncias mais longas e ganhar confiança com mais rapidez.
Proteção do sistema e redução do desgaste
A Avinox também tenta responder a outro dos grandes argumentos contra os motores mais potentes: o desgaste prematuro de transmissões e componentes.
A companhia assegura que seus sistemas monitoram constantemente as condições de uso e ajustam a entrega de torque para proteger a bicicleta. Entre os exemplos que cita está a redução automática de potência durante as trocas de marcha para diminuir o estresse sobre a corrente, cassete e desviador.
Além disso, a marca explica que o desenvolvimento do motor não é feito de forma isolada, mas otimizando o conjunto completo da bicicleta, incluindo freios, rodas, pneus, quadro, bateria e software.
Uma mensagem direta para a indústria
Talvez o ponto mais contundente do comunicado chegue quando a Avinox responde a quem considera que a escalada de potência pode colocar em perigo o futuro do setor ou provocar regulações mais restritivas.
A companhia assegura que a inovação não deveria ser freada por limites “arbitrários” e defende que o progresso deve ser medido por segurança, desempenho e acessibilidade, não pelo medo de que mais potência seja necessariamente algo negativo.
O posicionamento da Avinox deixa claro para onde quer evoluir uma parte da indústria eMTB. Mais potência, sim, mas acompanhada de controle eletrônico avançado, integração total do sistema e adaptação a diferentes perfis de usuário. Um debate que provavelmente continuará crescendo à medida que as eBikes se tornem ainda mais capazes.