A UCI toma medidas de emergência nos abastecimentos do Tour diante das temperaturas extremas
As temperaturas extremas que estão acompanhando o Tour de France 2026 obrigaram a tomar medidas. A UCI, de acordo com o presidente do Colégio de Comissários e ASO, decidiu flexibilizar temporariamente as normas de abastecimento para facilitar o acesso dos ciclistas a mais água durante as próximas etapas.
O Tour muda suas regras diante do calor extremo para facilitar a hidratação dos ciclistas
A principal novidade afeta as zonas que inicialmente estavam reservadas exclusivamente à entrega de garrafinhas. A partir de agora, e enquanto essa medida excepcional for mantida, os auxiliares das equipes também poderão entregar sacolas de abastecimento ou musettes nesses pontos situados dentro de montanhas catalogadas.
A mudança pode parecer menor, mas permitirá que cada ciclista pegue várias garrafinhas de uma só vez e possa distribuí-las posteriormente entre seus companheiros. O objetivo, segundo explicou a UCI, é garantir uma hidratação ótima diante das condições meteorológicas previstas.
O calor coloca o pelotão no limite
A decisão chega após uma terceira etapa do Tour especialmente exigente. O pelotão teve que competir com temperaturas superiores a 30 °C a caminho de Les Angles, em um dia também condicionado pelos importantes incêndios registrados na área.
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O calor se tornou um dos grandes protagonistas da etapa. Após cruzar a linha de chegada, Tom Pidcock explicou à Cyclism’Actu até que ponto conseguir água se tornou uma prioridade dentro do pelotão.
“Era como uma zona de guerra, todo mundo tentando conseguir garrafinhas. Acho que hoje usamos cerca de 10.000 garrafinhas no pelotão”, assegurou o britânico.
A situação não parece que vá melhorar imediatamente. A quarta etapa está sendo disputada com temperaturas próximas a 37 °C.
Por enquanto, não foram anunciadas outras modificações específicas para a corrida, embora a organização do Tour tenha recomendado aos espectadores que busquem sombra sempre que possível, usem boné ou chapéu e bebam água regularmente, mesmo antes de sentir sede.
Os ciclistas pedem medidas mais profundas
A flexibilização das normas de abastecimento chega em um momento em que alguns corredores estão reclamando de soluções mais amplas diante das temperaturas extremas.
Matteo Trentin foi um dos mais críticos. O ciclista da Tudor Pro Cycling considera que o problema não se limita apenas a competir durante várias horas sob temperaturas muito elevadas, mas também às dificuldades que os corredores encontram para se recuperar após cada etapa.
“Sempre fez calor, mas essas últimas ondas de calor são muito diferentes. Já não refresca à noite. A mudança climática está aqui. Não vai chegar no ano que vem. É agora”, explicou Trentin à WielerFlits.
O italiano considera que o ciclismo profissional terá que repensar alguns aspectos da organização das corridas se essas situações se tornarem cada vez mais frequentes.
“Agora mesmo é muito difícil mudar um plano que foi preparado por meses. Mas para o futuro, temos que nos sentar à mesa e começar a pensar sobre isso. Talvez sair ao meio-dia sob o sol não seja uma ideia inteligente”, acrescentou.
Questionado diretamente se considerava responsável competir nessas condições, Trentin foi ainda mais contundente: “Não, não é. Se eu fosse uma pessoa normal, não sairia a essa hora do dia”.
Uma medida temporária que estará sob avaliação
A UCI esclareceu que a modificação das normas de abastecimento é introduzida inicialmente como um teste. Sua continuidade dependerá da evolução das condições meteorológicas, de sua efetividade para melhorar a hidratação dos corredores e das possíveis consequências que possa ter sobre o desenvolvimento da corrida.
Por enquanto, o Tour de France responde às temperaturas extremas facilitando que as equipes possam entregar mais água aos seus corredores. Uma primeira medida de emergência enquanto dentro do pelotão aumenta o debate sobre se o ciclismo profissional precisa de soluções mais profundas para competir durante as ondas de calor.