A UCI começará a limitar os desenvolvimentos em corrida e pode ser um quebra-cabeça para marcas e equipes
Medidas continuam sendo anunciadas em prol da segurança nas corridas pela UCI. Se há alguns dias foi aprovada a limitação da largura mínima do guidão ou o perfil máximo da roda que pode ser usado em corridas, agora surge o projeto piloto que será realizado em algumas corridas para limitar o desenvolvimento máximo que os ciclistas podem utilizar nas provas de estrada.

A limitação de desenvolvimento proposta pela UCI tem implicações inesperadas
Se a limitação anunciada há alguns dias das larguras mínimas do guidão gerou a ira dos biomecânicos que apontaram que foi feita de forma arbitrária sem considerar ciclistas pequenos, mulheres e jovens, a proposta piloto que a UCI realizará para limitar os desenvolvimentos máximos das bicicletas representa uma dor de cabeça para as equipes que montam grupos SRAM, bem como para a escolha de pneus.
Há alguns meses, já se começou a falar da possibilidade de a UCI limitar os desenvolvimentos das bicicletas a pedido da SafeR, organismo criado para melhorar a segurança nas corridas. Uma proposta à qual alguns ciclistas como Wout van Aert ou Chris Froome defendiam a redução da velocidade nas corridas para diminuir as situações perigosas.
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Agora a UCI tentará limitar o desenvolvimento das bicicletas em algumas corridas, fixando um desenvolvimento máximo de 10,46 metros por pedalada, o que equivale a um 54x11, relação habitual nos grupos Shimano Dura-Ace que a maioria das equipes de estrada utilizam. No entanto, aqueles que usam SRAM também empregam o mesmo prato, com a diferença de que os grupos SRAM possuem cassetes que começam com uma engrenagem de 10 dentes, proporcionando um desenvolvimento brutal de 11,50 metros por pedalada.
A solução para essas equipes seria montar um prato menor, mas os ciclistas são relutantes em fazê-lo, como quando foi lançado o SRAM Red AXS de 12v, para o qual estava previsto que os profissionais usassem um prato de 50 dentes que, em combinação com a engrenagem de 10 dentes, resulta em um desenvolvimento um pouco mais longo que o 54x11. No entanto, como mencionado, essa relação recebeu reclamações dos ciclistas devido ao grande salto entre 50x11 e 50x10, por um lado, e a menor eficiência mecânica que resulta do uso de um prato de menor tamanho, por outro.

Outra opção para as equipes que usam SRAM seria limitar o uso da engrenagem de 10 dentes, o que as deixaria com um grupo de 11v, ou seja, um passo atrás e, é claro, desde que a UCI aceite essa medida, que exigiria a verificação técnica dos comissários antes de cada prova.
Além disso, essa limitação estabelecida apenas com base em uma medida de metros por pedalada tem outras implicações. Como vocês sabem, o desenvolvimento, ou seja, os metros que se avançam em cada volta completa dos pedais, é calculado dividindo os dentes do prato pelos do pinhão para obter a relação de transmissão. Um número que é multiplicado pela circunferência da roda para obter o desenvolvimento.

Bem, esses 10,46 metros por pedalada que a UCI pretende fixar como máximo são obtidos com o 54x11 e um pneu de 700x28c, o padrão atual no ciclismo de estrada. No entanto, alguns ciclistas já estavam começando a usar pneus de 30 mm no dia a dia, o que aumenta o desenvolvimento para a mesma relação de marcha ao aumentar o diâmetro efetivo da roda, o que também violaria a limitação de desenvolvimento. Não estamos falando dos pneus de 33 ou 35 que foram vistos nas clássicas de paralelepípedos, que seriam ainda mais ilegais se a limitação proposta pela UCI prosperasse.
A sensação que fica de fora é que a UCI, mais uma vez, está legislando, embora neste caso seja apenas um projeto piloto, sem considerar todas as implicações. Também é curioso que agora se busque limitar o desenvolvimento máximo que os profissionais podem usar, quando há pouco tempo foi eliminada a tradicional e ilógica limitação das bicicletas na categoria cadetes, que obrigava os ciclistas a manter cadências verdadeiramente ridículas e não reduzia a velocidade de suas corridas.