A desqualificação de Azzaro parece excessiva e reabre o debate que já marcou os JJ.OO de Paris 2024
A desclassificação de Mathis Azzaro (Origine Racing Division) após a Copa do Mundo XCO de Leogang gerou surpresa em boa parte do paddock internacional. O francês perdeu a segunda posição conquistada na linha de chegada depois que os comissários consideraram que ele havia utilizado de forma incorreta a zona de abastecimento, uma situação que nos lembrou imediatamente de um caso muito similar ocorrido nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
A decisão é especialmente chamativa porque, na época, a UCI optou por uma sanção muito mais leve, apesar de a ação ter tido uma influência direta na luta pelas medalhas olímpicas.
O que Azzaro fez em Leogang?
Após a corrida, o próprio Azzaro explicou que havia entrado pela linha incorreta na zona de abastecimento. As imagens mostram o francês atravessando a pista destinada a assistência técnica e abastecimento sem pegar comida, bebida ou receber ajuda mecânica antes de retornar ao percurso.
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O regulamento estabelece que os corredores não podem utilizar a pista técnica para obter vantagem esportiva e prevê até mesmo a desclassificação quando não há uma razão válida para entrar nessa zona. Mas, como pode ser visto no vídeo, Azzaro não obtém nenhuma vantagem porque estava em primeiro e sai na mesma posição.
Após a corrida, os comissários anunciaram a desclassificação do francês, modificando completamente o pódio de Leogang. Luca Martin subiu para a segunda posição e Bjorn Riley herdou o terceiro lugar.
Um precedente olímpico muito similar
A polêmica lembra inevitavelmente o que aconteceu nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 durante a corrida feminina de XCO.
Nessa ocasião, Haley Batten atravessou a zona de abastecimento sem parar para pegar comida, bebida ou assistência mecânica e aproveitou esse movimento para lançar um ataque sobre Jenny Rissveds na última volta da corrida.
A manobra teve uma enorme transcendência esportiva. Naquele momento, Batten e Rissveds estavam lutando diretamente pelas medalhas de prata e bronze olímpicas, portanto, a ação influenciou diretamente o desfecho da prova.
Apesar disso, a americana manteve a medalha de prata.
A situação gerou debate imediatamente após a corrida olímpica. Desde os Países Baixos, chegou-se a considerar a possibilidade de apresentar uma protesto formal, embora finalmente não tenha sido feito.
Jenny Rissveds, a corredora diretamente prejudicada pelo movimento de Batten, minimizou a importância do incidente e aceitou o resultado final sem reclamar nenhuma sanção adicional.
Por sua vez, a delegação americana também minimizou o que aconteceu durante a coletiva de imprensa após a corrida.
Finalmente, os comissários consideraram que havia uma infração, mas a sanção aplicada foi apenas uma multa de 500 francos suíços por utilizar a zona de abastecimento sem pegar nada ou receber assistência técnica.
Dois casos parecidos, duas sanções muito diferentes
A comparação entre ambos os episódios é inevitável.
Em Paris 2024, uma ação similar ocorreu durante a disputa de uma medalha olímpica e terminou com uma sanção econômica de 500 francos suíços. Em Leogang 2026, a interpretação regulamentar resultou em uma desclassificação que alterou o pódio de uma Copa do Mundo.
A diferença de critério é precisamente o que está gerando debate entre corredores, equipes e fãs.
Além da letra do regulamento, muitos observadores consideram que tanto Batten em Paris quanto Azzaro em Leogang cometeram um erro derivado da própria dinâmica de corrida e não uma manobra deliberada para obter uma vantagem antirregulamentar.
O que parece certo é que a sanção aplicada ao francês continuará gerando discussão nos próximos dias e voltará a colocar o foco sobre como deve ser interpretado o uso das zonas de abastecimento nas provas de cross-country de alto nível.