“Você não pode comprar alguém, nem mesmo por 13 milhões de euros”: Visma e Decathlon jogam suas cartas por Seixas
O futuro de Paul Seixas está se tornando uma das grandes batalhas do mercado ciclista. UAE, Visma e Pinarello e outros dos times mais poderosos do WorldTour já demonstraram interesse pelo jovem francês, enquanto a Decathlon CMA CGM trabalha para construir um projeto esportivo suficientemente forte e atraente para convencê-lo a continuar na estrutura além de seu contrato atual.
Visma tenta convencer Paul Seixas enquanto a Decathlon prepara seu projeto para retê-lo
Segundo publicou o meio neerlandês WielerFlits, Visma Lease a Bike está em conversas com Seixas desde o verão passado. Richard Plugge teria feito um primeiro contato durante uma concentração em Tignes e, desde então, a equipe manteve contato com o corredor e seu representante, Joona Laukka.
A proposta da Visma teria um argumento principalmente esportivo. A equipe neerlandesa não estaria disposta a entrar na enorme disputa econômica que se gerou em torno de Seixas, e tentaria convencê-lo oferecendo um plano para se tornar seu futuro líder de grandes voltas.
A ideia seria que o francês pudesse crescer durante seus primeiros anos ao lado de Jonas Vingegaard e aproveitar a experiência do bicampeão do Tour. Um caminho semelhante ao que percorreu o próprio Vingegaard quando começou a ganhar protagonismo na equipe à sombra de Primoz Roglič até se tornar um dos grandes referências das voltas de três semanas.
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Mas a Decathlon CMA CGM não parece disposta a deixar escapar facilmente o maior talento do ciclismo francês.
Dominique Serieys, responsável pela equipe, confirmou a Daniel Benson durante o Tour de France que as negociações para ampliar o contrato de Seixas foram adiadas para os meses de agosto e setembro. A decisão permitiria ao corredor se concentrar completamente em seu primeiro Tour antes de enfrentar conversas que podem marcar seu futuro esportivo.
Seixas tem atualmente contrato até o final de 2027, mas os movimentos em torno do francês se aceleraram nos últimos meses. O próprio Serieys deixou clara a dificuldade de resolver uma operação dessas dimensões apenas com dinheiro: “Você não pode comprar alguém, nem mesmo por 13 milhões de euros.”
A referência a esse valor chega após as informações que situam a Q36.5, equipe patrocinada pela Pinarello, por trás de uma oferta próxima a 13 milhões de euros anuais. Um contrato que, se concretizado nessas condições, tornaria Seixas o ciclista mais bem pago da história.
A Decathlon, no entanto, parece estar trabalhando em outra direção. Além de melhorar as condições econômicas do francês, a equipe precisa construir ao seu redor um projeto capaz de competir com as propostas esportivas de estruturas como Visma ou UAE.
Nesse contexto, também devem ser entendidos os movimentos que a equipe prepara para a próxima temporada. Serieys confirmou as saídas de Felix Gall e Gregor Mühlberger, embora não tenha querido anunciar o retorno de Ben O’Connor.

O australiano, no entanto, está vinculado à Decathlon há meses e os rumores do mercado praticamente confirmam sua contratação para a próxima temporada. Sua chegada representaria um importante reforço para uma estrutura que parece decidida a elevar consideravelmente seu nível esportivo e rodear Seixas de uma equipe capaz de lutar pelas corridas mais importantes do calendário.
A batalha pelo francês vai muito além de uma renovação de contrato. UAE Team Emirates-XRG já reconheceu publicamente seu interesse em reunir na mesma equipe Seixas e Tadej Pogačar, enquanto a Visma tenta convencê-lo com a possibilidade de crescer ao lado de Vingegaard e se tornar seu futuro líder para as grandes voltas.
A isso se soma o desejo da França de manter seu maior talento dentro de um projeto nacional. Até mesmo Emmanuel Macron se pronunciou sobre o futuro do corredor e expressou sua intenção de que Seixas permaneça em uma equipe francesa.
Netcompany INEOS e Red Bull-BORA-hansgrohe também teriam mostrado interesse por sua situação, portanto, tudo indica que o futuro de Seixas protagonizará uma das negociações mais intensas dos últimos anos.
Por enquanto, todas as partes terão que esperar. Seixas está focado no Tour de France e a Decathlon decidiu adiar as conversas até depois da corrida. Será então que a equipe francesa terá que demonstrar que pode oferecer algo mais do que dinheiro: um projeto suficientemente forte para competir com Visma, UAE e o restante dos gigantes que já se movem para tentar contratar o ciclista chamado a liderar o futuro do ciclismo francês.