Vingegaard pulveriza o recorde do Blockhaus com um ataque a 450 watts de média
Jonas Vingegaard já havia avisado que o Blockhaus seria o primeiro grande exame do Giro da Itália 2026. E não só passou. O dinamarquês fez uma exibição na montanha italiana que serviu para lançar uma mensagem direta a todos os seus rivais e, além disso, para reescrever a história recente de um dos picos mais míticos do ciclismo moderno. O líder da Visma Lease a Bike destruiu o recorde da subida com um tempo de 38:26 e reduziu em quase um minuto e meio a referência que Nairo Quintana mantinha desde 2017.
Vingegaard transforma o Blockhaus em uma exibição de potência e recorde
A sétima etapa era uma armadilha perfeita para medir o verdadeiro estado de forma dos favoritos. Com 244 quilômetros, vento durante grande parte do percurso e o primeiro grande final em alta desta edição, o dia tinha todos os ingredientes para provocar diferenças importantes. E Vingegaard respondeu como costumam fazer os grandes candidatos a ganhar uma grande volta: atacando quando a estrada mais dói e deixando todos sem resposta.
O movimento decisivo chegou a 5,5 quilômetros da meta. Depois do trabalho de desgaste de Sepp Kuss e Davide Piganzoli, Vingegaard arrancou nas duríssimas rampas do Blockhaus e ninguém pôde segui-lo. O ataque do dinamarquês, até conseguir descolar todos, durou 3 minutos e 6 segundos, com uma velocidade média próxima a 20 km/h apesar de uma inclinação média de 10,5 %, manteve 450 watts médios e picos de até 670 watts.
Mas além da vitória de etapa e das sensações, o dado que mais impacto deixou foi o cronômetro da subida completa. Até agora, a referência moderna do Blockhaus seguia sendo a de Nairo Quintana no Giro de 2017, quando o colombiano coroou em 39:54 a caminho de uma das atuações mais lembradas de sua carreira. Vingegaard pulverizou esse registro com um 38:26 que passa a ser o novo tempo de referência da ascensão.
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Isso sim, o contexto também ajuda a entender o alcance real do dado. A etapa de 2017 ganha por Quintana tinha quase 100 quilômetros a menos que esta jornada do Giro 2026. O desgaste acumulado após mais de 240 quilômetros torna ainda mais impressionante o desempenho do dinamarquês na subida final.
E não foi apenas Vingegaard quem rodou a um ritmo histórico. Felix Gall também conseguiu baixar do tempo de Quintana e terminou apenas 13 segundos atrás do líder da Visma. Jai Hindley, Giulio Pellizzari e Ben O’Connor também acabaram abaixo do antigo recorde, um sinal claro do altíssimo nível ao qual se subiu o Blockhaus nesta edição.
O pico onde Eddy Merckx inaugurou sua lenda em 1967 voltou a se tornar cenário de uma atuação dominante. Desta vez o protagonista foi Vingegaard, que não só ganhou a etapa, mas deixou a sensação de ter tomado o controle psicológico do Giro da Itália no primeiro grande pico da corrida.