Treinamento com restrição do fluxo sanguíneo: promessas, evidências e dúvidas da nova tendência
Desde a temporada 2025, Soudal-QuickStep e Tudor colaboram com a marca Hytro, que comercializa roupas voltadas para a utilização da técnica de Restrição do Fluxo Sanguíneo, com a qual se busca alcançar maiores benefícios com menores intensidades de treinamento e, ao mesmo tempo, otimizar a recuperação após o esforço.

Restrição do Fluxo Sanguíneo, a técnica da moda para melhorar o desempenho do ciclista
Com princípios semelhantes aos das roupas de compressão, a Hytro trouxe para o esporte a técnica de Restrição do Fluxo Sanguíneo, que já era aplicada no ambiente médico para a recuperação de diversas lesões.
A técnica de Restrição do Fluxo Sanguíneo é simples, basicamente consiste em utilizar roupas específicas com correias que podem ser apertadas em torno das extremidades, no caso do ciclista, ao redor da coxa, para reduzir o fluxo sanguíneo que circula por elas e que favoreceria a recuperação por meio de mecanismos semelhantes aos da vasoconstrição que ocorre quando colocamos as pernas em água fria ou gelo ou quando se utilizam roupas de pressoterapia.
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No entanto, os benefícios da Restrição do Fluxo Sanguíneo podem ir além da recuperação e da colaboração de equipes como Soudal-QuickStep e Tudor com a Hytro. A empresa que apostou em levar essa técnica para o mundo do esporte busca quantificar as melhorias que podem ser alcançadas ao incorporar esse método nas sessões de treinamento.
A ideia em que se trabalha é realizar treinamentos de menor intensidade, mas que o impacto seja o mesmo que se tivesse sido ao máximo, graças ao fato de que a Restrição do Fluxo Sanguíneo evitaria o retorno venoso das substâncias de resíduos geradas pelos músculos, como o lactato, e o aporte de oxigênio, de forma que, sem o desgaste que os exercícios de alta intensidade produzem no ciclista, se consigam os mesmos efeitos e adaptações a nível metabólico.

A Hytro quantifica as melhorias proporcionadas pela Restrição do Fluxo Sanguíneo em uma redução da dor muscular de 47%, da dor articular em 38% e da fadiga em 39%. No entanto, apesar de alguns estudos terem tentado certificar cientificamente os benefícios desse método, os resultados não foram conclusivos, embora os pesquisadores expliquem que seria necessário aprofundar os protocolos para aplicar a Restrição do Fluxo Sanguíneo, assim como contar com mais estudos a respeito.
Por outro lado, outras pesquisas apontam para a melhoria no VO2max quando essa técnica é utilizada durante o treinamento em intervalos curtos, como sprints de 30 segundos, de forma que se faz o sprint e, ao final, as correias são apertadas para aplicar a Restrição do Fluxo Sanguíneo durante a recuperação, o que aumentaria o efeito do sprint ao não permitir a recuperação completa.

Aparte, a Restrição do Fluxo Sanguíneo também permite fornecer outro tipo de estímulos que evitariam o estancamento em ciclistas profissionais que, após anos treinando da mesma maneira, já não conseguem uma melhoria. Em qualquer caso, trata-se de uma técnica cuja aplicação no esporte é nova e, precisamente, a colaboração com as equipes profissionais visa investigar e desenvolvê-la para que se possam alcançar melhorias evidentes.