“Sofá e não fazer nada”: as dicas de Pogacar para melhorar sua recuperação
No ciclismo moderno, a recuperação se tornou quase uma disciplina paralela ao treinamento. Os corredores de elite combinam sessões de pressoterapia, massagens, banhos de gelo, câmaras de hipoxia, suplementação específica, terapia com luzes vermelhas e todo tipo de protocolos projetados para acelerar a regeneração física. No entanto, às vésperas do Tour de France 2026, Tadej Pogačar defendeu uma ideia muito mais simples: descansar de verdade.
Enquanto todos buscam a recuperação perfeita, Pogačar aposta em algo muito mais simples: parar
O esloveno, grande favorito para conquistar seu quinto Tour, falou sobre esse assunto durante os dias que antecederam a saída da corrida em Barcelona e surpreendeu com uma reflexão que contrasta com a crescente sofisticação da preparação dos atletas de alto nível.

“A melhor recuperação pode ser ficar no sofá e não fazer nada”, assegurou Pogačar durante um encontro com a imprensa antes do início da volta francesa.
RECOMENDADO
Pogacar e Marc Márquez compartem treino antes do Tour de France 2026
Quase um milhão de euros no pulso e as razões de segurança pelas quais não o veremos em Pogacar
La Thuile estreia na Copa do Mundo de XCO/XCC: favoritos, horários e onde acompanhar
O protótipo da Specialized para a prova de contrarrelógio de Evenepoel foi descoberto
Froome confirma o fim de sua carreira: “Já sabia que tinha acabado”
"Não vou correr riscos por nada que não seja a classificação geral": Seixas chega ao Tour com mentalidade de campeão
A evolução do desempenho no ciclismo profissional levou os corredores a acumular cada vez mais estímulos. Não se trata apenas de treinar na bicicleta. Os ciclistas atuais trabalham a força na academia, realizam treinos de calor, passam longas concentrações em altitude, treinam o sistema digestivo para assimilar grandes quantidades de carboidratos durante a competição e monitoram constantemente uma infinidade de parâmetros fisiológicos.
Paradoxalmente, essa busca constante por melhorias também aumentou a carga mental e física dos corredores.
Pogačar considera que o verdadeiro desafio não consiste em adicionar mais ferramentas, mas em saber quando parar. “Dizem que a recuperação é o mais importante, mas cada vez se exige mais dos atletas e isso significa que o tempo para se recuperar é menor. Na verdade, o mais importante é o equilíbrio”, explicou.
“Trata-se de encontrar um equilíbrio entre todas as coisas novas que vão surgindo e saber onde está seu limite”, acrescentou.

Demasiadas soluções para muito pouco tempo
O líder da UAE Team Emirates-XRG reconhece que as possibilidades para tentar melhorar o desempenho são praticamente infinitas. Precisamente por isso, acredita que os corredores devem ser seletivos.
“Há muitas coisas que você pode fazer para melhorar seu desempenho”, apontou.
Segundo explicou em suas declarações antes do Tour, recebe constantemente conselhos e recomendações provenientes de diferentes áreas do desempenho esportivo. “Muita gente se aproxima de mim e todo mundo tem opiniões diferentes. Mas se você tenta fazer tudo, não tem tempo suficiente no dia”, afirmou.
Distante de rejeitar a ciência ou a inovação, Pogačar é um dos corredores que mais se beneficia dos recursos tecnológicos e científicos de sua equipe. A UAE Team Emirates-XRG trabalha com enormes quantidades de dados e utiliza ferramentas avançadas para otimizar o treinamento e detectar possíveis sinais de fadiga ou sobrecarga de treinamento.
No entanto, o campeão do mundo acredita que existe um momento em que continuar incorporando novidades deixa de trazer vantagens reais. “A maior vantagem para qualquer atleta é saber quando é suficiente, parar de explorar coisas novas e ficar com o que funciona melhor para si”.
“É preciso encontrar o equilíbrio entre fazer demais e fazer de menos”, concluiu.

Às vésperas de mais uma tentativa de conquistar o Tour de France, a mensagem de Pogačar é chamativa em uma época obcecada em otimizar cada detalhe. Enquanto muitos buscam a recuperação perfeita através de protocolos complexos, o esloveno lembra que, às vezes, a ferramenta mais eficaz ainda é a mais básica: desconectar, descansar e deixar que o corpo faça seu trabalho.