De "sem bicicletas" a estoques excessivos, o que acontecerá nos próximos meses?

Mountain Bike 19 nov. 2021 00:11 Guilherme

Em 2020 e 2021 vivemos uma expansão no ciclismo sem precedentes que, juntamente com a escassez de produção, criou um desequilíbrio significativo no mercado. As lojas literalmente ficaram sem bicicletas e ainda se espera um final de ano com excesso de demanda e preços altos, mas o que vai acontecer em 2022?

Risco de sobrestoque de bicicletas em 2022

A desaceleração da produção asiática, os atrasos no transporte e a alta demanda por bicicletas fizeram com que em 2020 víssemos os armazéns de fabricantes, distribuidores e lojas ficarem quase totalmente vazios. Mas em 2021 a demanda segue mantendo-se e apesar da retomada do sistema, a oferta não tem conseguido se igualar. Além disso, os custos extras de produção fizeram com que marcas como Specialized, Cannondale ou Orbea tivessem que aumentar o preço em seus catálogos.

Justo antes da campanha de Natal de 2021 encontramos modelos de bicicletas que têm lista de espera de até um ano e preços máximos históricos de mercado. Mas esse panorama não parece durar para sempre, e o presidente da Associação de Marcas e Bicicletas da Espanha (AMBE), Javier López, prevê um futuro próximo muito diferente.

Desde abril de 2021, Javier López, diretor da Merida Bikes SWE, preside um dos maiores protagonistas do setor ciclístico nacional, a AMBE. E em uma entrevista recente ao CMDsport, forneceu algumas reflexões muito interessantes sobre o futuro do mercado a médio prazo.

Em relação ao futuro próximo, as campanhas de Black Friday e de Natal, apontam que “as empresas associadas à AMBE estão bem preparadas para prestar um serviço de acordo com as necessidades desta campanha de Natal” embora reconheça que a carência em alguns modelos é a mesma como nos últimos meses e neste sentido “o desconto não poderá ser uma ferramenta majoritária”.

Mas isso pode ser revertido em questão de meses, quando o gargalo de produção e transporte for quebrado e a demanda se estabilizar. Nesse sentido, Daivd Lopez destaca que o risco de sobrestoque “se falamos no setor global, é muito provável que possa ocorrer, já que cada empresa desconhece o que faz a concorrência”. Ainda assim, frisa que “as empresas espanholas têm um elevado grau de maturidade e capacidade para saber gerir de forma adequada esta situação excepcional e tentaremos minimizar essa possibilidade”.

Se assim for, em 2022 teremos um ano de transição em que o mercado de oferta e demanda finalmente se estabilizará novamente. O que pode traduzir-se em prazos de entrega imediatos ou aceitáveis ??e uma volta dos descontos dos últimos anos.

De qualquer maneira a tendência de crescimento continuará nos próximos anos, mas agora de forma progressiva: "Sem dúvida, a bicicleta elétrica e a bicicleta urbana continuarão sendo as de maior crescimento. Por outro lado, as bicicletas de montanha e de estrada mantêm uma progressão mais do que significativa."

 

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