Por que Van der Poel não correrá a Strade Bianche? Seu diretor explica
A ausência de Mathieu van der Poel na largada da Strade Bianche surpreendeu muitos fãs. O neerlandês demonstrou recentemente no Omloop Het Nieuwsblad que já está em boa forma e, além disso, tem a intenção de disputar a Tirreno-Adriático no próximo dia 9 de março. No entanto, o corredor da Alpecin-Premier Tech não estará em Siena este ano.
Alpecin explica a ausência de Van der Poel na Strade Bianche: “A corrida mudou muito”
O motivo foi explicado pelo diretor esportivo da equipe, Christoph Roodhooft, em declarações ao jornal belga Het Nieuwsblad. Segundo o responsável pela equipe, tanto o planejamento do calendário quanto a evolução da própria corrida influenciaram a decisão.
Strade Bianche guarda uma lembrança especial na trajetória do neerlandês. Na edição de 2021, ele conquistou uma das vitórias mais espetaculares de sua carreira. Naquela jornada, atacou no último setor de estradão ao lado de Julian Alaphilippe e Egan Bernal e decidiu a corrida com uma aceleração avassaladora na íngreme Via Santa Caterina antes de entrar sozinho na Piazza del Campo.
Aquela foi sua terceira grande vitória em uma clássica de um dia, após a Amstel Gold Race de 2019 e o Tour de Flandres de 2020. O próprio Van der Poel descreveu em várias ocasiões a corrida italiana como “uma das mais bonitas do calendário”, algo lógico considerando sua afinidade com terrenos similares provenientes do ciclocross, mountain bike ou gravel, modalidade na qual também foi campeão do mundo.
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Depois desse triunfo, ele só voltou a competir em 2023, quando terminou na 15ª posição a 1:46 do vencedor, Tom Pidcock.

Roodhooft explica que o primeiro motivo para não correr a Strade Bianche está relacionado à estrutura de treinamento do corredor. Van der Poel acaba de retornar de uma concentração em altitude prévia ao Omloop Het Nieuwsblad e a equipe considera fundamental aproveitar os dias entre essa corrida e a Tirreno-Adriático.
Segundo o diretor esportivo, disputar a Strade Bianche implicaria perder boa parte desse bloco de trabalho. Além disso, o calendário ficaria muito comprimido, com apenas um dia entre a clássica italiana e o início da corrida por etapas.
Com um calendário carregado em abril, a equipe preferiu manter esse período de treinamento antes da Tirreno-Adriático.
Além do planejamento, na Alpecin consideram que a própria evolução da corrida também influencia na decisão. Nos últimos anos, o percurso se tornou mais difícil, especialmente devido ao aumento do desnível acumulado.
Segundo Roodhooft, o desnível total cresceu entre 20% e 25% em relação à edição que Van der Poel venceu em 2021. Antes de 2023, a corrida raramente superava os 3.300 metros de desnível, mas nas últimas edições, chegou a quase 3.900 e até se aproximou dos 4.200 metros.
Embora a distância tenha sido ligeiramente reduzida em algumas edições, o desnível continua sendo muito elevado e este ano volta a ficar acima dos 3.500 metros. Para a equipe, essa mudança alterou o tipo de corredor que pode aspirar à vitória.
Roodhooft considera que o percurso atual se afastou do perfil que melhor se adapta a Van der Poel. “No passado, essa corrida já estava no limite para corredores de clássicas com explosividade. Então ainda era manejável. Agora ultrapassou esse limite”, explica.
Além disso, o nível dos rivais também pesa na equação. O diretor esportivo lembra que em 2021 Van der Poel teve que vencer Egan Bernal para ganhar, mas acredita que enfrentar especialistas como Tom Pidcock ou Tadej Pogacar no mais alto nível tornaria a corrida muito mais complicada.
Por isso, na Alpecin consideram que concentrar os esforços em outras provas do calendário é a melhor opção para o neerlandês.