Por que a França proibiu Paul Seixas de competir no ciclocross
Como é habitual no ciclismo de hoje em dia, a jovem pérola do ciclismo francês, Paul Seixas, também era um amante de outras disciplinas, como é o caso do ciclocross. No entanto, uma coisa é gostar e outra bem diferente é ter as qualidades necessárias para se sair bem nisso. Isso foi percebido pelo ex-selecionador francês, François Trarieux, que aconselhou Seixas a esquecer a lama e se concentrar apenas na estrada.

A decisão do selecionador francês para proteger a grande esperança de vencer o Tour de France
Já falamos muitas vezes sobre a espécie de trauma nacional que existe na França, pois nenhum francês, desde que Bernard Hinault o conseguiu em 1985 pela última vez, venceu o Tour. Mais de 40 anos sem conquistar a camisa amarela. É por isso que o surgimento de um prodígio como Paul Seixas trouxe, pela enésima vez, a ilusão aos franceses de quebrar essa infeliz sequência.
Um ciclista que se busca proteger ao máximo para que vá se consolidando passo a passo rumo ao ano de 2030, quando sua equipe previu que seria o ano para alcançar tal façanha. Não esqueçamos que ele apenas completou sua primeira temporada como profissional e que tem apenas 19 anos. Uma juventude que não o impediu de já se igualar a Tadej Pogacar ou Remco Evenepoel, com quem compartilhou o pódio do último Campeonato da Europa.
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Até tal ponto chega a obsessão de cuidar de sua estrela que, em uma entrevista a um jornal francês, o ex-selecionador François Trarieux explicava como insistiu para que Seixas esquecesse o ciclocross. Uma disciplina que apaixonava o jovem ciclista do Decathlon CMA-CGM, na qual, inclusive, no ano passado, conquistou o Campeonato da França. No entanto, treinando nos dias que antecederam a corrida da Copa do Mundo em Benidorm, ele quebrou o pulso, o que fez soar todos os alarmes.
Embora Seixas tenha competido durante seus anos de júnior no ciclocross no inverno, o ex-selecionador explicava que desde o início haviam detectado nele várias deficiências técnicas. Ele competia, estava à frente e ganhava corridas apenas pelo fato de ser um prodígio físico, mas tinha muitas limitações técnicas, “especialmente na hora de correr com a bicicleta” explicava Trarieux.
Após a lesão sofrida em Benidorm, o então selecionador se posicionou diante de Seixas e deixou claro: “Sei que você ama o ciclocross, mas dado seu nível na estrada, é melhor esquecer, porque você vai se machucar cada vez mais”. “Me doeu, mas era necessário”, confessou François Trarieux.