Quanto dinheiro um time WorldTour precisa?
O ciclismo profissional masculino continua a se encarecer a um ritmo constante. Os orçamentos das equipes do WorldTour masculino alcançarão em 2026 um total conjunto de 663 milhões de euros, com um orçamento médio por equipe de 33 milhões, o que representa um aumento de 4,5% em relação à temporada anterior. Uma escalada econômica que vem acompanhada de um novo aumento nos salários dos corredores, cada vez mais determinantes nas contas das equipes.
O orçamento das equipes do World Tour não para de subir e as desigualdades são cada vez maiores
Conforme informa a La Gazzetta dello Sport, os dados foram apresentados durante o seminário do WorldTour da UCI realizado em meados de dezembro em Genebra e refletem a situação financeira das 20 estruturas que formarão o WorldTour masculino em 2026. Entre elas estão também Tudor Pro Cycling e Q36.5, que têm convite automático para todo o calendário do World Tour e seus orçamentos comparáveis aos das equipes da máxima categoria.
O relatório confirma que os orçamentos não param de crescer, mas o fazem de forma desigual. A média está em 33,1 milhões de euros, mas essa não é a realidade. Enquanto os chamados “super equipes”, como UAE Team Emirates-XRG, Visma-Lease a Bike, Red Bull-Bora-Hansgrohe, Lidl-Trek, Decathlon-CMA CGM ou Ineos Grenadiers operam com cifras próximas ou superiores a 50 milhões de euros, outras equipes devem operar com praticamente a metade desse orçamento.
No total, as 20 equipes do WorldTour masculino empregam 555 corredores e 1.312 membros de staff, uma média de 65 pessoas por estrutura, um número que pode ser inflacionado em casos onde convivem equipes masculinas, femininas e de desenvolvimento sob o mesmo guarda-chuva.
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Os salários continuam ganhando peso
O aumento do orçamento também se reflete nos salários. A mediana salarial de um corredor autônomo no WorldTour masculino já atinge 350.000 euros anuais, um aumento de 5,6% em relação a 2025. No entanto, o salário médio é muito distorcido pelos grandes contratos das superestrelas do pelotão.
O exemplo mais claro é o de Tadej Pogačar, cujo salário base gira em torno de 8 milhões de euros, superando os 10 milhões com bônus por resultados. Esses números elevam a média dos corredores autônomos para 654.000 euros, embora a realidade do pelotão seja muito mais heterogênea.
Os dados também destacam a diferença entre corredores empregados e autônomos. Em 2026, 43% dos ciclistas do WorldTour masculino estão contratados como empregados, um número ligeiramente inferior ao de 2023. A mediana salarial desses corredores está em 216.000 euros, 46% menos do que a dos autônomos, devido em parte a maiores cargas fiscais e de seguridade social para as equipes.

Ainda assim, ambos os modelos viram aumentos notáveis desde 2023 e os salários dos corredores empregados subiram 40%, enquanto os dos autônomos aumentaram 24%, impulsionados em muitos casos pela crescente profissionalização das negociações contratuais.
Apesar do crescimento global, o relatório lembra que o ciclismo profissional ainda depende em grande medida do patrocínio: 87% da receita das equipes vem de patrocinadores, o que mantém a fragilidade estrutural do esporte. Mesmo assim, a visibilidade que o Tour de France e o WorldTour oferecem continua sendo um potente atrativo para as grandes marcas, justificando investimentos cada vez mais elevados.