De negro, com uma bicicleta desconhecida e ganhando: assim é difícil chegar à Copa do Mundo XCO para um ciclista sem equipe
A história de Maximilian Brandl (28) neste início de 2026 está longe de ser a habitual dentro do circuito de elite. Sem equipe, sem estrutura e competindo com material da temporada passada com milhares de quilômetros, o alemão teve que reconstruir sua temporada praticamente do zero para poder estar na largada da Copa do Mundo XCO.
O esforço de Maximilian Brandl para chegar à Copa do Mundo XCO sem equipe
Após o desaparecimento da equipe Lapierre no final de 2025, Brandl foi obrigado a começar o ano como corredor privado, apesar de ter contrato em vigor. A vitória em La Nucía foi o primeiro indício de que, mesmo nesse contexto, ele ainda era competitivo. No entanto, aquela imagem vencedora escondia uma realidade complexa, com uma logística completamente improvisada e uma bicicleta de treinamento do ano anterior como única ferramenta.
A partir desse ponto, sua temporada se tornou uma corrida paralela fora do circuito. O próprio Brandl explica agora que o bom início lhe permitiu abrir novas vias e começar a fechar acordos que moldaram seu projeto independente em 2026. Entre eles, a entrada da Sanct Bernhard Sport em nutrição e a marca de bicicletas Avona, que se junta a outros apoios menores que ele já tinha. Avona é uma marca bastante nova por trás da qual estão Jonas Müller (anteriormente na BMC, DT Swiss e Santa Cruz) e Max Koch (anteriormente na ARC8 e Faserwerk), e sua bike de MTB é a Silva, uma super leve XCO com um sistema de suspensão muito particular que com certeza vai te lembrar a ARC8 Evolve FS.

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Mas esse crescimento de apoios, no entanto, não simplificou o processo. O alemão reconhece que a carga organizativa foi enorme, especialmente enquanto tentava manter o nível de treinamento no pleno inverno alemão e recuperar posições no ranking UCI após um 2025 marcado por lesões e doenças.
A chave para redirecionar sua situação esportiva chegou com uma decisão arriscada. Junto com seu treinador, Fabian Neunstöcklin, que também foi treinador de Alessandra Keller, optou por viajar para a Sérvia para disputar a Serbia Epic, um bloco de quatro corridas em quatro dias com pontuação UCI. Lá, além disso, debutou praticamente sem adaptação com sua nova bicicleta, a Avona Silva, recebida apenas quatro dias antes da viagem. Mas Brandl ganhou as quatro provas e somou 180 pontos que lhe permitiram escalar 25 posições no ranking mundial. Um impulso chave em seu objetivo de garantir a participação no short track da primeira prova da Copa do Mundo.
Ainda assim, o sistema de pontuação voltou a jogar contra ele semanas depois, assim como vimos no caso de Blevins. A perda de pontos acumulados em 2025 o obrigou a continuar competindo para não ficar de fora. Sua próxima parada foi Drozdovo, na Eslováquia, em uma prova de categoria HC. Lá, em um percurso pouco favorável para suas características, conseguiu um terceiro lugar que lhe rendeu mais 60 pontos.
No total, Brandl somou 316 pontos em poucas semanas, um esforço notável se levarmos em conta que teve que equilibrar competição, treinamento e gestão de seu próprio projeto. Atualmente aparece em torno da 51ª posição do ranking UCI, embora a previsão seja que, ao descontar corredores sub-23 e ausências, ele possa acessar a grade do short track da primeira Copa do Mundo na próxima semana.

O próximo passo já está definido. O alemão viajará para a Coreia do Sul com a seleção nacional da Alemanha para disputar a primeira rodada da UCI Mountain Bike World Series 2026, onde além disso buscará somar pontos chave para a classificação olímpica rumo a Los Angeles 2028.
Seu caso reflete uma realidade pouco visível no mountain bike de elite. Até mesmo corredores consolidados podem ficar sem estrutura de um dia para o outro e se ver obrigados a competir em condições muito distantes das de seus rivais diretos. No caso de Brandl, esse cenário não freou seu desempenho, mas sim transformou cada resultado em uma peça imprescindível para sustentar toda a temporada.