Por que Chris Blevins caiu no ranking da UCI
Chris Blevins encerrou 2025 como o corredor mais sólido do planeta em XCO e XCC. Não só foi o mais regular de toda a temporada, mas acumulou até nove vitórias na Copa do Mundo, dominando tanto o short track quanto o olímpico. Esse desempenho o levou claramente ao número um do ranking UCI.
Por que Blevins saiu do top 5 do ranking UCI apesar de continuar ganhando
No entanto, apenas alguns meses depois, a classificação deu uma reviravolta. Desde março, Blevins passou da liderança para a oitava posição. Uma queda que, vista sem contexto, parece difícil de explicar, ainda mais se considerarmos que ele ganhou 3 das últimas 4 corridas que disputou. Mas que tem uma lógica muito clara quando se entende como funciona o sistema de pontos.
Um ranking que não premia o passado e uma Copa do Mundo que este ano começa mais tarde
O ranking UCI de MTB não é acumulativo a longo prazo. Ele é construído sobre um período móvel de um ano. Ou seja, somente contam os pontos conquistados nas últimas 52 semanas.
Conforme estabelece a normativa oficial, o sistema soma os pontos conseguidos desde a última atualização e elimina automaticamente os obtidos nas mesmas datas do ano anterior. Isso provoca que o ranking esteja em constante reajuste semana a semana, tenha você competido ou não.
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Além disso, a classificação é atualizada de forma periódica, normalmente toda terça-feira, o que faz com que qualquer perda de pontos tenha um impacto imediato na posição dos corredores.
Aqui é onde entra o fator chave. O calendário da Copa do Mundo mudou de forma importante entre 2025 e 2026.
Em 2025, a temporada começou no início de abril com duas provas consecutivas no Brasil. Blevins foi praticamente intratável lá, ganhando as corridas de XCC em ambas as ocasiões e somando também uma vitória e um segundo lugar em XCO. Esse início lhe deu uma enorme margem de pontos desde o primeiro momento do ano.
Em contrapartida, em 2026 a Copa do Mundo não começa até 1º de maio na Coreia do Sul. Esse atraso de quase um mês gera um vazio competitivo no qual não há provas equivalentes que permitam defender esses pontos.
A consequência é direta. Ao completar as 52 semanas desde aquelas corridas no Brasil, todos esses pontos desaparecem do ranking sem possibilidade de substituí-los ainda. E estamos falando de um dos blocos de pontuação mais importantes de toda a sua temporada.

A esse efeito se soma outro fator igualmente importante. Desde a última prova da Copa do Mundo 2025 no Canadá, disputada em outubro, Blevins não voltou a competir até março de 2026.
É verdade que seu retorno foi muito sólido, com três vitórias nas quatro corridas disputadas em provas de categoria C1 e HC. Mas essas provas, fora do circuito principal da Copa do Mundo, oferecem uma quantidade de pontos muito inferior.
Enquanto Blevins via sua pontuação diminuir, outros corredores foram mais constantes nesse mesmo período de 52 semanas. Como o destaque do SCOTT SRAM, Fabio Puntener, que lidera o ranking desde 10 de março.
Esse tipo de situação não é estranho no ranking UCI. Não reflete sempre quem é o mais forte naquele momento, mas sim quem foi mais constante no último ano completo.
O caso de Blevins não responde a uma queda de desempenho, mas a um efeito puramente matemático do sistema. De fato, tudo aponta que essa situação é temporária. Assim que a Copa do Mundo 2026 começar e ele voltar a competir em provas de alto nível, terá a oportunidade de recuperar rapidamente posições.