Nairo Quintana se despede do ciclismo em Montreal: “O Mundial será minha última competição como profissional”
Nairo Quintana sim terá finalmente uma última grande citação antes de pendurar a bicicleta. Depois de ficar fora da seleção da Movistar para a Vuelta a España, onde estava previsto inicialmente que se despedisse da equipe, a Colômbia incluiu o ciclista de 36 anos em sua convocação para o Mundial de Montreal. Quintana confirmou ainda que a prova de estrada do próximo 27 de setembro será sua última corrida como profissional.
Nairo Quintana se despedirá do ciclismo com a Colômbia no Mundial de Montreal
A despedida de Nairo Quintana não será como estava prevista, mas o colombiano terá finalmente a oportunidade de encerrar sua carreira em um dos grandes cenários do ciclismo internacional.
O selecionador colombiano William Vargas incluiu o corredor da Movistar entre os sete escolhidos para o Mundial de Montreal. Quintana disputará a prova de estrada junto a Egan Bernal, Santiago Buitrago, Sergio Higuita, Harold Tejada, Brandon Rivera e Walter Vargas. Estes dois últimos serão também os representantes colombianos na contrarrelógio do dia 20 de setembro.
Para Quintana será uma convocação especialmente significativa porque representará sua sétima participação em um Mundial e, sobretudo, a última corrida de seus 17 anos como profissional.
RECOMENDADO
Nairo Quintana anuncia sua aposentadoria
Inscreva-se primeiro, treine depois: por que participar de uma corrida pode mudar sua forma de treinar
Van Aert transforma outra fuga em vitória e conquista seu segundo triunfo na La Vuelta
“Não vou para o Canadá de férias”: Pidcock volta do MTB vencendo e manda um recado antes do Mundial
Um sensor de velocidade em 2026? A DT Swiss e a Wahoo acreditam que ainda faz sentido
La Vuelta ativa o protocolo de calor extremo e reduz drasticamente a etapa 15 em Córdoba: novo percurso e favoritos
"O Mundial será minha última competição a nível profissional. Estou muito feliz porque poderei representar meu país em um evento tão importante e, da mesma forma, fechar este grande ciclo esportivo no Mundial de ciclismo", confirmou o próprio Nairo.

A Vuelta deveria ser inicialmente sua despedida com a Movistar
Quintana já havia anunciado em março, antes da Volta a Catalunya, que 2026 seria sua última temporada como profissional. Naquela época, o plano apontava que a Vuelta seria sua última corrida com a Movistar e o cenário escolhido para se despedir diante de boa parte da torcida que acompanhou sua trajetória.
A volta espanhola tinha ainda um importante componente simbólico. Nairo ganhou a Vuelta em 2016, superando naquele ano Chris Froome e Esteban Chaves, e havia desenvolvido boa parte de sua carreira esportiva dentro da estrutura da Movistar. Mas os planos mudaram.
A Movistar acabou montando para a Vuelta uma equipe formada por Enric Mas, Cian Uijtdebroeks, Orluis Aular, Pablo Castrillo, Raúl García Pierna, Iván Romeo, Jorge Arcas e Carlos Canal. Não havia espaço para Quintana.
Eusebio Unzué explicou antes do início da corrida que a decisão havia sido especialmente complicada e que obedecia exclusivamente a critérios esportivos. "Tomar a decisão de que Nairo não faça parte da equipe na Vuelta não foi nada fácil. Além de um amigo, Nairo é uma lenda da história da nossa equipe. A Vuelta a Espanha era um palco ideal para fazer sua despedida, mas tivemos que priorizar os interesses esportivos acima de tudo", explicou Unzué.
O responsável da Movistar detalhou ainda algumas das circunstâncias que acabaram alterando a programação da equipe: "A temporada nos obrigou a fazer reajustes: não pudemos levar Romeo ao Tour, e Cian, ao não terminar o Tour, tinha a necessidade de estar aqui. Tudo isso provocou desajustes que nos levaram a tomar esta decisão".
"O primeiro que sente é eu, mas era o momento de colocar os interesses esportivos à frente. Com certeza haverá momento para preparar a despedida que ele merece", acrescentou.

A despedida que não pôde ocorrer na volta espanhola chegará agora de uma forma completamente diferente: Quintana vestirá pela última vez um dorsal com a camisa da seleção colombiana.
Montreal, um percurso de mais de 4.300 metros de desnível para a última de Nairo
O Mundial também não será precisamente uma corrida tranquila para se despedir. A prova elite masculina de Montreal será disputada no dia 27 de setembro sobre 214,4 quilômetros e acumulará 4.304 metros de desnível positivo. O percurso inclui 16 subidas a Camillien-Houde e apresenta um perfil especialmente exigente.
Um terreno que, ao menos sobre o papel, se encaixa muito melhor com as características que definiram Quintana durante toda sua trajetória do que outros circuitos mundialistas.
Será seu sétimo Mundial. Até agora, seu melhor resultado em uma prova de estrada mundialista chegou em Innsbruck 2018, outro percurso especialmente montanhoso, onde terminou em 15º.
Quintana chegará a Montreal depois de uma temporada 2026 bastante discreta. Não disputou nem o Giro de Itália nem o Tour de França e sua última participação em uma grande volta continua sendo o Giro de 2025. Nesta temporada conseguiu ganhar a Vuelta a Asturias e terminou em 18º na Vuelta a Burgos durante o mês de agosto.
Nada comparável com os melhores anos de uma trajetória na qual conseguiu ganhar o Giro de Itália de 2014 e a Vuelta de 2016, além de terminar três vezes no pódio do Tour de França. No total, passou onze temporadas na Movistar distribuídas em duas etapas.
Montreal agora colocará o ponto final. Nairo Quintana não poderá se despedir como havia previsto originalmente, competindo na Vuelta com a Movistar, mas poderá fazê-lo defendendo pela última vez as cores da Colômbia e em um Mundial com mais de 4.300 metros de desnível. Um cenário que, por percurso e simbolismo, parece feito sob medida para a última corrida de um dos melhores escaladores de sua geração.