A indústria do ciclismo e a automotiva dão as mãos

Ciclismo Urbano 12 ene. 2022 13:01 Guilherme

Agora que os fabricantes de automóveis estão se tornando pouco a pouco 'empresas de mobilidade', estão começando a procurar veículos mais sustentáveis. Sim, a fusão entre a indústria do ciclismo e a automotiva já está em andamento e é previsível que se acelere cada vez mais. Por exemplo, o acordo de parceria recém-assinado pela Orbea e o AIC - Automotive Intelligence Center, um polo de inovação localizado em Amorebieta (Vizcaya). Mas há muito mais.

Mobilidade nas cidades em jogo

Especificamente, o acordo assinado pelas duas empresas bascas visa “agregar sinergias” e desenvolver “ações e atividades conjuntas”, além de trocar “informações periódicas”, segundo o comunicado emitido por ambas as entidades. Mas, enquanto os fãs de ciclismo conhecem perfeitamente a Orbea, o que é AIC?

Pois bem, se trata de um centro de inovação com financiamento da Diputación de Vizcaya (e fundos europeus) que já atraiu 25 empresas. Entre elas, multinacionais como a Volkswagen ou a Gestamp (uma gigante espanhola de componentes). Notícia importante pelo que indica: o crescente interesse do mundo automotivo em entrar em um setor limpo e no auge, como o de bicicletas.

De facto, dificilmente se passa um dia sem que seja apresentado um projeto que ponha em contato estes dois ramos da mobilidade. Por enquanto, não passam de tímidas aproximações, mas é muito provável que, em algum momento, os gigantes das quatro rodas façam uma jogada mais agressiva para tomar uma fatia significativa do mercado dos dois.

Acima de tudo, porque sabem que representam o futuro da mobilidade nas cidades. Recentemente, contamos que a Volvo admitiu (através de sua conta oficial no Twitter no Reino Unido) que, para a maioria das viagens curtas, a bicicleta é uma opção melhor que o carro. E o próprio CEO do grupo Volkswagen, Herbert Diess, chegou a dizer que “os carros só terão futuro urbano se as bicicletas tiverem espaço suficiente”.

Os Alemães lideram o caminho

Nos últimos anos, foram apresentados tantos projetos 'bicicleteros' de gigantes automotivos que quase se pode dizer que não há marca sem a seu próprio. A mais recente é a da empresa norte-americana de carros elétricos Rivian, que, segundo o que foi publicado esta semana, registou uma nova marca de bicicleta. Muitos, sim, limitaram-se a ser experimentos. Brinquedos com os quais seus departamentos de design podem se distrair, criando algo diferente e inovador.

Existem as Mercedes AMG Petronas V11, ou as bicicletas elétricas Bugatti. Até a Fabike da espanhola Cupra (spin-off esportivo da Seat), que deslumbrou em 2018, mas não voltou a fazer novidades. No entanto, para alguns isso é realmente uma aposta para o futuro.

Talvez os que estão levando isso mais a sério, e que já assumiram a liderança sobre todos os outros, sejam a BMW e o grupo Volkswagen, especialmente por meio de sua subsidiária Porsche. A primeira começou nisto das bicicletas nos anos 50, e hoje tem um catálogo completo, com uma gravel (em parceria com a 3T), duas fixas, duas e-bikes, uma dobrável e várias para crianças.

Por sua vez, a Porsche possui dois modelos de e-bike, mas acima de tudo está realizando uma série de importantes operações comerciais. Recentemente, adquiriu a croata Greyp, da qual já era acionista minoritário, e já aproveitou essa experiência para lançar sua própria marca, a Cyklær.

A matriz, Volkswagen, também apresentou recentemente uma mountain bike bastante básica, de 700 euros com o logotipo GTI. Neste grupo podemos incluir também a mítica Peugeot, que começou neste mundo antes que nos automóveis, em 1880, e nunca deixou de produzir.

Bike sharing e parcerias

Outros que estão apostando alto são a Ford, por meio de sua startup de micromobilidade Spin. É possível que tenha visto seus patinetes de 'compartilhamento' em Madri ou Tarragona, e sua nova bicicleta S-300 que eles esperam implantar até 10.000 unidades em 2022.

Alguns fabricantes, no entanto, optaram pela parceria com marcas de ciclismo. Este é o caso principalmente dos italianos. Lamborghini e Cervelo, por exemplo, já desenvolveram alguns modelos, como este luxuoso R5 Disc de 15.000 euros. E a Ferrari se uniu a Bianchi em 2017, embora, depois de se apresentar com grande alarde, não tenhamos ouvido falar deles novamente.

Por fim, talvez uma das propostas mais interessantes e ambiciosas dos últimos tempos seja a da Jeep com a QuietKat, especialista também americana em e-bike. Uma fat bike com uma bateria enorme que não só se apresentou no meio do Superbowl, mas também está tendo (como aprendemos recentemente) um grande sucesso em exércitos de metade do planeta.

Aliás, um fato pouco conhecido é que a história de vários fabricantes de automóveis começou com as bicicletas. Isso aconteceu, por exemplo, com marcas conhecidas como a Opel, a já mencionada Peugeot, Honda ou Skoda. Todas, originalmente, se dedicavam ao mundo do pedal. E agora, mais de um século depois, algumas estão voltando para 'casa'.

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