Van der Poel e Pogacar assustam para a primavera e o pelotão terá que mudar sua estratégia se não quiser "competir para ser segundo"
A primavera se aproxima e com ela a grande temporada de corridas de um dia, onde muitas equipes e ciclistas especialistas têm a oportunidade de conquistar vitórias importantes. Mas esse equilíbrio foi rompido com a chegada de ciclistas tão determinantes como Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar, que são capazes de vencer qualquer corrida em que participem. Diante desse novo cenário, o pelotão precisará reinventar suas estratégias se quiser continuar tendo oportunidades.
Tiesj Benoot pede uma mudança de mentalidade nas clássicas: “É preciso parar de puxar quando estão Van der Poel e Poga?ar”
O belga Tiesj Benoot voltou a colocar em pauta a forma como o pelotão enfrenta a hegemonia de Tadej Poga?ar e Mathieu van der Poel nas grandes clássicas. Para Benoot, o problema não é apenas seu enorme nível esportivo, mas a atitude coletiva do restante das equipes. “Precisamos parar de nos colocar a puxar quando eles estão à frente. Se você faz isso, está ajudando-os e isso é correr diretamente pela segunda posição”, resume com contundência.
Com 31 participações em Monumentos e um profundo conhecimento de corridas como o Tour de Flandres, Liège-Bastogne-Liège ou Il Lombardia, Benoot considera que o endurecimento extremo dos percursos reduziu o peso da tática, especialmente na Flandres. Mesmo assim, insiste que existem alternativas: “A eles também pode acontecer algo e, além disso, não correm todas as provas. O problema é que muitas vezes o grupo começa a correr já pensando no pódio, não em ganhar”.

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As declarações de Benoot chegam em um momento chave de sua carreira, após sua saída da Visma e sua incorporação à equipe Decathlon. O belga explica que sua decisão não responde a um desgaste esportivo, mas à necessidade de buscar novos estímulos. “Depois de vários anos, tudo se torna mais automático. Aqui trabalho com muita gente nova e isso te obriga a se exigir mais”, aponta.
Benoot destaca que a Decathlon é uma das equipes que mais cresceu nos últimos dois anos, alcançando posições de top-6 no ranking UCI sem contar com grandes superestrelas. “É um projeto em clara evolução, com ambição e vontade de melhorar. Isso foi fundamental para mim”, explica, sublinhando ainda que existe margem para a contribuição pessoal do corredor, embora a responsabilidade final continue recaindo sobre os técnicos.
No aspecto esportivo, o belga não espera uma revolução total em seu calendário de primavera, embora admita que poderia ter um pouco mais de protagonismo. Apesar de evitar falar de “sonhos”, Benoot não esconde sua ambição de voltar a vencer. Ele não levanta os braços desde a Kuurne-Bruxelas-Kuurne de 2023 e este ano voltará a abrir mão da Strade Bianche, um dos grandes eventos de seu palmarés, para priorizar uma concentração em altitude. Seu objetivo é claro: “Quero chegar ao meu melhor nível entre a E3 e Liège. E se eu ganhar, será uma corrida importante”.

Voltando ao domínio das grandes figuras, Benoot reconhece a força de estruturas como a UAE, capazes de impor um ritmo altíssimo durante horas, mas insiste que o respeito não deve ser confundido com resignação. “Entendo que ver corredores como Nils Politt puxando na frente impressione, mas se você os ajuda, o resultado está quase escrito”, aponta. Para o belga, exemplos como os ataques distantes em Lombardia ou a atitude ofensiva de corredores como Quinn Simmons ou Mads Pedersen marcam o caminho.
“Se continuarmos assim, tudo continuará igual”, conclui Benoot. Sua mensagem é tão simples quanto incômoda para o pelotão: enquanto Van der Poel e Poga?ar encontrarem aliados involuntários no grupo, seu domínio nas clássicas continuará sendo quase incontestável.