Comunicado da UCI sobre os controles noturnos do Tour: “São excepcionais, mas necessários”
A Unión Ciclista Internacional (UCI) se manifestou em resposta à crescente polémica gerada pelos controles antidopagem realizados de madrugada durante o Tour de France 2026. Após vários dias de críticas por parte de corredores, equipes e da Associação de Ciclistas Profissionais (CPA), o organismo emitiu um comunicado oficial no qual apoia sem reservas a atuação da International Testing Agency (ITA) e defende que essas inspeções extraordinárias continuarão sendo uma ferramenta disponível quando houver motivos que as justifiquem.
A UCI responde à polémica dos controles noturnos: “A luta contra o doping é uma prioridade absoluta”
O comunicado chega depois que os controles realizados em Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard desencadearam um intenso debate dentro do pelotão. Ambos foram acordados de madrugada para se submeter a um controle antidopagem, uma medida excepcional que, na França, requer ainda a autorização prévia de um juiz ao ser realizada fora do horário ordinário estabelecido para esse tipo de inspeções.
A UCI reconhece o impacto, mas defende sua necessidade
A UCI admite pela primeira vez de forma explícita que esse tipo de controles afeta o descanso e a recuperação dos corredores, embora insista que o objetivo de proteger a integridade do esporte está acima dessas incomodações.
“A UCI reconhece que os controles realizados durante a noite podem alterar o descanso e a recuperação dos corredores e deseja reiterar que continuam sendo uma medida excepcional, reservada para circunstâncias limitadas e justificadas.”
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Apesar disso, o organismo considera que o benefício para a luta contra o doping justifica manter essa possibilidade.
“Embora estejamos plenamente cientes da carga que isso representa para os corredores, esses controles respondem a um interesse superior: a luta contra o doping.”

Resposta às críticas do pelotão
O comunicado chega poucos dias depois que o presidente da CPA, Adam Hansen, expressou sua preocupação pelo efeito que esse tipo de inspeções pode ter sobre a saúde e a recuperação dos ciclistas durante uma grande volta.
Também coincide com as declarações de Matej Mohoric, que qualificou a operação como uma forma de demonstrar publicamente que o ciclismo combate o doping e chegou a questionar se todos os favoritos estavam sendo tratados da mesma maneira, ao apontar que Paul Seixas não teria sido submetido a um controle noturno semelhante.
Sem responder diretamente a essas críticas, a UCI insiste que todo o programa antidopagem se desenvolve sob critérios de independência e seguindo estritamente a normativa vigente.
Apoio total à ITA
A UCI lembra que desde 2021 delegou toda a gestão de seu programa antidopagem à International Testing Agency (ITA) precisamente para garantir a independência das investigações e do planejamento dos controles.
Nesse sentido, o organismo demonstra um apoio absoluto à agência.
“A UCI apoia plenamente que a ITA utilize todos os meios de que dispõe para cumprir sua missão da forma mais eficaz possível, respeitando o Código Mundial Antidopagem, a normativa da UCI e a legislação vigente em cada país.”
No caso concreto da França, esses controles extraordinários só podem ser realizados com autorização judicial quando existem os requisitos previstos na legislação francesa.
Mais de 10 milhões de euros por ano para combater o doping
Um dos dados mais chamativos do comunicado é a cifra destinada ao programa antidopagem.
A UCI assegura que a cada ano investe mais de 10 milhões de euros na coleta, análise e reanálise de amostras, além do desenvolvimento de atividades de inteligência nas competições sob seu regulamento, incluindo o Tour de France.
Segundo explica o organismo, esse esforço econômico tem um duplo objetivo: proteger os corredores que competem limpidamente e continuar ampliando as ferramentas para detectar aqueles que recorrem ao doping.
Um debate que continua aberto
A publicação deste comunicado dificilmente porá fim à discussão que atualmente vive o pelotão.
Enquanto alguns corredores consideram que os controles noturnos penalizam a recuperação e questionam se seu impacto compensa os benefícios reais, outras vozes, como a do diretor do EF Education-EasyPost, Jonathan Vaughters, defendem que esse tipo de inspeções são uma das formas mais eficazes de detectar microdoses de substâncias como a EPO ou o hormônio do crescimento e, além disso, contribuem para reforçar a credibilidade de um esporte que ainda convive com as dúvidas herdadas de seu passado.