Campagnolo confirma uma reestruturação interna profunda, mas descarta demissões após um acordo com os sindicatos
A situação laboral na Campagnolo dá uma virada relevante. Após semanas de incerteza e negociações, a empresa italiana confirmou que não haverá demissões em sua sede de Vicenza após alcançar um acordo com os sindicatos e os chamados “agentes sociais”, assinado antes do final de 2025.
Campagnolo evita cortes de pessoal em Vicenza e avança com sua reestruturação
Segundo o comunicado oficial, 77% da equipe apoiou o acordo, que se articula por meio de um contrato de solidariedade e exclui explicitamente qualquer forma de demissão. A Campagnolo assegura que esse passo lhe permite iniciar 2026 com “maior estabilidade e um forte senso de responsabilidade”, em contraste com as informações publicadas em novembro que apontavam para a eliminação de até 120 postos de trabalho.
O anúncio chega após um período especialmente delicado para a empresa. Como já havíamos contado, a Campagnolo reconheceu perdas superiores a 24 milhões de euros no triênio 2023-2025 e apresentou no final de novembro um plano de reestruturação que contemplava uma redução muito significativa de custos trabalhistas em Vicenza. Aquela folha de rota gerou uma forte rejeição sindical, especialmente por parte da FIOM Vicenza, que defendia que a situação financeira não justificava um ajuste tão drástico.
O acordo agora confirmado assegura que não haverá demissões, embora a empresa deixe claro que o processo de transformação continua em andamento.
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A Campagnolo não esconde que o acordo social não significa imobilismo. Em seu comunicado, reconhece que está imersa em uma “reorganização interna profunda” que afeta tanto a estrutura da empresa quanto sua forma de trabalhar. O objetivo é simplificar a organização, reduzir camadas de decisão, acelerar processos e dar mais protagonismo ao talento jovem já presente na empresa. A própria marca sublinha que não se trata de um ajuste superficial, mas de uma mudança estrutural necessária para se adaptar às exigências atuais do mercado.
A empresa não detalha essas “exigências”, mas o contexto é conhecido. Após o boom de vendas durante a pandemia, boa parte da indústria de bicicletas enfrenta agora excesso de estoque, pressão sobre as margens, incerteza econômica e tensões geopolíticas, incluindo tarifas nos Estados Unidos. Nesse cenário, outras marcas relevantes do setor optaram por cortes de pessoal nos últimos meses.
A empresa italiana destaca que sua nova plataforma para transmissões de 13 velocidades está oferecendo resultados “muito positivos”, tanto em vendas quanto em satisfação dos usuários. A empresa fala de um reconhecimento do mercado a uma mudança de ritmo em termos de tecnologia, precisão e confiabilidade, e coloca esse desenvolvimento como um dos pilares de sua recuperação.
Além disso, a Campagnolo confirma uma ideia que já havia deixado entrever em comunicados anteriores: a tecnologia estreada em seus grupos de 13 velocidades chegará a gamas mais acessíveis. O objetivo é reforçar sua presença no mercado e voltar a colocar seus grupos em bicicletas de grandes fabricantes, um movimento estratégico após anos centrada quase exclusivamente no segmento premium.
A marca adianta que ao longo de 2026 serão anunciados “outros desenvolvimentos importantes”, sem entrar em detalhes técnicos nem em calendários concretos.