Anne Terpstra se despede: uma das ciclistas mais constantes do XCO diz adeus
Anne Terpstra anunciou que colocará um ponto final em sua carreira profissional nas próximas semanas. Aos 35 anos, uma das ciclistas mais reconhecíveis e constantes do XCO internacional confirmou que a Copa do Mundo de Les Gets e o Campeonato do Mundo de Val di Sole serão suas duas últimas corridas em alto nível.
A neerlandesa se despedirá assim de uma Copa do Mundo da qual fez parte por mais de uma década e na qual conseguiu algo tão complicado como se manter por anos entre as melhores do mundo e ser uma presença habitual nas posições de pódio.

Anne Terpstra anuncia o final de sua carreira profissional
Terpstra comunicou sua decisão por meio de uma extensa publicação na qual reconhece que o desfecho chegou antes do que inicialmente havia imaginado. O desaparecimento da Lapierre PXR Racing ao término desta temporada acabou por acelerar uma decisão que, de certa forma, já havia começado a amadurecer.
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"Em pleno processo de voltar ao nível que sei que posso alcançar, as notícias da Accell foram difíceis de assimilar. Com o desaparecimento da Lapierre PXR Racing, tenho pela frente uma grande mudança, já que colocarei um fim à minha carreira na Copa do Mundo", explica Terpstra.

A neerlandesa havia iniciado esta temporada uma etapa aparentemente nova com a Lapierre depois de ter estado ligada por quase dez anos à Ghost. Na prática, a mudança foi muito menor do que sugeria o novo nome, já que se manteve a estrutura esportiva da equipe e boa parte das pessoas com as quais vinha trabalhando durante anos.
Precisamente essa relação com a equipe ocupa uma parte importante de sua despedida. Terpstra assegura que nunca havia se sentido tão integrada em uma formação como durante esses últimos meses e destaca a rapidez com que se criou uma forte relação entre os integrantes da Lapierre PXR Racing.
"Todos sabemos o que significa EQUIPE e estou enormemente agradecida por ter tido a oportunidade de viver esse tempo juntos", escreve.
Uma retirada que chega depois de um período complicado
A decisão também chega depois de duas temporadas especialmente exigentes para Terpstra. A neerlandesa lembra em sua mensagem a operação à qual teve que se submeter no ano passado e que condicionou profundamente sua temporada.
Os problemas relacionados com a artéria ilíaca e as consequências daquela intervenção ainda a acompanham.
"Até hoje sigo lutando e trabalhando com as consequências dos sintomas da minha artéria ilíaca e da operação", explica. Apesar disso, Terpstra destaca que conseguiu retornar ao Top 10 mundial, algo que para ela demonstra que ainda conserva potencial para competir em alto nível.
De fato, sua intenção não era necessariamente se retirar de maneira imediata. Terpstra reconhece que estaria disposta a continuar competindo um pouco mais e realizar uma transição progressiva para a próxima etapa de sua vida. A situação da equipe acabou antecipando esse momento.
Mas também admite que o processo de se despedir da competição havia começado internamente antes de conhecer o desaparecimento da estrutura.
"Embora as circunstâncias tenham forçado minha decisão, percebi que já havia começado o processo de me despedir no início deste ano. A curiosidade por experimentar coisas novas na vida depois das corridas é cada vez maior".
Uma das ciclistas mais constantes de toda uma geração
Falar da trajetória de Anne Terpstra obriga a fazê-lo a partir de uma perspectiva diferente da que costuma ser utilizada para medir uma carreira esportiva. Seu principal legado não está apenas em uma coleção de grandes vitórias, mas na extraordinária regularidade que manteve durante boa parte da última década.
Terpstra tem sido uma habitual da zona dianteira da Copa do Mundo durante anos. Conseguiu se manter competitiva enquanto mudavam as rivais, as gerações, os circuitos, as bicicletas e a própria forma de competir em XCO. Não esqueçamos que a Ghost foi uma das últimas marcas de bicicletas a ter um modelo de dupla suspensão e até há poucos anos competiam de maneira obrigatória com rígida.

Em um esporte em que permanecer uma temporada entre as melhores já resulta complicado, a neerlandesa converteu a regularidade em uma de suas principais marcas registradas. Durante todos esses anos, compartilhou as primeiras posições com diferentes gerações de corredoras e continuou encontrando a maneira de retornar uma e outra vez à luta pelo pódio.
Essa longevidade esportiva explica por que Terpstra se tornou uma das figuras mais reconhecíveis da Copa do Mundo feminina de XCO.
Agora terá duas últimas oportunidades para colocar um dorsal.
"Les Gets e Val di Sole serão minhas últimas linhas de partida e estou incrivelmente orgulhosa de poder estar lá ainda sendo competitiva e desfrutando do que faço", anuncia.
A primeira despedida chegará na Copa do Mundo de Les Gets. Depois viajará a Val di Sole para disputar o Campeonato do Mundo, onde encerrará definitivamente sua trajetória profissional.
"O futuro nunca havia sido tão emocionante"
Terpstra deixa claro que sua decisão não significa se afastar da bicicleta. Em sua mensagem, também fala de tudo o que o ciclismo lhe proporcionou, tanto esportivamente quanto pessoalmente, desde as lições aprendidas durante sua carreira até as relações construídas fora da competição.
"Sempre estarei agradecida por tudo o que competir em bicicleta e este capítulo da minha vida me deram", assegura.

E embora reconheça que sentirá falta de muitas coisas do esporte profissional, enfrenta com ilusão o que vem a seguir.
"O futuro nunca havia sido tão emocionante, mas estou convencida de que é brilhante. Estou preparada para entrar em um novo capítulo da minha vida".
Há algo que, segundo ela mesma, permanecerá intacto quando desaparecerem os dorsais, as viagens e as grades de largada: "O que sempre ficará comigo são todas as memórias e, por supuesto, meu amor por andar de bicicleta".
Les Gets e Val di Sole assim colocarão o ponto final à carreira de uma ciclista que fez parte da paisagem da Copa do Mundo durante praticamente toda uma geração.