A UCI endurece a segurança em 2027 e muda a data da Vuelta Feminina
A segurança volta a ocupar o centro da agenda da UCI. O organismo internacional aprovou um novo pacote de medidas que começará a transformar as corridas profissionais a partir de 2027, com duas mudanças especialmente visíveis, como os novos padrões obrigatórios para as barreiras dos últimos 200 metros e a intenção de estender o acompanhamento por GPS de ciclistas e veículos.
Novas medidas de segurança aprovadas pela UCI para 2027
As decisões foram adotadas durante a reunião do Comitê Diretivo realizada de 20 a 22 de setembro em Montreal, coincidentemente com o Mundial de estrada. Junto a elas, a UCI apresentou os primeiros resultados de seu estudo sobre as quedas em competição e anunciou uma nova forma de trabalhar com os fabricantes ao desenvolver as normas que afetam o material.

A UCI aprova novas barreiras obrigatórias nos últimos 200 metros
Uma das mudanças que já tem data de entrada em vigor afeta diretamente as chegadas. A partir da temporada 2027, as provas do UCI WorldTour e UCI Women's WorldTour terão que utilizar nos últimos 200 metros barreiras que cumpram novos padrões de segurança.
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As especificações provêm de um estudo realizado pela Universidade de Ciências Aplicadas e Artes da Suíça Ocidental Valais-Wallis. A UCI disponibilizará o protocolo para os fabricantes para que possam desenvolver ou adaptar seus sistemas aos novos requisitos.
É uma mudança especialmente relevante para as chegadas massivas, onde a combinação de altas velocidades, pouco espaço e proximidade do público torna as barreiras um elemento crítico. A nova normativa busca deixar para trás uma situação em que podiam conviver soluções muito diferentes para estabelecer um padrão específico na zona mais delicada de uma chegada.
A UCI quer estender o GPS a todas as corridas profissionais
A segunda grande medida ainda não tem uma data definida, mas a UCI a considera urgente. O objetivo é implantar sistemas de acompanhamento por GPS que permitam conhecer em tempo real a posição de corredores e veículos durante as corridas profissionais de estrada.
A primeira fase estará centrada no WorldTour masculino e feminino, embora a intenção anunciada seja estender o sistema ao conjunto das provas profissionais. Ainda precisam ser definidos os protocolos técnicos, o marco regulatório e o cronograma de implantação.
Não se parte completamente do zero. A UCI utilizou um sistema de acompanhamento por GPS de segurança em todas as categorias do Mundial de Kigali 2025 e o está utilizando novamente durante o Mundial de Montreal 2026. Além disso, confirma que continuará a utilizá-lo em próximas edições dos Campeonatos do Mundo.
Mais além de oferecer a posição do pelotão, o interesse do ponto de vista da segurança está precisamente em poder localizar rapidamente ciclistas e veículos, uma informação especialmente importante quando uma corrida fica fragmentada em numerosos grupos ou ocorre um acidente.
Os primeiros dados sobre quedas revelam diferenças importantes entre homens e mulheres
As novas medidas chegam enquanto a UCI continua coletando informação para entender melhor como e com quê consequências ocorrem os acidentes.
Desde março de 2026 está em andamento um estudo específico em provas do WorldTour e Women's WorldTour. Após cinco meses de acompanhamento, os primeiros resultados indicam que as lesões são, em termos gerais, mais frequentes e graves entre as corredoras do que entre os corredores. Além disso, o tempo médio necessário para retornar à competição é aproximadamente o dobro nas mulheres.
O estudo continua aberto, portanto, trata-se ainda de resultados preliminares. A intenção da UCI é construir uma base de dados de referência que permita não só decidir quê medidas preventivas adotar, mas verificar posteriormente se realmente conseguem reduzir o risco.
Os fabricantes terão mais voz nas futuras normas sobre bicicletas e equipamentos
A segurança também aparece por trás de outra mudança importante, desta vez relacionada ao material. A UCI reconhece que a velocidade com que a indústria evolui obriga a estabelecer uma relação mais direta com aqueles que desenvolvem bicicletas e componentes.
Para isso serão criados Comitês Técnicos especializados, com grupos dedicados a questões concretas como roupas, equipamentos de proteção, rodas e pneus ou quadros. Neles participarão a própria UCI, fabricantes e especialistas independentes, com uma representação equilibrada entre o organismo internacional e a indústria.
Esses comitês não terão a última palavra. Suas conclusões servirão à Comissão de Equipamento e Novas Tecnologias para elaborar recomendações, enquanto a decisão definitiva continuará dependendo do Comitê Diretivo da UCI.
Após uma primeira fase piloto dedicada a pista, gravel e rodas, o novo modelo de consulta será implantado de forma completa a partir de fevereiro de 2027.
Em paralelo, a UCI revisará a Carta de Lugano, aprovada em 1996 e ainda fundamental para estabelecer os princípios com os quais se regula a evolução tecnológica do ciclismo. Haverá uma consulta com os diferentes atores do esporte e fabricantes entre fevereiro e abril de 2027 antes de apresentar a nova versão ainda naquele ano.
Mais mudanças aprovadas pela UCI para 2027
A reunião de Montreal deixou bastante mais novidades além das relacionadas diretamente com a segurança. A partir de 2027, as equipes de estrada poderão somar pontos para o ranking UCI por meio dos resultados de seus ciclistas em grandes eventos de mountain bike, ciclocross e pista, além do Mundial de gravel.
Também foi finalizada a nova UCI Junior Road Nations Cup, que contará com onze provas entre fevereiro e julho de 2027 e uma grande final em Varese, Itália, entre 29 de julho e 1 de agosto. Haverá competições masculinas e femininas e um sistema de classificações continentais e nacionais.
Os diretores esportivos das seleções nacionais terão ainda que obter uma nova certificação por meio de um curso online antes do Mundial de 2027 de Haute-Savoie Mont-Blanc. Em 2028 a obrigação se ampliará para os diretores de equipes continentais masculinas e femininas.
Entre as decisões do Comitê também figura o desenvolvimento de uma normativa sobre testes genéticos para a categoria feminina em eventos reconhecidos pelo COI, visando os Jogos Olímpicos de Los Ángeles 2028. Os princípios foram validados, mas o regulamento definitivo ainda precisará ser aprovado antes do final de 2026. A proposta contempla um único teste durante a corrida de cada atleta e estabelece que seus resultados sejam confidenciais.
No que diz respeito ao cronograma, a Vuelta España Feminina será transferida de 3 a 10 de outubro de 2027, imediatamente após a prova masculina. A Vuelta a Burgos Féminas ocupará o espaço de maio, de 6 a 10, enquanto Eschborn-Frankfurt recuperará sua data tradicional de 1 de maio.
Com tudo, o bloco de decisões de Montreal deixa clara uma das prioridades da UCI para os próximos anos: reduzir o risco nas corridas apoiando-se tanto em mudanças físicas, como as novas barreiras, quanto em tecnologia e dados, com o acompanhamento por GPS e o estudo sistemático das quedas como principais ferramentas.