A revolução estudada pela UCI: Grandes Voltas de 16 dias, menos ciclistas, limites financeiros, drones, VAR...

Autoestrada 01/10/26 17:00 Migue A.

A UCI acaba de publicar Future of Cycling, um amplo documento que permite ter uma ideia de como o ciclismo profissional pode mudar nos próximos anos. Grandes Voltas mais curtas, pelotões reduzidos, limites orçamentários, novas janelas de contratações ou tecnologias como drones, inteligência artificial e um possível VAR aparecem entre as propostas.

A UCI coloca em pauta o futuro do ciclismo profissional

Future of Cycling é o resultado de uma consulta iniciada pela UCI em fevereiro de 2026. O organismo recebeu 55 contribuições de equipes, corredores, organizadores, federações, fabricantes, patrocinadores, meios de comunicação e outros atores do ciclismo, que agora foram sintetizadas em um relatório de cerca de 40 páginas. Aqui você pode lê-lo na íntegra.

O documento reúne propostas e pontos de consenso em torno de cinco grandes questões: calendário e participação, modelo econômico, fãs, segurança e integridade esportiva.

Agora começa o processo para decidir quais podem realmente se tornar reformas. As primeiras orientações devem ser apresentadas durante o seminário WorldTour de Benidorm, nos dias 9 e 10 de dezembro, enquanto a UCI coloca 2029 como o primeiro horizonte para introduzir mudanças.

Aqui damos uma olhada em suas propostas gerais.

Grandes Voltas de 16 dias

Uma das ideias mais chamativas é reduzir a duração das corridas por etapas, incluindo a possibilidade de passar as Grandes Voltas de suas atuais três semanas para 16 dias.

Isso permitiria liberar espaço em um calendário muito congestionado e facilitar que os melhores corredores pudessem disputar um maior número de corridas durante a temporada.

Também se propõe organizar o calendário por meio de blocos geográficos, reduzindo deslocamentos e evitando alguns dos atuais sobreposições.Pogacar já é eterno: quinto Tour e um lugar entre os maiores da história

Pelotões menores

A redução do número de corredores também está em pauta. Equipes menores significariam pelotões menos numerosos, algo que poderia contribuir tanto para aliviar o calendário das equipes quanto para melhorar a segurança.A UCI anuncia os WorldTour 2026: lista completa e surpresas nas promoções e rebaixamentos

A UCI também considera revisar determinadas obrigações de participação e o funcionamento do sistema de pontos.

O que o organismo descarta é transformar o WorldTour em uma competição fechada de franquias. Sua intenção é conservar uma estrutura esportiva aberta com mecanismos de acesso à máxima categoria.

Limites orçamentários para as equipes

A enorme diferença econômica entre estruturas é outro dos problemas identificados. Além disso, as equipes continuam dependendo extraordinariamente de seus patrocinadores principais para sobreviver.

A revolução estudada pela UCI: Grandes Voltas de 16 dias, menos ciclistas, limites financeiros, drones, VAR...Entre as soluções aparece algum mecanismo de equidade financeira, que poderia incluir limites orçamentários ou outras fórmulas destinadas a reduzir as diferenças entre as formações mais ricas e o resto.

Direitos televisivos conjuntos

O relatório também propõe estudar a agregação de determinados direitos comerciais e audiovisuais, com o objetivo de aumentar seu valor e criar novas fontes de receita para o ciclismo.

É um dos assuntos mais complexos. A UCI reconhece os direitos comerciais dos atuais organizadores e aponta que qualquer agregação teria que ser realizada voluntariamente e por meio de uma governança compartilhada.

Janelas de contratações

O mercado ciclista poderia se aproximar do funcionamento de outros esportes profissionais por meio de janelas específicas para realizar contratações.Quanto ganha Seixas hoje e por que sua contratação aponta para cifras recordes

Novas normas sobre transferências e possíveis compensações econômicas entre equipes também estão sendo estudadas. A UCI já trabalha paralelamente na regulação dos agentes e em uma reforma do sistema de transferências.

Uma plataforma digital para atrair novos fãs

A UCI considera que o ciclismo conta com uma enorme audiência mundial, mas tem dificuldades para transformá-la em uma comunidade ativa e gerar receitas condizentes com essa popularidade.

Entre as propostas aparece uma plataforma digital unificada, um maior uso dos dados de corrida e novos formatos de conteúdo. Existe uma preocupação especial em atrair os menores de 35 anos, atualmente sub-representados entre os seguidores do ciclismo.

Drones para reduzir os veículos na corrida

A segurança é um dos assuntos que gera maior consenso. Uma das ideias consiste em reduzir o número de veículos presentes nas corridas e estudar se algumas de suas funções podem ser assumidas por drones.

Também há um amplo apoio para generalizar o GPS em tempo real para conhecer constantemente a posição dos corredores. Embora a verdade é que essa medida, longe de ser uma proposta parece estar mais perto de se tornar realidade.

Uma pontuação de segurança para os finais

Os percursos também poderiam ser submetidos a controles mais rigorosos. Entre as propostas está estabelecer critérios objetivos para avaliar a segurança dos últimos quilômetros, além de padrões mínimos para barreiras e proteções.Søren Wærenskjold ganha ao sprint um Omloop Het Nieuwsblad em que Van Aert fica fora do top 10

Descidas, zonas urbanas e outros pontos especialmente delicados poderiam ser analisados com maior profundidade antes de aprovar os percursos.

Um VAR para o ciclismo

Outra possibilidade seria incorporar ferramentas semelhantes ao VAR de outros esportes, combinando imagens e dados para que os comissários possam revisar determinadas ações antes de tomar uma decisão.

A intenção é conseguir decisões mais rápidas, homogêneas e respaldadas por toda a informação disponível.O robô ciclista que aprende sozinho já faz front flips sobre uma Specialized de carbono

Inteligência artificial contra o doping

A inteligência artificial também aparece vinculada à integridade esportiva. Uma de suas possíveis aplicações seria analisar os dados do Passaporte Biológico para detectar anomalias ou padrões suspeitos que requeiram uma investigação mais detalhada. A isso se somaria o desenvolvimento de novas ferramentas para combater a fraude tecnológica.

Além de cada proposta concreta, o documento evidencia que o ciclismo profissional está disposto a revisar algumas das estruturas que durante décadas foram consideradas praticamente imutáveis. Quantas acabarão mudando e até onde chegará essa transformação será o que marcará os próximos anos.

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