A revolução estudada pela UCI: Grandes Voltas de 16 dias, menos ciclistas, limites financeiros, drones, VAR...
A UCI acaba de publicar Future of Cycling, um amplo documento que permite ter uma ideia de como o ciclismo profissional pode mudar nos próximos anos. Grandes Voltas mais curtas, pelotões reduzidos, limites orçamentários, novas janelas de contratações ou tecnologias como drones, inteligência artificial e um possível VAR aparecem entre as propostas.
A UCI coloca em pauta o futuro do ciclismo profissional
Future of Cycling é o resultado de uma consulta iniciada pela UCI em fevereiro de 2026. O organismo recebeu 55 contribuições de equipes, corredores, organizadores, federações, fabricantes, patrocinadores, meios de comunicação e outros atores do ciclismo, que agora foram sintetizadas em um relatório de cerca de 40 páginas. Aqui você pode lê-lo na íntegra.
O documento reúne propostas e pontos de consenso em torno de cinco grandes questões: calendário e participação, modelo econômico, fãs, segurança e integridade esportiva.
Agora começa o processo para decidir quais podem realmente se tornar reformas. As primeiras orientações devem ser apresentadas durante o seminário WorldTour de Benidorm, nos dias 9 e 10 de dezembro, enquanto a UCI coloca 2029 como o primeiro horizonte para introduzir mudanças.
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Aqui damos uma olhada em suas propostas gerais.
Grandes Voltas de 16 dias
Uma das ideias mais chamativas é reduzir a duração das corridas por etapas, incluindo a possibilidade de passar as Grandes Voltas de suas atuais três semanas para 16 dias.
Isso permitiria liberar espaço em um calendário muito congestionado e facilitar que os melhores corredores pudessem disputar um maior número de corridas durante a temporada.
Também se propõe organizar o calendário por meio de blocos geográficos, reduzindo deslocamentos e evitando alguns dos atuais sobreposições.
Pelotões menores
A redução do número de corredores também está em pauta. Equipes menores significariam pelotões menos numerosos, algo que poderia contribuir tanto para aliviar o calendário das equipes quanto para melhorar a segurança.
A UCI também considera revisar determinadas obrigações de participação e o funcionamento do sistema de pontos.
O que o organismo descarta é transformar o WorldTour em uma competição fechada de franquias. Sua intenção é conservar uma estrutura esportiva aberta com mecanismos de acesso à máxima categoria.
Limites orçamentários para as equipes
A enorme diferença econômica entre estruturas é outro dos problemas identificados. Além disso, as equipes continuam dependendo extraordinariamente de seus patrocinadores principais para sobreviver.
Entre as soluções aparece algum mecanismo de equidade financeira, que poderia incluir limites orçamentários ou outras fórmulas destinadas a reduzir as diferenças entre as formações mais ricas e o resto.
Direitos televisivos conjuntos
O relatório também propõe estudar a agregação de determinados direitos comerciais e audiovisuais, com o objetivo de aumentar seu valor e criar novas fontes de receita para o ciclismo.
É um dos assuntos mais complexos. A UCI reconhece os direitos comerciais dos atuais organizadores e aponta que qualquer agregação teria que ser realizada voluntariamente e por meio de uma governança compartilhada.
Janelas de contratações
O mercado ciclista poderia se aproximar do funcionamento de outros esportes profissionais por meio de janelas específicas para realizar contratações.
Novas normas sobre transferências e possíveis compensações econômicas entre equipes também estão sendo estudadas. A UCI já trabalha paralelamente na regulação dos agentes e em uma reforma do sistema de transferências.
Uma plataforma digital para atrair novos fãs
A UCI considera que o ciclismo conta com uma enorme audiência mundial, mas tem dificuldades para transformá-la em uma comunidade ativa e gerar receitas condizentes com essa popularidade.
Entre as propostas aparece uma plataforma digital unificada, um maior uso dos dados de corrida e novos formatos de conteúdo. Existe uma preocupação especial em atrair os menores de 35 anos, atualmente sub-representados entre os seguidores do ciclismo.
Drones para reduzir os veículos na corrida
A segurança é um dos assuntos que gera maior consenso. Uma das ideias consiste em reduzir o número de veículos presentes nas corridas e estudar se algumas de suas funções podem ser assumidas por drones.
Também há um amplo apoio para generalizar o GPS em tempo real para conhecer constantemente a posição dos corredores. Embora a verdade é que essa medida, longe de ser uma proposta parece estar mais perto de se tornar realidade.
Uma pontuação de segurança para os finais
Os percursos também poderiam ser submetidos a controles mais rigorosos. Entre as propostas está estabelecer critérios objetivos para avaliar a segurança dos últimos quilômetros, além de padrões mínimos para barreiras e proteções.
Descidas, zonas urbanas e outros pontos especialmente delicados poderiam ser analisados com maior profundidade antes de aprovar os percursos.
Um VAR para o ciclismo
Outra possibilidade seria incorporar ferramentas semelhantes ao VAR de outros esportes, combinando imagens e dados para que os comissários possam revisar determinadas ações antes de tomar uma decisão.
A intenção é conseguir decisões mais rápidas, homogêneas e respaldadas por toda a informação disponível.
Inteligência artificial contra o doping
A inteligência artificial também aparece vinculada à integridade esportiva. Uma de suas possíveis aplicações seria analisar os dados do Passaporte Biológico para detectar anomalias ou padrões suspeitos que requeiram uma investigação mais detalhada. A isso se somaria o desenvolvimento de novas ferramentas para combater a fraude tecnológica.
Além de cada proposta concreta, o documento evidencia que o ciclismo profissional está disposto a revisar algumas das estruturas que durante décadas foram consideradas praticamente imutáveis. Quantas acabarão mudando e até onde chegará essa transformação será o que marcará os próximos anos.