Tremenda escapada de 60 km em solitário, vitória e desclassificado por causa do guidão
No último fim de semana, ocorreu a Polese Memorial, uma prova italiana disputada perto de Treviso, de 168 km, e lá o ciclista nacional Filippo D’Aiuto foi o absoluto protagonista. Primeiro por ganhá-la após uma tremenda escapada em solitário de 60 km após uma queda e segundo por ser desclassificado devido a que as medidas de seu guidão não eram as regulamentares.
A UCI desclassifica D’Aiuto após vencer em solitário por descumprir a nova norma de guidões
O que parecia uma vitória de prestígio no calendário doméstico acabou se transformando em incredulidade e frustração. Após cruzar a linha de chegada, os comissários mediram sua bicicleta e determinaram que a distância entre as manetes de freio não cumpria com o mínimo estabelecido pela normativa recém-implantada.
Recordamos que, segundo a nova normativa, o guidão, medido entre seus extremos de maior largura, não pode ter menos de 400 mm de largura. Uma medida que, tomada entre ambas as manetes, não pode ser inferior a 320 mm.

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O organismo justificou essas mudanças por motivos de segurança, com o objetivo de limitar configurações consideradas “extremas”. No entanto, a medida gerou críticas entre corredores, técnicos e especialistas em biomecânica, que questionam seu impacto em ciclistas de menor estatura e no pelotão feminino, onde tradicionalmente se utilizam guidões mais estreitos ajustados por meio de estudos de posicionamento.
A equipe General Store-Essegibi-F.lli Curia defendeu que a Cervélo utilizada por D’Aiuto cumpria com a normativa na largada. Segundo sua versão, a queda anterior ao seu ataque definitivo teria provocado que uma das manetes se deslocasse para dentro, reduzindo a distância entre ambas abaixo do limite permitido.
O próprio D’Aiuto mostrou seu descontentamento após conhecer a decisão. Afirmou que havia sofrido uma queda e que as manetes se torceram para o interior, motivo pelo qual lhe retiraram o triunfo. Também explicou que, com apenas um minuto de vantagem durante seu ataque, parar para recolocar o guidão, como lhe teriam sugerido os comissários, era inviável em termos competitivos.
Após a desclassificação, o triunfo foi atribuído a Lorenzo Magli, segundo na linha de chegada. No entanto, durante a cerimônia, tanto Magli quanto Davide Boscaro decidiram deixar vazio o primeiro degrau do pódio em sinal de respeito a D’Aiuto, a quem consideraram o vencedor esportivo da prova.
Magli declarou que não se sentia o verdadeiro vencedor e que o gesto era o mínimo que poderia fazer após ver como seu compatriota esperou mais de uma hora pela decisão final antes de perder a vitória.
A equipe de D’Aiuto afirmou que respeita o veredicto do júri, embora o considere muito discutível, e agradeceu publicamente o gesto de solidariedade das outras equipes presentes no pódio.
A regulamentação sobre a largura de guidões já havia gerado controvérsia antes deste episódio. Mais de 7.000 pessoas assinaram uma petição solicitando sua revisão, argumentando que uma política uniforme não leva em conta a diversidade morfológica dos ciclistas.