Super EPO: por que se volta a falar sobre doping com vermes marinhos
Há três anos, soaram os alarmes com a possibilidade de utilizar a hemoglobina de vermes de areia marinhos como substância dopante. Agora, o jornal italiano Il Corriere de la Sera afirma que laboratórios bielorrussos e chineses teriam desenvolvido o M101, uma substância que aumentaria a capacidade do sangue para transportar oxigênio.

A hemoglobina de vermes de areia pode já estar sendo utilizada como dopante
Desde que há alguns anos foram descobertas as propriedades da hemoglobina do verme arenícola, capaz de armazenar até 156 moléculas de oxigênio em comparação com as 4 que cada molécula de hemoglobina humana é capaz de transportar, laboratórios da Bielorrússia e da China têm trabalhado para desenvolver a substância M101, que atualmente está autorizada para ser utilizada na conservação de órgãos destinados a transplante.
No entanto, o fato de o M101 ter o apelido de Lance A, em clara referência ao ex-ciclista norte-americano, é um indicativo claro de que o mercado negro dessa substância já pode estar se movimentando e sendo utilizada para algo mais do que a conservação de órgãos.
RECOMENDADO
Sessões de 30 minutos no rolo para melhorar
Nova tija FOX Transfer Neo de 225 mm
Eli Iserbyt coloca um ponto final em sua carreira esportiva após receber um diagnóstico médico definitivo
O Decathlon Ford Racing aposta na marca espanhola Damoff para a manutenção de suas bicicletas
Pidcock apresenta o novo kit 2026 da Pinarello-Q36.5: azul marinho e dourado com selo italiano
Pela primeira vez, a SRAM iguala a Shimano em patrocínios a equipes do World Tour

Em diferentes experimentos com hamsters aos quais foi injetado M101, foi comprovado que sua resistência e potência aumentavam notoriamente, pois a capacidade de seu sangue para transportar oxigênio se multiplicava por 10.
O problema para as autoridades de combate ao doping é que o M101 não gera variações no hematócrito, como ocorria com os métodos tradicionais de doping sanguíneo, como o uso de EPO ou transfusões, o que tornaria inútil, diante de seu uso, a principal arma que hoje em dia a UCI e a AMA têm para detectar essas práticas, que é o passaporte biológico.

No momento, a única arma que a AMA tem para detectar essa substância seriam as análises sanguíneas por meio do sistema de detecção de hemoglobina não humana, um método complexo e caro. Além disso, enfrentam o handicap de que a meia-vida do M101 no organismo é de apenas algumas horas, portanto, a rapidez entre a extração do sangue e sua chegada ao laboratório para conservação é essencial.
Por enquanto, em relação aos próximos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, as amostras serão levadas, em apenas meio dia, ao renovado laboratório de Roma que, assim como os de Lausana e Colônia, já conta com a capacidade de detecção de hemoglobina não humana, caso a AMA necessite desse tipo de análise, seja agora ou no futuro.