Santa Cruz reinventa a Blur na sua versão 2027: mais curso, nova geometria e uma clara aposta no XC moderno
A Blur sempre ocupou um lugar muito definido dentro do catálogo da Santa Cruz: uma bicicleta leve, reativa e focada em extrair o máximo desempenho em competição. Com a nova geração apresentada hoje, essa essência se mantém, mas a marca californiana reconhece que o cross-country não é mais o mesmo que há cinco ou dez anos e adapta um de seus modelos mais emblemáticos a essa nova realidade.
A principal novidade é que a nova Santa Cruz Blur passa a oferecer 120 mm de curso tanto na frente quanto atrás em toda a gama. No entanto, a mudança vai muito mais além desses 13 milímetros extras em relação à versão de competição anterior. A Santa Cruz revisou o quadro, a geometria e a suspensão para criar uma bicicleta mais capaz quando o terreno se complica, sem perder a eficiência que sempre caracterizou o modelo.

Santa Cruz Blur 2027: uma nova versão para competir... e para desfrutar o resto do ano
Até agora a Blur se dividia em duas versões, uma mais racing com 107 mm de curso traseiro, e outra variante Trail que aumentava essa cifra até os 115 mm. A nova geração elimina essa distinção e unifica toda a plataforma em uma única configuração de 120 mm.
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Não é uma decisão isolada. Nos últimos anos o cross-country evoluiu para percursos muito mais técnicos, com saltos, rock gardens e descidas que obrigam as bicicletas a oferecer um márgen de segurança e controle muito superior ao de gerações anteriores. A nova Blur nasce precisamente para responder a essa evolução sem abrir mão de ser uma bicicleta competitiva.

A Santa Cruz resume definindo-a como uma bicicleta válida tanto para lutar por um pódio quanto para enfrentar qualquer saída exigente entre corrida e corrida.
A geometria muda tanto quanto a suspensão
O aumento do curso chega acompanhado de uma revisão completa das cotas do quadro. O dado que melhor reflete essa mudança é o ángulo de direção, que passa de 67,1º para 66º, uma cifra que aproxima a Blur das bicicletas de downcountry e melhora a estabilidade quando a velocidade aumenta ou o terreno se torna mais exigente.

Também cresce de forma importante o reach. Dependendo do tamanho, a nova Blur ganha cerca de 15 mm em relação à geração anterior, enquanto o pedalier se situa 6 mm mais baixo para reduzir o centro de gravidade.
A Santa Cruz acompanha essas modificações com potências mais curtas —50 mm nas montagens padrão e 60 mm nas versões Race— e um tubo do selim com 75º de inclinação, buscando uma posição mais centrada sobre a bicicleta tanto nas subidas quanto nas descidas. Além disso, o tubo do selim reduz sua comprimento para permitir a instalação de canotes telescópicos de maior curso.
| Medida | S | M | L | XL |
|---|---|---|---|---|
| Reach (Alcance) | 425 mm | 450 mm | 475 mm | 500 mm |
| Stack (Pila) | 588 mm | 588 mm | 597 mm | 611 mm |
| Ángulo de direção | 66° | 66° | 66° | 66° |
| Comprimento do tubo de direção | 90 mm | 90 mm | 100 mm | 115 mm |
| Centro traseiro | 433 mm | 435 mm | 437 mm | 439 mm |
| Centro dianteiro | 718 mm | 743 mm | 772 mm | 803 mm |
| Altura do pedalier | 334 mm | 334 mm | 334 mm | 334 mm |
| Queda do pedalier (BB Drop) | 38,5 mm | 38,5 mm | 38,5 mm | 38,5 mm |
| Distância entre eixos | 1.151 mm | 1.178 mm | 1.209 mm | 1.242 mm |
| Comprimento do tubo superior | 575 mm | 596 mm | 622 mm | 650 mm |
| Comprimento do tubo do selim | 405 mm | 405 mm | 440 mm | 490 mm |
| Ángulo do tubo do selim | 75,7° | 76° | 76,1° | 76,2° |
| Ángulo efetivo do tubo do selim | 75,0° (a 680 mm) | 75,1° (a 730 mm) | 75,1° (a 780 mm) | 75,1° (a 830 mm) |
| Altura de entreperna | 735 mm | 743 mm | 745 mm | 744 mm |
Mais curso, mas também uma suspensão diferente
A marca mantém o sistema de suspensão traseira monopivôte com tirantes flexíveis que já utilizava a Blur, embora assegure ter revisado completamente seu funcionamento.
O objetivo não era apenas aumentar o curso, mas modificar a resposta da suspensão para oferecer um maior apoio na parte média do curso. Segundo a Santa Cruz, essa nova cinemática permite que a bicicleta conserve uma sensação firme quando se pedala com intensidade e, ao mesmo tempo, aproveite melhor toda a suspensão quando aparecem impactos de maior entidade.

É uma evolução coerente com o planejamento geral da bicicleta: ganhar capacidade sem sacrificar a eficiência que exige uma competição de XC ou um maratona.
Um quadro completamente revisado
Outro dos focos do desenvolvimento esteve no quadro. Embora a Blur aumente o curso e adote uma geometria mais ambiciosa, a Santa Cruz afirma ter reduzido a quantidade de material necessário para fabricá-lo.

Para conseguir isso, diminuiu o diâmetro de vários tubos, refinou suas formas e redesenhou o laminado de carbono praticamente por completo. O quadro é fabricado exclusivamente em carbono CC, o de maior nível dentro da marca, e declara um peso de 1.980 gramas.
A Santa Cruz mantém além disso sua garantia de por vida, um dos traços característicos da marca.

Duass maneiras de entender a mesma bicicleta
Embora todas as Blurs compartilhem quadro e curso, a Santa Cruz propõe duas configurações claramente diferenciadas.
As versões Race estão orientadas para a competição e recorrem a um guidão plano, potência de 60 mm, bloqueio remoto das suspensões e pneus Maxxis Rekon Race para priorizar o desempenho em acelerações e subidas.

As montagens padrão apostam em uma condução mais polivalente graças a um guidão de dupla altura, potência de 50 mm e pneus Maxxis Aspen AT, buscando um comportamento mais cômodo e seguro em rotas técnicas.
Em ambos os casos, todas as bicicletas incorporam canote telescópico e guia de corrente de série, uma mostra mais de que a Santa Cruz entende o XC atual de uma perspectiva muito mais ampla que a competição pura.
Santa Cruz Blur 2027: Sete montagens de 4.999 até 12.499 euros
A gama da nova Blur é formada por sete bicicletas completas, além do quadro solto.
O acesso à família chega com a Blur Deore, por 4.999 euros, enquanto a versão mais exclusiva é a Blur XX AXS Race Flight Attendant RSV, cujo preço sobe para 12.499 euros.

Entre ambos extremos aparecem opções equipadas com transmissões SRAM GX AXS, X0 AXS ou o novo Shimano XTR Di2, além de distintas combinações de suspensões Fox e RockShox. O montagens topo de gama incorpora o sistema eletrônico RockShox Flight Attendant.
| Modelo | Preço |
|---|---|
| Santa Cruz Blur Deore | 4.999 € |
| Santa Cruz Blur 90 | 5.999 € |
| Santa Cruz Blur GX AXS | 6.999 € |
| Santa Cruz Blur GX AXS Race RSV | 7.999 € |
| Santa Cruz Blur X0 AXS RSV | 9.499 € |
| Santa Cruz Blur XTR RSV | 10.999 € |
| Santa Cruz Blur XX AXS Race Flight Attendant RSV | 12.499 € |
| Quadro Blur CC | 3.899 € |

Uma Blur que reflete para onde se dirige o mercado
Mais que uma simples atualização, a nova Blur representa a adaptação da Santa Cruz à evolução que está vivendo o segmento do cross-country. A bicicleta conserva o peso contido e o caráter competitivo que sempre a acompanharam, mas adota soluções que há poucos anos pareciam reservadas a modelos de trail de curto curso.

Com 120 mm de suspensão, uma geometria claramente mais agressiva e uma suspensão revisada para oferecer um maior márgen quando o terreno se complica, a Blur deixa de ser uma bicicleta pensada únicamente para correr. Agora também quer convencer aqueles que buscam uma dupla leve capaz de render ao máximo no dia da corrida sem abrir mão de desfrutar do resto das saídas do ano.