Retirada inesperada de Simon Yates: adeus aos 33 anos e no auge
O pelotão amanheceu nesta quarta-feira com uma notícia tão inesperada quanto a retirada de Simon Yates do ciclismo profissional aos 33 anos. Ele fez isso através de um comunicado divulgado por sua equipe, Visma–Lease a Bike, apenas um ano depois de conquistar o Giro d’Italia e quando ainda tinha contrato em vigor, pelo menos, até 2026.
Simon Yates anuncia sua retirada imediata aos 33 anos: sai no auge
A decisão surpreende não apenas pela idade, mas pelo momento esportivo. Eates se despede após assinar uma das páginas mais brilhantes de sua carreira, com aquela vitória no Colle delle Finestre que o tornou o terceiro britânico a ganhar a geral do Giro, ao lado de Chris Froome e Bradley Wiggins.
Em 13 temporadas como profissional, Simon Yates acumulou 36 vitórias, entre elas a Vuelta a España 2018, vitórias de etapa nas três grandes voltas e gerais de uma semana como Tirreno-Adriático ou etapas em Paris-Nice. Escalador puro, explosivo e valente, sempre foi um corredor capaz de mudar o rumo de uma corrida quando a estrada realmente se inclinava.

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Seu trajeto, no entanto, não foi linear. Em 2018, ele esteve perto do Giro durante duas semanas antes de perder a maglia rosa em uma jornada histórica diante de Froome, um golpe que teria afundado muitos, mas que Yates transformou em impulso para conquistar a Vuelta meses depois. Ele também passou por episódios complexos, como a sanção de quatro meses em 2016 por um positivo não intencional por terbutalina, após a qual retornou ao mais alto nível.
Formado no clube Bury Clarion, Yates deu o salto para o profissionalismo em 2014 junto com seu irmão gêmeo Adam Yates na então Orica–GreenEDGE, estrutura na qual permaneceu onze temporadas e que hoje conhecemos como Jayco AlUla. Em 2025, apostou em uma mudança radical ao assinar com a Visma–Lease a Bike, uma decisão que, vista com perspectiva, resultou quase perfeita: seu último grande ato como ciclista foi ganhar o Giro.
Sua última vitória chegou na décima etapa do Tour de France 2025 e sua última corrida foi o GP de Montreal em setembro. Além de seu palmarés na estrada, Yates também foi campeão mundial na pista, ganhando a prova por pontos em 2013.
Na carta publicada nas redes, Yates reconhece que a decisão estava amadurecendo há algum tempo: “Pode surpreender a muitos, mas sinto que agora é o momento certo para dar um passo ao lado”. Agradecido a equipes, companheiros e família, sublinha que se vai “com orgulho e com uma profunda sensação de paz”, deixando claro que não se trata de uma retirada forçada, mas escolhida.
Desde a Visma, seu responsável de desempenho, Grischa Niermann, resumiu assim: “É uma pena que ele esteja saindo agora, mas ele faz isso no ponto mais alto possível. Ele ganhou o Giro quando quase ninguém esperava, e isso define perfeitamente quem é Simon Yates”.
Simon Yates se vai sem estridências, sem prolongar a carreira por inércia e sem despedidas programadas. Ele desce da bicicleta quando ainda poderia continuar ganhando. E no ciclismo moderno, isso talvez seja o mais excepcional de tudo.