Por que os ciclistas colocam algodões no nariz para aquecer
As imagens do aquecimento prévio às contrarrelógios do Tour de France revelam todo tipo de detalhes, desde bicicletas protótipo até novos métodos refrigerantes, mas há um que se repete há anos, um pequeno gesto que chama a atenção: vários corredores aparecem pedalando sobre o rolo com o nariz tapado por algodões.
Por que alguns ciclistas do Tour de France aquecem com algodões no nariz?
A primeira vista pode parecer uma técnica para limitar a respiração ou algum tipo de treinamento específico, mas a explicação é muito mais simples. No pelotão profissional trata-se de uma prática tradicional associada ao uso de um preparado elaborado a partir de óleos essenciais como mentol, eucalipto ou menta com o qual se impregnam esses algodões.

Um truque para “abrir” a respiração antes do esforço
O procedimento consiste em impregnar dois pequenos pedaços de algodão com algumas gotas deste óleo e introduzi-los parcialmente nas fossas nasais durante o aquecimento. Ao inalar seus vapores, o mentol produz uma intensa sensação de frescor que faz com que muitos ciclistas percebam que respiram com maior facilidade.
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Não se trata de um efeito mecânico que alargue as vias respiratórias, mas sim de uma sensação provocada pela ativação dos receptores do frio presentes na mucosa nasal. Essa percepção de maior fluxo de ar é precisamente o que muitos corredores buscam antes de enfrentar um esforço máximo como uma contrarrelógio.
Embora durante o Tour de France volte a ser especialmente visível, este ritual está presente há décadas no ciclismo profissional. É comum vê-lo durante o aquecimento das contrarrelógios, quando os corredores permanecem vários minutos sobre o rolo concentrados em alcançar a temperatura corporal adequada antes de tomar a saída.
Em uma disciplina onde qualquer detalhe pode marcar diferenças, muitos ciclistas mantêm rotinas muito pessoais que repetem corrida após corrida. O algodão é uma delas e continua sendo utilizado em numerosas equipes, apesar de não fazer parte do material técnico habitual.

Realmente melhora o desempenho?
Até a data não existe evidência científica sólida que demonstre que esta prática aumente o desempenho sobre a bicicleta. Os estudos realizados sobre ajudas destinadas a facilitar a respiração, como as tiras nasais ou os dilatadores, não encontraram melhorias significativas na potência desenvolvida ou nos tempos registrados durante esforços máximos.
Por isso, a principal explicação de sua permanência no pelotão parece estar relacionada com a sensação subjetiva que proporciona. Muitos corredores afirmam se sentir mais desobstruídos e confortáveis respirando durante o aquecimento, algo que pode ajudá-los a enfrentar com melhores sensações os minutos prévios a uma das disciplinas mais exigentes do ciclismo.
Em um esporte onde as chamadas “ganhos marginais” fazem parte do dia a dia, até mesmo pequenos rituais como este continuam tendo seu espaço. Pode ser que o Olbas Oil não faça ganhar watts, mas para muitos profissionais continua sendo um elemento a mais da rotina prévia a sair para disputar uma contrarrelógio.