Pidcock domina todos e é novamente campeão mundial de XCO em 2026

Mountain Bike 30/08/26 16:30 Migue A.

Tom Pidcock se proclamou Campeão do Mundo XCO 2026 em Val di Sole após protagonizar uma corrida extraordinária. O britânico partiu atrasado na grelha, chegou a rodar em torno da 30ª posição e teve que abrir caminho entre alguns dos melhores especialistas do mundo antes de ficar sozinho na liderança. Uma recuperação que terminou se transformando em uma exibição e que lhe permite conquistar seu segundo título mundial XCO.

Pidcock recupera de trás para conquistar seu segundo Mundial XCO

O Campeonato do Mundo XCO 2026 chegava com um dos cartazes mais potentes dos últimos anos. A igualdade mostrada durante toda a temporada e a presença de praticamente todos os grandes especialistas da disciplina, além de Tom Pidcock e Mathieu van der Poel, faziam da corrida de Val di Sole uma das mais esperadas.

Precisamente a saída era um dos momentos críticos da corrida. Pidcock e Van der Poel, dois dos grandes candidatos ao arco-íris, começavam a partir da quinta fila e precisavam superar o tráfego o quanto antes para não permitir que os especialistas da Copa do Mundo abrissem diferenças.

saída xco mundial homens

Ambos conseguiram avançar sem incidentes e no início da primeira das oito voltas já rodavam em torno da 30ª posição. Embora pudesse parecer muito atrás, a diferença com a liderança era então de apenas 16 segundos. O verdadeiro problema era a enorme quantidade de ciclistas que tinham à frente.

O start loop havia deixado um grupo muito compacto, com Martin Vidaurre, Riley Amos, Adrien Boichis e Luca Martin alternando-se à frente. Jofre Cullell também conseguia se manter entre os melhores.

Pidcock não demorou a começar sua particular recuperação. O britânico, do qual se sabia que poderia ainda estar arrastando certa fadiga do Tour e que havia sofrido algumas quedas treinando, ultrapassou mais de dez corredores durante a primeira volta e rapidamente colocou à vista o grupo da frente.

Van der Poel, por outro lado, começou a perder terreno em relação ao britânico.

Pidcock começa a abrir caminho para a liderança

Com a corrida já estabelecida sobre as oito voltas, à frente se formou um primeiro grupo com Boichis, Martin, Azzaro, Vidaurre, Avondetto, Aldridge e Lillo. Pidcock estava no grupo perseguidor a 16 segundos, enquanto Van der Poel aparecia mais atrás, em torno da 22ª posição e a 25 segundos.

A forma como Pidcock estava recuperando se tornou logo um dos grandes espetáculos da corrida. Sua agilidade para ultrapassar, a potência com que fechava espaços e a segurança com que se movia entre o tráfego demonstravam que, embora competisse muito pouco em MTB durante a temporada, ainda estava entre os melhores do mundo nesta disciplina.

Na segunda volta, a potente seleção francesa seguia tomando a iniciativa. Luca Martin, Mathis Azzaro e Adrien Boichis compartilhavam o grupo da frente com Charlie Aldridge, Martin Vidaurre, Cole Punchard e Dario Lillo.

Pidcock já os perseguia praticamente sozinho.

Era um movimento delicado. O britânico tinha que fechar o espaço com os líderes, mas fazê-lo sem gastar forças que poderiam ser decisivas durante a segunda metade da corrida.

Enquanto Pidcock se aproximava da liderança, as opções de Van der Poel pareciam se complicar. O neerlandês rodava na roda de Jofre Cullell, ocupando ambos as posições 17 e 18, a cerca de 54 segundos dos primeiros.

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Aldridge rompe a corrida e Pidcock termina sua recuperação

Ao chegar ao meio da prova, apareceu outro protagonista. Charlie Aldridge lançou uma mudança de ritmo muito dura com a qual conseguiu romper o primeiro grupo.

Somente Vidaurre, Boichis e a grande surpresa do dia, Cole Punchard, puderam se manter junto ao britânico. Mas logo atrás já aparecia Pidcock.

Na quarta volta era quinto e estava prestes a alcançar a liderança. Mais atrás se havia formado outro grupo com Lillo, Martin, Azzaro e Avondetto.

A quinta volta começou com o que poucos teriam imaginado depois de ver as primeiras posições após a saída: Pidcock já estava dentro do grupo da frente.

Ele havia completado a recuperação.

Agora restava a grande incógnita: saber quanto lhe havia custado o esforço e se ainda teria forças para disputar a vitória durante as últimas voltas.

Junto a ele estava ainda uma das grandes revelações da corrida. Cole Punchard, que também havia começado da quinta fila, chegou a liderar o Mundial após completar sua própria recuperação.

Pidcock passou alguns minutos na parte de trás do grupo, aparentemente recuperando-se do enorme esforço realizado para alcançar os primeiros. Mas a trégua durou pouco.

Pidcock ataca e começa a eliminar rivais

Na sexta volta, o britânico lançou um potente ataque que tensionou definitivamente a corrida.

Punchard foi um dos primeiros a ceder, enquanto Boichis, Aldridge e Vidaurre lutavam para se manter junto ao britânico.

Pidcock havia encontrado ainda um terreno perfeito para fazer diferenças. Cada vez que o circuito apontava para cima, aumentava o ritmo. Vidaurre sofria especialmente nesses setores e tinha que aproveitar as descidas para recuperar os metros que cedia nas subidas.

Até que chegou outro ataque.

Pidcock voltou a acelerar ladeira acima e desta vez quem não pôde responder foi, para surpresa de todos, Adrien Boichis. O francês, grande referência da temporada e recém proclamado Campeão do Mundo de Short Track, perdeu contato completamente.

Em muito poucos metros, Pidcock, Aldridge e Vidaurre conseguiram abrir 17 segundos sobre Boichis.

A sétima volta começou assim com uma situação inesperada: não havia nenhum francês entre os três primeiros. Pidcock e Aldridge lideravam para a Grã-Bretanha junto ao chileno Martin Vidaurre.

Mas Pidcock ainda não havia terminado.

Ninguém pode seguir Pidcock

Outro ataque do britânico terminou descolando Vidaurre. Somente Charlie Aldridge conseguia permanecer junto a seu companheiro de seleção durante a penúltima volta, enquanto Boichis continuava perdendo terreno até cair para a quinta posição.

Aldridge estava resistindo de maneira extraordinária, mas a subida mais longa do circuito voltou a se tornar o cenário escolhido por Pidcock.

O duplo campeão olímpico impôs ali um ritmo que seu compatriota já não pôde seguir.

Pela primeira vez em toda a corrida, Pidcock estava sozinho à frente.

Quando soou o sino que anunciava a última volta, o britânico já dispunha de 10 segundos sobre Aldridge. Punchard ocupava a terceira posição a 38 segundos, enquanto Vidaurre, que havia sofrido um furo, era quarto a 59 segundos. Boichis marchava quinto a um minuto.

Pidcock havia virado o Mundial de cabeça para baixo. Não apenas havia recuperado das posições atrasadas da grelha, mas todos os corredores que haviam tentado seguir seus ataques estavam começando a pagar o esforço.

Tom Pidcock, Campeão do Mundo XCO 2026

A última volta se tornou uma exibição para Pidcock e um exercício de sobrevivência para quem rodava atrás.

O britânico manteve a liderança e chegou sozinho à meta de Val di Sole para se proclamar Campeão do Mundo XCO 2026.

É seu segundo título mundial de XCO, conquistado além disso após outra recuperação espetacular. Pidcock voltou a demonstrar que seu reduzido calendário de mountain bike não impede que, quando retorna à disciplina, possa competir e ganhar frente aos melhores especialistas do mundo.

O duplo campeão olímpico começou a primeira volta em torno da 30ª posição, atravessou o tráfego, alcançou um grupo da frente formado pelos grandes protagonistas da Copa do Mundo e, uma vez lá, foi eliminando rivais com seus ataques até ficar completamente sozinho.

Val di Sole voltou a deixar uma demonstração de que Tom Pidcock continua sendo uma das grandes referências do XCO mundial mesmo competindo muito poucas vezes ao ano.

Logo atrás, Charlie Aldridge completou a dobradinha britânica ao cruzar a linha de chegada em segundo, 17 segundos atrás de Pidcock, enquanto a grande surpresa do dia, o canadense Cole Punchard, ficou com o bronze, 31 segundos atrás, depois de ter chegado até mesmo a liderar a prova em determinado momento.

Martin Vidaurre terminou em quarto, enquanto Adrien Boichis, um dos grandes destaques da temporada, teve que se contentar com a quinta colocação. Mathieu van der Poel terminou em 30º.

Top 10 Mundial XCO Elite Masculino 2026

  1. Tom Pidcock (GBR) — 1:25:26
  2. Charlie Aldridge (GBR) — +0:17
  3. Cole Punchard (CAN) — +0:31
  4. Martin Vidaurre (CHI) — +0:59
  5. Adrien Boichis (FRA) — +1:06
  6. Mathis Azzaro (FRA) — +1:47
  7. Dario Lillo (SUI) — +1:54
  8. Filippo Colombo (SUI) — +2:02
  9. Fabio Püntener (SUI) — +2:04
  10. David List (GER) — +2:08

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Pidcock lässt alle hinter sich und wird 2026 erneut XCO-Weltmeister