Philipsen estreia umas misteriosas Shimano S-Phyre no Tour de France
A Shimano volta a utilizar o Tour de France como laboratório para testar materiais que ainda não foram apresentados oficialmente. Se durante a Paris-Roubaix foi um novo sistema de pedais e clipes que chamou a atenção após um incidente protagonizado por Mathieu van der Poel, agora é Jasper Philipsen o escolhido mais uma vez pela Shimano para estrear um par de sapatilhas completamente inéditas que apontam para a próxima geração das S-Phyre.
A Shimano revela umas inéditas sapatilhas S-Phyre no Tour de France e reacende as dúvidas sobre seu novo sistema de pedais
A primeira vista, as novas sapatilhas mantêm a identidade das atuais S-Phyre RC903, lançadas em 2022, mas escondem várias mudanças na construção do cabedal que evidenciam que a Shimano continua a evoluir seu modelo de competição mais exclusivo.
Uma evolução discreta, mas com mudanças visíveis
As sapatilhas utilizadas por Philipsen conservam a configuração de fechamento duplo Boa característica da linha S-Phyre, embora apresentem uma disposição diferente do sistema de ajuste.
O painel envolvente que cruza o cabedal é agora menor e lembra o design empregado nas Shimano S-Phyre PWR, o modelo específico para velocistas, contrarrelogistas e pistards. No entanto, ao contrário daquelas, que combinam um dial Boa com uma tira de velcro na parte frontal, este novo protótipo mantém dois dials Boa, embora tudo indique que o inferior foi deslocado ligeiramente em direção à ponta para melhorar a distribuição da pressão.
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Também muda o trajeto dos cadarços, que agora são de cor preta sobre uma sapatilha branca, um detalhe diferente em relação às atuais RC903.
Além dessas modificações externas, não se percebem mudanças radicais à primeira vista. De fato, a história recente da Shimano convida a pensar que a futura geração — que poderia ser chamada de RC904 — apostará em melhorias progressivas em ajuste, ergonomia e eficiência antes de uma revolução estética.
O precedente da Paris-Roubaix
Essas novas sapatilhas chegam apenas alguns meses depois que a Shimano deixou entrever outro de seus grandes desenvolvimentos durante a Paris-Roubaix.
Nessa corrida, Mathieu van der Poel furou no Bosque de Arenberg e teve que tentar continuar com a bicicleta de Jasper Philipsen. No entanto, ele foi incapaz de prender as sapatilhas aos pedais porque ambos usavam sistemas incompatíveis.
Aquela cena confirmou que Philipsen estava utilizando um protótipo de pedais Shimano diferente do habitual Dura-Ace. Tudo indica que a marca japonesa está trabalhando em um novo padrão, conhecido de forma não oficial como SPD-SLR, que abandonaria a compatibilidade com as atuais sapatilhas SPD-SL para reduzir ao máximo a distância entre a sapatilha e o eixo do pedal.
As novas sapatilhas fazem parte do mesmo sistema?
Por enquanto, não existe nenhuma confirmação oficial por parte da Shimano e também não sabemos se Philipsen está utilizando durante este Tour de France aqueles mesmos pedais e clipes que já vimos na Paris-Roubaix.
Também não é possível garantir que essas novas sapatilhas estejam projetadas especificamente para esse sistema. No entanto, ambas as novidades poderiam estar intimamente relacionadas se o objetivo final da Shimano for reduzir ainda mais o stack — a distância entre a planta do pé e o eixo do pedal.
Não seria uma estratégia inédita. Um exemplo muito recente encontramos nas Q36.5 Unique Pro, desenvolvidas em conjunto com a SRM. Em nosso teste, pudemos verificar que este sistema, que utiliza sapatilhas especificamente projetadas para trabalhar junto a pedais exclusivos, consegue um dos stacks mais baixos disponíveis atualmente no mercado e sensações únicas. Essa integração entre sapatilha e pedal faz parte precisamente de sua proposta técnica e seria lógico pensar que a Shimano pudesse seguir um caminho semelhante se realmente apostar em um novo padrão.
Por enquanto, tudo permanece no campo das hipóteses. O único evidente é que a Shimano já está testando tanto novas sapatilhas quanto um novo sistema de pedais em competição no mais alto nível. A grande incógnita é se ambas as peças fazem parte do mesmo projeto e quando a marca japonesa decidirá apresentar oficialmente uma das maiores evoluções de seu ecossistema de estrada nos últimos anos.