O doping no ciclismo continua sua tendência, mas as áreas cinzas e as categorias de base preocupam

Autoestrada 25/02/26 09:13 Migue A.

O balanço antidoping de 2025 deixa uma fotografia ambivalente para o ciclismo profissional. O Mouvement Pour un Cyclisme Crédible (MPCC) registrou 20 casos de doping entre ciclistas profissionais ao longo do ano, um número que confirma a tendência descendente iniciada em 2022, quando foram divulgados 29 casos. No entanto, o próprio organismo insiste que o esporte não pode relaxar e que deve vigiar tanto as novas práticas médicas na elite quanto o doping “tradicional” que persiste em categorias inferiores.

O doping no ciclismo diminui em 2025, mas o MPCC pede máxima vigilância

Segundo as chamadas “Credibility Figures”, que oferecem uma visão global da luta antidoping no esporte internacional, o ciclismo ocupou em 2025 a décima posição em número de casos de doping e fraude esportiva. Muito longe do atletismo (163 casos), da halterofilismo (63) ou do tênis (46, incluindo 27 por fraude esportiva).

O doping no ciclismo continua sua tendência, mas as áreas cinzas e as categorias de base preocupam

Para o MPCC, esses dados colocam o ciclismo em uma posição muito mais sólida do que no passado, quando era considerado um dos grandes focos do problema. A redução de positivos no pelotão profissional reforça a percepção de que as ferramentas atuais (controles, acompanhamento biológico e maior supervisão médica) estão funcionando.

No entanto, o organismo sublinha que a queda numérica não equivale a um esporte completamente limpo.

Pela primeira vez em dois anos, um corredor do UCI WorldTour foi suspenso após serem detectadas anomalias em seu passaporte biológico, um dos pilares do sistema antidoping moderno. Trata-se do espanhol Oier Lazkano, um ciclista que não pertencia ao MPCC nem corria em uma equipe aderida ao movimento, mas o caso serve como lembrete de que a vigilância deve ser mantida no nível máximo.

O passaporte biológico continua sendo uma ferramenta chave para detectar variações anômalas em parâmetros sanguíneos ao longo do tempo, mesmo quando não existe um positivo direto por uma substância específica.

As “zonas cinzentas”: o debate mais incômodo

Além dos positivos confirmados, o MPCC insiste na necessidade de questionar o crescimento de certas práticas médicas que, sem estar inicialmente proibidas, geram dúvidas éticas e sanitárias.

Há algo mais de uma década, o Tramadol era considerado uma “zona cinzenta” no pelotão por seu uso como analgésico para mitigar a dor em corrida. Após a pressão exercida, a World Anti-Doping Agency (WADA) acabou incluindo-o na lista de substâncias proibidas.

Na mesma linha, o organismo se mostrou crítico com o uso disseminado de determinadas substâncias como as cetonas ou com práticas médicas que aumentam a medicalização do ciclismo profissional. Mais recentemente, a Union Cycliste Internationale proibiu em fevereiro de 2025 a inalação repetida de monóxido de carbono, uma medida que a WADA estendeu ao conjunto de esportes a partir de 2026.

Para o MPCC, o conceito de “ciclismo credível” não se limita à ausência de positivos, mas implica revisar qualquer prática que possa comprometer a saúde física ou mental dos corredores.

O foco no nível Continental e o ciclismo amador

Dos 20 casos registrados no ciclismo profissional em 2025, nove corresponderam a equipes de categoria Continental, o terceiro escalão do ciclismo mundial. Esse dado preocupa especialmente o MPCC, que pede reforçar a política antidoping nessas estruturas, onde os recursos e os controles podem ser mais limitados.

O problema é ainda mais evidente no âmbito amador. No final de 2025, a agência antidoping colombiana tinha 25 corredores sancionados ou provisoriamente suspensos, mais da metade pertencentes a estruturas amadoras ou semiprofissionais.

Nesse sentido, a mensagem do MPCC se foca em que garantir um ciclismo limpo na elite passa necessariamente por proteger sua base. A captação cada vez mais precoce de jovens talentos, melhor preparados em técnica e nutrição, obriga a extremar a vigilância nas categorias formativas.

O doping no ciclismo continua sua tendência, mas as áreas cinzas e as categorias de base preocupam

Os números de 2025 são, sobre o papel, encorajadores. O ciclismo já não lidera as estatísticas de doping e mantém uma tendência descendente nos últimos anos. No entanto, a história recente do esporte convida à prudência.

O desafio não é apenas reduzir positivos, mas evitar que as “zonas cinzentas” e as fraquezas estruturais em categorias inferiores erodam a credibilidade recuperada com tanto esforço. 

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