De marca desconhecida à Copa do Mundo XCO: Avona estreia na Coreia
Uma bicicleta quase desconhecida, uma marca recém-chegada e um corredor que teve que conquistar cada ponto UCI sem estrutura profissional. A primeira Copa do Mundo XCO de 2026 terá uma dessas histórias que explicam melhor do que qualquer comunicado como funciona realmente o alto nível: Avona, uma marca alemã apresentada no início de 2025, fará sua estreia na elite mundial sob Maximilian Brandl na Copa do Mundo de Mona YongPyong, Coreia do Sul, de 1 a 3 de maio.
Avona, uma marca alemã que chega com DNA de grandes fabricantes
Avona foi apresentada oficialmente ao mercado no início de 2025 como o projeto próprio de Jonas Müller e Max Koch, dois nomes com muita experiência em desenvolvimento de produto. Müller passou por marcas como BMC, DT Swiss, Santa Cruz e ARC8, enquanto Koch vem do ambiente da MK Bicycles, ARC8 e Faserwerk.

A ideia da Avona não é entrar por volume, mas por desempenho e personalização. Suas bicicletas são montadas sob pedido na Alemanha, com margem para ajustar componentes-chave como pedivelas, guidão, pneus, rodas ou suspensão. Além disso, todas as bikes saem com corrente tratada com cera CeramicSpeed UFO, um detalhe que resume bem o foco em não se concentrar apenas no peso do quadro, mas em tudo que pode tornar uma bicicleta mais rápida.
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Seu catálogo começou com três plataformas principais. A Callis é sua gravel de competição, com quadro aerodinâmico e espaço para pneus de até 50 mm. A Velum é sua estrada all-round com um peso declarado de 730 g para o quadro sem pintura na medida 54 e espaço para pneus de 35 mm. E a Silva é a dupla de XCO, a bicicleta que agora coloca a Avona diretamente na Copa do Mundo.

A Avona Silva, a bike com a qual Brandl chega à Coreia
Maximilian Brandl chegou a este ponto pelo caminho difícil. Após ficar sem equipe devido ao desaparecimento da estrutura Lapierre no final de 2025, o alemão começou a temporada como privado, com uma bike da temporada anterior e uma logística muito distante da que costuma cercar um corredor de Copa do Mundo.

Sua vitória em La Nucía já deixou claro que ele ainda tinha nível, mas a verdadeira virada veio com a entrada de novos apoios. Entre eles, a Avona, que colocou em suas mãos a Silva apenas alguns dias antes de viajar para a Sérvia para disputar a Serbia Epic. A adaptação foi mínima, mas o resultado foi contundente e ele venceu as quatro corridas, somou 180 pontos UCI e deu um salto crucial no ranking para se aproximar da grade do Short Track da primeira Copa do Mundo.
Depois, ele adicionou um terceiro lugar na HC de Drozdovo, na Eslováquia, e em poucas semanas acumulou 316 pontos. Esse esforço, entre corridas, viagens, treinamento e gestão pessoal de seu próprio projeto, é o que lhe permitirá chegar à Coreia com a seleção alemã e com uma bike que, embora tenha acabado de nascer comercialmente, já sabe o que é vencer.

Uma dupla de XCO muito leve e com geometria agressiva
A Avona Silva não busca ser uma dupla de XCO clássica. A marca declara 1.790 g para o conjunto do quadro na medida M, incluindo amortecedor, um número muito baixo para uma suspensão dupla. E em termos de geometria, a Silva combina 120 mm na frente e 115 mm atrás, com um ângulo de direção de 65º, reach de 465 mm na medida M e 495 mm na medida L, ângulo de selim de 76º e chainstays de 432 mm. Números que a colocam dentro do XCO moderno e técnico.

A marca defende que a diferença real em uma corrida de XCO não está apenas em subir rápido, mas em quanto margem a bike permite quando o circuito se complica. Por isso, a Silva aposta em uma direção muito lançada para sua categoria, uma posição de condução agressiva e um pedalada bastante centrada.
O sistema Slider Suspension e a comparação inevitável com a ARC8 Evolve
A parte mais reconhecível da Silva é seu sistema de suspensão traseira. A Avona o denomina Slider Suspension e substitui as bieletas convencionais por um conjunto mais compacto e leve, pensado para reduzir peças, ajustar a curva de progressividade e manter uma resposta muito direta.

E sim, a comparação com a ARC8 Evolve FS aparece de forma inevitável. Não porque seja a mesma bike, mas porque o conceito visual e mecânico da suspensão remete claramente àquela plataforma. Tendo em conta que Jonas Müller trabalhou na ARC8, a conexão é evidente e é um dos pontos mais interessantes desta nova Silva.

O quadro é desenvolvido com simulações FEA, otimização virtual do laminado de carbono e um trabalho específico sobre cada peça de alumínio para economizar peso. A Avona garante que apenas nessas pequenas peças cortou 40 g em relação ao ponto de partida, um número que em uma dupla de XCO deste nível já é relevante.
Também integra guia-corrente minimalista, patilha UDH, caixa de pedaleira BSA de 73 mm, eixo traseiro Boost 12x148 mm, cabeamento interno compatível com transmissões mecânicas, Di2 e AXS, canote de 31,6 mm, dois porta-garrafas e espaço para pneus 29x2,4”.
Montagens e preços da Avona Silva
A gama Silva parte de 3.499 € para o kit de quadro com cockpit integrado Faserwerk Baslerstab e amortecedor Fox Float SL Factory. As bicicletas completas vão de 5.499 € até 11.999 € da montagem com Flight Attendant.

A Copa do Mundo da Coreia será, portanto, algo mais do que o início internacional de Brandl nesta nova etapa. Também será o primeiro grande teste público para a Avona e para uma Silva que chega com números de peso muito ambiciosos, uma suspensão com muito a comentar e uma história esportiva que já lhe deu uma vitória antes mesmo de aparecer em uma grade mundial.