“Eu ia de MTB porque me divertia”: o líder do Giro da Itália lembra seus começos no XCO

Mountain Bike 13/05/26 21:58 Migue A.

A quinta etapa do Giro da Itália 2026 mudou completamente a corrida e deixou uma das histórias mais inesperadas deste início de temporada. Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) terminou o dia vestido de rosa após uma jornada caótica rumo a Potenza, culminando assim uma ascensão meteórica que há apenas alguns anos parecia impossível.

Afonso Eulálio, da Copa de Portugal XCO à Maglia Rosa do Giro: “Eu andava de MTB porque me divertia”

Porque antes de chegar ao WorldTour e se tornar líder do Giro, o português estava competindo em mountain bike. Concretamente em provas júnior da Copa de Portugal XCO durante 2018 e 2019, quando ainda desenvolvia grande parte de sua formação sobre bicicletas de montanha.

Agora, com 24 anos, ele acaba de se tornar o terceiro português da história a vestir a Maglia Rosa, depois de Acácio Da Silva e João Almeida.

“Eu ia de MTB porque me divertia”: o líder do Giro da Itália lembra seus começos no XCO

“Eu andava de MTB porque me divertia”

Após a etapa, Eulálio deixou algumas das declarações mais espontâneas e sinceras deste Giro ao recordar precisamente aqueles anos no MTB.

“Eu corria de mountain bike em Portugal e me divertia muito. Era feliz. Agora corro no WorldTour e estou aqui no Giro com a Maglia Rosa. É incrível. Não é um sonho, é uma loucura”.

“Eu ia de MTB porque me divertia”: o líder do Giro da Itália lembra seus começos no XCO

O corredor da Bahrain Victorious explicou ainda como acabou chegando ao ciclismo de estrada: “Algumas equipes me pediram para experimentar na estrada. Eu gostei e agora estou aqui no WorldTour”.

A progressão do português tem sido rapidíssima. Ele deu o salto profissional com a Bahrain Victorious em 2025 e, apenas uma temporada depois, já lidera uma grande volta.

Eulálio esteve muito perto de completar um double histórico em Potenza. O português chegou destacado junto a Igor Arrieta após uma jornada marcada por chuva, ataques constantes e um pelotão completamente descontrolado.

Ambos os corredores sofreram até quedas nos quilômetros finais e o próprio Eulálio reconheceu após a linha de chegada que mal entendia o que havia acontecido. “Eu também caí. Foi tudo caótico e rapidíssimo”.

O português quis destacar especialmente o trabalho de seu mecânico durante a troca de bicicleta após a queda: “Tenho que agradecer ao mecânico porque ele foi incrível e me deu a bicicleta imediatamente. Nesses momentos você não pensa na dor, só quer continuar pedalando para ganhar a etapa e pegar a Maglia Rosa”.

Finalmente, ele acabou cedendo a vitória para Arrieta nos últimos metros, completamente esgotado após mais de 200 quilômetros de desgaste: “Chegamos mortos. Lutávamos em cima da bicicleta. Isso não foi um sprint”.

Bahrain perde Buitrago… e encontra um líder inesperado

O Giro da Bahrain Victorious parecia ter se complicado muito após a desistência de Santiago Buitrago na queda massiva na Bulgária. No entanto, a equipe reagiu imediatamente buscando protagonismo nas fugas e encontrando agora uma liderança inesperada com Eulálio.

O português também teve palavras muito importantes para Damiano Caruso, um dos veteranos da equipe e uma figura chave em sua evolução: “É meu capitão. Damiano é uma das melhores pessoas da equipe. Aprendo muito com ele”.

Ambos compartilharam recentemente uma concentração em altitude no Teide antes do Giro: “Fizemos juntos um training camp em Tenerife e foi perfeito”.

O Blockhaus decidirá quanto dura o sonho

Embora Eulálio saia agora como líder sólido da corrida, o próprio português reconhece que defender a Maglia Rosa não será simples: “Tenho muitos minutos, mas na sexta-feira chega uma etapa longuíssima e uma subida muito dura”.

Ele se refere ao Blockhaus, a primeira grande chegada em alta deste Giro e um dos dias mais esperados pelos favoritos à geral. Além disso, o português sabe que ainda resta a longuíssima contrarrelógio de 42 quilômetros na Toscana, um terreno onde admite precisar de ajuda: “Talvez minha namorada Marisa Ferreira possa me ajudar. Ela também foi ciclista e era uma ótima contrarrelogista. Inclusive foi campeã nacional”.

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