“É realmente difícil para os ciclistas mais pesados”: Evenepoel alerta Van der Poel e Van Aert antes do Mundial
Remco Evenepoel já pôde testar em competição o circuito que decidirá o próximo campeão do mundo e sua conclusão aponta diretamente para dois de seus grandes rivais. O belga considera que a dureza e, especialmente, a duração das subidas de Montreal podem colocar em sérios problemas corredores mais pesados como Mathieu van der Poel e Wout van Aert.
Evenepoel analisa o circuito do Mundial após testá-lo no GP de Montreal
Em declarações a WielerFlits, Evenepoel explicou que a forma como são enfrentadas as subidas de Montreal pode acabar penalizando os ciclistas de maior peso. “Com a maneira como se corre na subida mais longa, é realmente difícil para os corredores mais pesados”, assegurou o belga após disputar o GP de Montreal.
Não se trata de uma avaliação realizada no papel, já que Evenepoel pôde comprovar isso ele mesmo no último domingo.
O GP de Montreal terminou com vitória de Isaac Del Toro à frente de Paul Seixas. Ambos conseguiram distanciar o resto dos favoritos nas últimas voltas, enquanto Brandon McNulty foi terceiro e Evenepoel terminou quinto a 35 segundos. O circuito de 13,4 quilômetros acumulava contínuas subidas e tinha na Côte Camillien-Houde um de seus principais pontos de seleção.
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Precisamente o perfil de quem ocupou as primeiras posições chamou a atenção de Evenepoel. “Se você olhar o peso médio do top 10, talvez estejamos falando de 63 ou 65 quilos”, explicou.
Isso não significa que Evenepoel descarte Van der Poel ou Van Aert. “Eles não são corredores pesados, mas ciclistas como Wout e Mathieu podem sobreviver a isso em um dia excepcional”, destacou o belga.
O Mundial será ainda mais longo e menos explosivo
Há além disso uma diferença importante entre o que aconteceu no domingo e o que encontraremos no próximo 27 de setembro. O Mundial elite masculino terá 273,7 quilômetros, frente aos pouco mais de 215 km disputados no GP de Montreal. Além disso, antes de entrar no circuito haverá aproximadamente 100 quilômetros de aproximação desde Brossard.
Para Evenepoel, essa mudança pode modificar consideravelmente o desenvolvimento da corrida. “Primeiro teremos 100 quilômetros planos. Poderemos entrar um pouco na corrida, enquanto aqui foi a mil por hora desde o início. E a corrida será muito mais longa, assim que no final será menos explosiva e dependerá mais da resistência”, explicou.
Del Toro e Seixas já demonstraram que o circuito seleciona muito
O que aconteceu no domingo se encaixa ainda com a leitura que faz Evenepoel. Paul Seixas foi quem lançou o movimento decisivo a cerca de 12 quilômetros da meta e conseguiu deixar para trás o resto dos favoritos. Isaac Del Toro regulou melhor seu esforço, alcançou posteriormente o francês e terminou impondo-se na subida final.
O mais significativo é que tanto Del Toro quanto Seixas reconheceram depois que não tinham tido suas melhores sensações. O mexicano assegurou que não se sentiu especialmente bem durante a jornada, enquanto Seixas também explicou que suas sensações estavam longe de serem perfeitas. Mesmo assim, foram capazes de deixar para trás Evenepoel, Tom Pidcock, Giulio Ciccone e companhia.
Seixas saiu especialmente reforçado de Montreal. O francês explicou que desde o Tour havia percebido uma melhora em sua potência e que ainda via margem para continuar progredindo antes do Mundial. Del Toro foi bastante mais prudente e rejeitou se colocar diretamente entre os favoritos apesar de sua vitória. “Isso continua sendo ciclismo”, lembrou o mexicano. 
O próprio Evenepoel também não quis converter o resultado do GP em uma previsão direta do que acontecerá dentro de duas semanas. O belga reconheceu após a corrida que não havia tido boas pernas em Montreal e apontou para a falta de recuperação após sua vitória em Quebec e a viagem entre ambas as provas. Apesar disso, terminou quinto e foi capaz de fechar praticamente sozinho uma diferença que chegou a rondar os 30 segundos com o grupo da frente.
“Não tiro nenhuma conclusão daqui. Dentro de duas semanas serão uns 60 quilômetros a mais. Então será uma corrida completamente diferente, com muito mais fadiga”, explicou após a prova.