“Coloque toda a sua merda no bolso e pedale”: Del Toro não teve seu melhor dia, mas essa motivação funcionou

Autoestrada 14/09/26 12:26 Migue A.

Isaac Del Toro e Paul Seixas foram os dois corredores mais fortes do GP de Montreal, mas o mais chamativo é que tanto o vencedor mexicano quanto o jovem francês reconheceram que suas sensações estavam longe de ser as melhores. A duas semanas do Mundial e sobre o mesmo circuito por volta que voltarão a se encontrar no dia 27 de setembro, o resultado reforça ainda mais sua condição de favoritos.

Del Toro e Seixas ganham confiança para o Mundial mesmo sem suas melhores sensações

O GP de Montreal terminou com vitória de Isaac Del Toro à frente de Paul Seixas, depois que ambos conseguiram se distanciar do restante dos favoritos nas últimas voltas. Brandon McNulty foi terceiro a 27 segundos e Remco Evenepoel, vencedor dois dias antes em Quebec, terminou em quinto a 35 segundos.

Montreal era o grande ensaio para o Campeonato do Mundo que será disputado dentro de duas semanas. O GP utilizou o mesmo circuito por volta que servirá de base para a prova mundialista, com suas contínuas subidas e a Côte Camillien-Houde como um dos pontos fundamentais para romper a corrida.

Del toro Paul seixas

Precisamente ali ocorreu o movimento decisivo. Seixas atacou a cerca de 12 quilômetros do final e deixou para trás o restante dos favoritos. Del Toro mediu melhor o esforço, conseguiu alcançar o francês perto da parte alta e ambos colaboraram até se assegurarem de que disputariam a vitória. Mas nenhum terminou especialmente satisfeito com as sensações que teve durante o dia.

“Para ser sincero, as sensações não foram as que esperava”, reconheceu Del Toro em uma entrevista posterior com Wilerflits. O mexicano explicou que já havia tido um dia complicado em Quebec e que também não se sentiu especialmente bem em Montreal. “Nem no domingo me senti muito bem”, admitiu.

O mexicano chegou a passar por alguns momentos complicados dentro do pelotão, mas a UAE Team Emirates-XRG manteve a confiança nele. Del Toro resumiu de forma bastante gráfica a mensagem que recebeu da equipe quando as dúvidas começaram a aparecer. “Disseram-me para colocar toda a minha merda no bolso de trás e simplesmente pedalar”.

Funcionou. A UAE chegou com vários corredores à fase decisiva, McNulty terminou em terceiro e Del Toro acabou resolvendo a corrida frente a Seixas para somar sua duodécima vitória da temporada.

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Seixas também não teve seu melhor dia e ainda assim rompeu o grupo de favoritos

As declarações de Paul Seixas foram similares. O francês, com apenas 19 anos, assegurou que durante boa parte da corrida também não havia encontrado as sensações que esperava.

“Não me senti especialmente bem durante todo o dia. Acho que estava muito fresco. Ontem não pedalei o suficiente”, explicou depois de terminar em segundo.

Isso não o impediu de protagonizar provavelmente a aceleração mais importante da corrida. Com três corredores da UAE no grupo da frente e Evenepoel voltando por trás, Seixas entendeu que tinha que atacar.

“Talvez me faltasse um companheiro para realmente marcar a diferença, então tive que lançar um ataque, algo que não é necessariamente meu ponto forte”.

A aceleração foi suficiente para deixar para trás corredores como Evenepoel e Tom Pidcock. Del Toro foi o único capaz de fechar posteriormente o espaço e alcançar o francês.

Seixas voltou a tentar a cerca de quatro quilômetros do final, mas desta vez não conseguiu soltar o mexicano. Os dois chegaram juntos à subida final e Del Toro aproveitou um pequeno descuido de seu rival para antecipar o sprint.

“Tive um momento de falta de atenção enquanto tentava ver quanto espaço tínhamos. Não consegui localizar a sinalização de 200 metros e, de repente, ele arrancou”, explicou Seixas. “Isso me surpreendeu e ele fez muito bem. No final, simplesmente foi mais forte”.

Dois candidatos ao arco-íris que ainda esperam melhorar

Que Del Toro e Seixas conseguissem deixar para trás o restante dos favoritos sem ter suas melhores sensações, mas Seixas assegurou que seus números estavam melhorando ainda depois do Tour de France.

“Senti que havia ganho potência desde o Tour. Acho que ainda há margem de melhoria”.

Del Toro foi muito mais prudente quando perguntado diretamente se sua vitória o torna um dos favoritos ao Mundial. “Não vou dizer que sou favorito. Isso ainda é ciclismo”.

O mexicano lembrou que em duas semanas muitas coisas podem mudar. Uma doença, uma queda ou simplesmente acordar sem as melhores sensações podem alterar completamente um Campeonato do Mundo. “Somos humanos. Nem todos os dias podem ser incríveis”.

Também será diferente a situação tática. Del Toro teve em Montreal a força coletiva da UAE Team Emirates-XRG, enquanto no Mundial correrá com o México e terá que assumir muito mais responsabilidade individual. “O Mundial é um jogo completamente diferente”, advertiu.

Del Toro já demonstrou em campeonatos anteriores que pode se desenvolver sem dispor de uma das seleções mais potentes e confia em poder criar suas próprias oportunidades se chegar com boas pernas.

Seixas terá um contexto diferente com a França, mas Montreal também lhe deixa uma conclusão positiva. Aos 19 anos, foi capaz de lançar o ataque que terminou selecionando definitivamente a corrida e apenas Del Toro conseguiu igualar seu ritmo.

Faltam duas semanas e, como insiste o próprio mexicano, muitas coisas podem mudar. Mas Montreal deixou uma referência difícil de ignorar. Em um dia em que nenhum assegurou se encontrar especialmente bem, Del Toro e Seixas foram primeiro e segundo e conseguiram deixar para trás Evenepoel, Pidcock, Ciccone e companhia.

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