Dicas para ir à roda e tirar o máximo proveito

Autoestrada 11/01/26 07:00 Migue A.

Todos nós somos conscientes da economia de forças que significa andar na roda e, no entanto, é incrível a quantidade de pessoas que estão há anos montando de bicicleta e ainda não sabem como fazê-lo corretamente, desperdiçando constantemente forças que com certeza agradeceriam ter em outros momentos de suas rotas. Vamos explicar como permanecer no lugar mais protegido e fazer a troca corretamente para não gastar nem um watt a mais.

Dicas para ir à roda e tirar o máximo proveito

O segredo do mínimo esforço

Com certeza muitos de vocês já ouviram mencionar uma das táticas mais antigas do ciclismo, a tática CBR que nada tem a ver com nenhuma moto de uma marca japonesa. É o acrônimo de Comer, Beber e na Roda, três palavras que expressam um dos principais mantras do ciclismo que é fazer a melhor gestão possível das forças que temos.

Desta vez vamos nos concentrar no último parâmetro, pois, quando a velocidade aumenta, a aerodinâmica se torna um fator essencial entre todas as forças que se opõem ao nosso avanço. Andar na roda de outros ciclistas pode representar uma economia sensível de até 30%, simplesmente uma barbaridade. Traduzido em números mais compreensíveis, nós chegamos a medir diferenças, em dias de vento frontal, de quase 100 W entre pedalar puxando o grupo e deixar-se levar até a 4ª ou 5ª posição no pelotão ¡Quase nada!

O problema é que a maioria dos ciclistas que vemos na estrada desconhecem a forma correta de andar na roda, portanto, embora consigam se beneficiar de alguma forma da roda de quem os precede, não economizam todas as forças que poderiam.

Dicas para ir à roda e tirar o máximo proveito

Questão de aerodinâmica

Antes de entrar no assunto, é preciso explicar a que se deve a economia de esforço que observamos quando nos colocamos atrás de outro ciclista. Quando atravessamos um fluido como o ar, primeiro temos que vencer a resistência que se gera ao impactar com ele, uma resistência que dependerá em maior ou menor medida da área frontal que oferecemos ao vento.

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Em seguida, o fluxo de ar circulará ao redor do nosso corpo e da bicicleta se comportando de diferentes maneiras. O mais comum é que ao interagir com as rodas ou com as pernas que se movem, ao passar sobre nossas roupas ou através do capacete, se gerem turbulências que fazem com que o fluxo de ar se torne caótico e gere forças que se opõem ao avanço. É aí que entra em jogo a aerodinâmica, que busca fazer com que o ar passe ao longo de todos esses elementos da forma mais ordenada possível, sendo direcionado da maneira mais inteligente para que as forças geradas sejam as menores possíveis.

Por último, quando o ar escapa do nosso corpo, continua mantendo a direção e velocidade que tinha, por isso, logo atrás do ciclista fica um espaço, digamos, vazio, que também é uma fonte de resistência. Mas se algo ocupa esse vazio, digamos, outro ciclista, essa resistência diminui, portanto, se estamos atrás de alguém, isso também ajuda a economizar forças em relação a se estivermos sozinhos.

O lugar adequado

Como vocês devem ter intuído, quando estamos na roda de alguém, por um lado evitamos o impacto frontal do fluxo de ar que é o que mais resistência gera, mas também, ao ciclista que temos à frente, economizamos forças ao evitar o vazio que se cria atrás dele. Até aqui tudo bem, exceto por um detalhe, no mundo real nem tudo é tão simples quanto se colocar na roda de quem nos precede.

Na aerodinâmica do mundo real, utiliza-se outro parâmetro chamado yaw, que em português é guiñada, um termo de navegação que, no caso da aerodinâmica, define o ângulo efetivo de incidência do vento e que é usado na hora de otimizar os designs de rodas, capacetes, bicicletas, etc.

O vento raramente incide exatamente frontal na estrada, mas sim com certo ângulo. No entanto, aqui nos interessa o ângulo efetivo que é a combinação entre de onde o vento incide e nossa velocidade de avanço. Dependendo do ângulo do vento, também será a esteira que fica atrás do ciclista que nos precede, portanto, para nos proteger, devemos variar nossa posição para um lado ou outro.

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Às vezes na estrada, se o vento não é muito forte ou pelas próprias turbulências que se produzem, é complicado determinar de onde vem o vento e encontrar a posição ideal. Para nos ajudar, sempre podemos nos fixar na direção para a qual as ervas na beira da estrada se inclinam ou nas bandeiras que podemos ver em nosso caminho.

Outra forma de detectar quando estamos protegidos do vento é em como ouvimos o vento. Quando incide diretamente, costuma ser um som contínuo, enquanto que, quando entramos na esteira do ciclista à frente, se torna entrecortado.

Evidentemente, ao nos inclinarmos para nos proteger do vento, devemos ter em mente que não estamos sozinhos na estrada. Não podemos ficar fazendo leques como vemos nas corridas pela televisão. Aproveitaremos o acostamento na medida do possível, mas se o tráfego não permitir, não teremos outra escolha a não ser ficar bem atrás do ciclista que nos precede e expostos ao ar.

Dicas para ir à roda e tirar o máximo proveito

A distância que deixamos para o ciclista à frente também é essencial para alcançar a máxima proteção. O ideal é que quanto mais perto estivermos, maior será a economia, precisamente no que costuma falhar a maioria por medo ou por pouco domínio da bicicleta. Além disso, andar muito perto faz com que possamos gastar forças demais nos típicos acelerões e frenagens que sempre ocorrem.

Está claro que para andar colado a quem está à frente devemos confiar completamente nele, por isso só conseguimos a melhor posição com pessoas que conhecemos. Além disso, o ciclista à frente deve estar ciente de sua responsabilidade para conosco e avisar sobre todos os obstáculos que possam aparecer: buracos, sujeira, outros ciclistas que ultrapassamos…

Por supuesto, para dominar a técnica é necessário praticar, portanto, se sempre saímos sozinhos, nunca poderemos nos sentir à vontade pedalando em grupo. A propósito, também importa a posição em que pedalamos dentro do grupo na hora de conseguir a maior vantagem. Com o que explicamos antes, vocês já devem ter percebido que o melhor lugar não é na retaguarda do grupo, mas no meio, onde obtemos ganhos tanto pelo ar que evitamos atrasar em primeira instância quanto por aqueles que preenchem o vazio que fica atrás de nós. Em geral, segundo diversos estudos, a menor resistência é conseguida a partir da 4ª posição e levando outros dois atrás.

Dicas para ir à roda e tirar o máximo proveito

O último aspecto que geralmente não se leva em conta ao pedalar em grupo é o dos revezamentos. Geralmente, nas grupetas, costuma-se revezar sempre pelo lado esquerdo, que deixa mais espaço livre, quando o correto, para economizar o máximo de forças possíveis, seria fazê-lo pelo lado protegido do vento, ou seja, se o vento vem da direita, efetivamente revezaremos pela esquerda, mas faremos pela direita se o vento incidir do lado oposto.

Esse é um aspecto que também podemos levar em conta quando pedalamos em paralelo, procurando deixar o lado protegido do vento para os ciclistas que têm menos forças. Afinal, o ciclismo é um esporte individual e de equipe ao mesmo tempo, e uma de suas facetas mais interessantes é como a colaboração entre ciclistas serve para que todos eles consigam pedalar mais rápido e com menos esforço.

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