Aero, monoplato e pneus no limite: Pogacar extrai o máximo de sua Colnago Y1Rs no pavé
Tadej Pogacar chega ao Tour de Flandres sem sequelas da queda na Milão-San Remo e com uma mudança técnica clara em relação a temporadas anteriores no pavé. O esloveno decidiu competir sobre os paralelepípedos com a Colnago Y1Rs, o modelo aero da marca italiana, deixando para trás a estratégia que o levava a escolher plataformas mais leves como a V4Rs ou a recente V5Rs.
Pogacar muda de estratégia para o pavé e desafia os limites de sua Colnago Y1Rs
A escolha não é menor. A Y1Rs introduz uma geometria mais agressiva e claramente orientada para a eficiência aerodinâmica, e se tornou a bicicleta de referência de Pogačar desde seu lançamento. No entanto, seu uso em terrenos irregulares gera dúvidas, o que obrigou a equipe a trabalhar durante meses em uma adaptação específica para o pavé.
Esta nova configuração foi levada ao limite em vários pontos-chave. O mais evidente está nos pneus. Tudo indica que Pogacar está utilizando os Continental GP5000 S TR em medidas próximas a 35 mm, uma cifra que supera o passo de roda teórico do quadro. As imagens mostram um ajuste extremamente justo entre o pneu e o quadro, sinal de até que ponto estão explorando a margem disponível.
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O aumento de balão responde a uma lógica clara neste tipo de corridas. Permite trabalhar com pressões mais baixas, melhora a tração sobre o paralelepípedo e reduz o castigo muscular em esforços prolongados. Em troca, obriga a redesenhar o resto da montagem para evitar conflitos mecânicos, especialmente na área do câmbio dianteiro.
É aí que entra outro dos elementos-chave da montagem. Na Milão-San Remo, já foi visto competindo com uma transmissão monoplato, uma solução não padrão na Shimano que sua equipe resolveu com um prato específico da Carbon-Ti e uma guia de corrente da K-Edge. Ao eliminar o câmbio dianteiro, libera-se espaço crítico para montar pneus mais largos. Embora nos últimos testes tenha voltado a utilizar transmissão dupla, essa opção ainda está muito presente para Paris-Roubaix.

O conforto também foi reforçado. Além do maior volume do pneu, o guidão apresenta dupla fita na área de apoio, uma solução habitual para melhorar a absorção em corridas como Roubaix. E após os problemas sofridos no ano passado no pulso, não seria estranho que Pogacar renunciasse a competir com seu habitual, e caríssimo, relógio Richard Mille para evitar riscos desnecessários.
Flandres será o primeiro cenário real para validar todo esse trabalho. Lá, ele medirá novamente forças com Van der Poel em um percurso explosivo e técnico que servirá como banco de provas definitivo antes de enfrentar Paris-Roubaix, o Monumento que ainda falta em seu palmarés.